Antes dos palcos, dos festivais e da estrutura de uma banda completa, a música de Wes Ventura ecoava em um cenário bem diferente: os ônibus de Curitiba. Era ali, entre passageiros apressados e rotinas comuns, que o artista começou a construir uma trajetória que agora ganha novos capítulos e proporções. Mas agora ele vem gigante. O cantor é um dos nomes independentes confirmados no Festival Coolritiba, programado para o dia 23 de maio, na Pedreira Paulo Leminski e na Ópera de Arame.

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Dos ônibus e das ruas de Curitiba, Wes Ventura vai se apresentar no palco da Pedreira Paulo Leminski, no Coolritiba. Foto: Reprodução/Instagram Wes Ventura/@framesdecria

Natural de Barretos, no interior de São Paulo, Wes Ventura chegou à capital paranaense com um objetivo claro: viver da própria arte. E foi direto ao ponto.

“Eu vim de Barretos com o sonho de viver da minha arte, acabei chegando em Curitiba. Foi o único lugar que eu vim diretamente pra cá, do interior de São Paulo, e aqui eu comecei cantando nos ônibus, passando chapéu nas pessoas nos ônibus. Depois dos ônibus fui cantar na rua, e na rua também passava o chapéu, aí da rua eu vi que existia possibilidades de conseguir rentabilizar uma equipe, e aí a arte de rua começou a virar um power trio, quarteto”.

A transição foi gradual, mas consistente. Dos ônibus para as ruas; das ruas para formações maiores e, aos poucos, para os palcos que hoje integram o circuito cultural da cidade. Ao longo desse percurso, Wes Ventura consolidou uma identidade própria, marcada pela fusão de influências.

“Eu comecei meus trabalhos aqui em Curitiba cantando na rua, nos ônibus. A gente sabe que o artista ele tem que ir onde o povo tá e a gente tá sempre magnetizando esses lugares, esses espaços. Mas o Coolritiba tem uma dimensão um pouco maior”.

Esse crescimento acompanha também a expansão do próprio trabalho artístico. O que começou como performance solo ganhou corpo, equipe e potência sonora.

“Nesse movimento de rua, todo mundo ali já estava vendo de música, e pra nós já estava um sonho maravilhoso, e não fazia nem ideia do que ainda a vida tinha pra me trazer né, então a gente acabou saindo da arte de rua, e o nosso trabalho tá aí, a gente tá ocupando vários palcos e festivais graças a Deus, também através da nossa arte hoje em dia”.

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Embora tenha se firmado em Curitiba, Wes Ventura é de Barretos, interior de São Paulo. Foto: Reprodução/Instagram Wes Ventura/@brno.czar

Wes Ventura: som que começou nos ônibus mistura raízes e contemporaneidade

A música de Wes Ventura carrega uma assinatura singular. O artista define sua sonoridade como uma fusão entre Black Music, Soul Music e referências do interior brasileiro, uma combinação que ele próprio chama de “afro caipira contemporânea”.

Agora, essa história ganha um novo marco com a participação no Coolritiba. O evento reúne nomes de peso da música brasileira, como Seu Jorge, Criolo e Anavitória, além de encontros como Dominguinho com João Gomes, Jotapê e Mestrinho.

Além disso, como adianta o cantor, o público vai poder ver de perto, no palco do Coolritiba, a mistura sonora que ele produz. Wes Ventura quer mostrar de fato seu trabalho autoral, pois acredita na identificação do público.

“Esse show que eu tô montando pro Coolritiba é um show autoral, que traz a minha história, traz a minha identidade musical, que é essa coisa da Black Music, da Soul Music, com a coisa do lugar onde eu venho, que é essa pegada caipira, afro-caipira que eu trago na minha identidade. É uma levada percussiva que eu trago na minha guitarra, e é um show que é uma big band, são nove músicos, nove musicistas no palco, então é um show pra gente trazer as pessoas, que não conhecem essa minha arte ainda pra mais perto entender que ela tem um lugar forte da música mesmo, que a gente vem da arte de rua, e é um show pesado, um show dançante”

adianta Wes Ventura sobre o show que prepara para o Coolritiba.

A proposta, portanto, vai além da apresentação musical. Trata-se de uma narrativa viva, construída a partir das experiências do artista e traduzida em performance.

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Ao perceber que seu trabalho ganhou força, Wes Ventura conseguiu ir para além das ruas. Foto: Reprodução/Instagram Wes Ventura

O salto para um dos palcos mais disputados

A trajetória de Wes Ventura traduz, em muitos aspectos, o caminho de diversos artistas independentes no Brasil: persistência, adaptação e conexão direta com o público. No entanto, no caso dele, há um elemento que se destaca, a capacidade de transformar vivência em linguagem artística.

Para artistas independentes, por outro lado, o Festival Coolritiba representa mais do que visibilidade, é um símbolo de reconhecimento.

“O Coolritiba vai ser isso pra nós, esse momento de tá mostrando porque que a gente tá aqui fazendo nossa arte autoral por tanto tempo, tendo relevância no cenário cultural da cidade, trazendo música autoral, então eu acho que pra mim é uma grandíssima oportunidade de mostrar pra quem não conhece o tamanho dessa coisa afro caipira contemporânea que eu vivo falando, que é a nossa música autoral”.

Ele reforça ainda o peso simbólico do palco: “O Coolritiba, pra quem está na música aqui no sul, fazendo arte, é o lugar que a gente almeja estar, que é um palco que passam vários artistas, tanto artistas da nossa geração quanto da geração passada, que são referência pra nós”.

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Festival Coolritiba deste ano vai ser no dia 23 de maio, na Pedreira. Foto: Divulgação.

Festival Coolritiba

Programado para o dia 23 de maio, a edição de 2026 do Festival Coolritiba vai reunir nomes de várias gerações da música brasileira. Um dos shows mais aguardados, inclusive, é o encontro entre Seu Jorge e Criolo.

Além disso, o line-up de 2026 reúne artistas de diferentes estilos:

  • João Gomes, Jotapê e Mestrinho com o projeto Dominguinho
  • Os Garotin convidando Fat Family
  • Gilsons
  • AnaVitória
  • Lagum
  • Marina Sena
  • Djonga
  • Céu, celebrando 20 anos de carreira

A programação do Festival Coolritiba ainda inclui Ajuliacosta, Ana Frango Elétrico, Chico Chico, Mundo Livre S/A, Janine Mathias e Wes Ventura convidando Dimelo.

Os ingressos para o Coolritiba 2026 continuam à venda e variam de R$ 355 (meia-entrada) da pista, a R$ 2 mil o pacote cool experience. A venda de ingressos é feita pelo Sympla. Clique aqui para comprar o ingresso.

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