Dizem que um príncipe precisa agradar não só seus súditos, como também todos os outros públicos. Esse é o caso de Dilsinho, que desde 2014 vem mostrando que o pagode pode sim interagir com qualquer outro gênero musical, mesclando inclusive um jeito mais pop. É dessa forma que ele chegou a Curitiba, na sexta-feira (15), com um show que faz jus a fama de ser um cantor que abraça todos os públicos. Veja o vídeo da entrevista abaixo.

Foto: Lucas Sarzi/Banda B.

Diferentão, o novo projeto de Dilsinho, traz o cantor em sua essência: um pagodeiro de primeira, mas que se importa em misturar seu som e levar o pagode para onde ele bem entender. Sempre buscando algo diferente do que já faziam por aí. E isso, para Dilsinho, sempre foi um objetivo.

“É, eu fui me acostumando com isso também, de encontrar o espaço vazio para poder fazer alguma coisa. Isso foi moldando a minha personalidade como artista, eu acho que o é o principal. A música ainda é a base de tudo, mas as pessoas começaram a falar um pouco da maneira que eu me vestia, do jeito que eu cortava o cabelo e começaram a reproduzir e imitar um pouco isso, né? Imitar uma palavra muito forte, mas começaram a se espelhar nisso e usar como referência”. 

disse Dilsinho

Dilsinho comentou que fica muito feliz quando, atualmente, ouve uma música e percebe que alguém o teve como inspiração, como referência. É a prova de que “ser diferente” pode sim ser bom.

“Eu nunca tive esse medo de fazer coisas novas. Acho que o público se acostumou e até espera isso. Eu estava tendo uma conversa essa semana com a galera da minha equipe, e eles estavam tentando avaliar quem é o público do Dilsinho. Se eu fizer a mesma coisa durante o mesmo tempo, a galera fica ‘ah mas você não vai fazer nada diferente?’. Então o nome ‘Diferentão’ veio daí, desse desse lugar que as pessoas também me viram e que eu tava me vendo de poder cantar com pop, poder cantar com forró, poder cantar com sertanejo, e sempre trazer o pagode pra um lugar diferente”.

avaliou Dilsinho

Eclético agrega

Além da fama de “diferentão”, Dilsinho sempre teve também o adjetivo de ser um cara sem preconceito musical. Seu show surpreende pela mistura que faz com músicas que, teoricamente, não teriam nada a ver com o pagode: toca até Sandy e Junior, por exemplo. Segundo ele, ser eclético o fez crescer.

“Ah, é ótimo. Acho que isso já é uma característica do povo brasileiro, né? A gente está aqui hoje em Curitiba e a gente vai para o Nordeste e já você já ouve outras coisas, já come, já se veste diferente. Isso é uma particularidade muito do Brasil, que são vários países dentro de um próprio país, e isso reflete musicalmente. Você pega hoje o topo das músicas lá do top 50 ou as músicas mais tocadas do Brasil, cê tem funk, cê tem pagode, cê tem forró, cê tem o rap”. 

comentou Dilsinho

O amadurecimento musical também passou por essa coisa de ser mais eclético para entender onde poderia aproveitar um som diferente e unir ao que ele se propunha a fazer.

“Quando você tem essa visão como artista, isso só vem a agregar o seu trabalho, só vem a te fazer crescer, amadurecer, e o lance dos dois palcos é um lance novo também pra mim assim. Eu queria que a galera do pagode se sentisse ali, que os meus fãs ficassem perto”.

disse Dilsinho
Foto: Lucas Sarzi/Banda B.

Projeto da carreira

Se tem uma coisa que o pagode pede, é interação. Foi pensando nisso que Dilsinho criou o projeto Diferentão, que está começando a viajar pelo país. A turnê vem de um jeito inovador para o artista, com dois palcos, um deles no meio do público, que aproxima ainda mais os fãs.

“A gente começou a achar uma uma maneira de fazer isso, a gente tá fazendo 10 shows esse ano, e a ideia é que ano que vem, a gente tá estruturando, cada show a gente vai sentindo o que que dá certo mais em um lugar, o que que a galera gosta mais, é um show novo pra gente também, esse é o grande desafio, e eu espero que ano que vem o ‘Diferentão’ cresça ainda mais, que esse projeto só venha a ganhar força e o coração da galera”. 

contou Dilsinho

No início do show, um vídeo feito com carinho por Dilsinho explica a ideia do projeto e o cantor deixa bem claro: ele encara Diferentão como o “projeto de sua carreira”. À Banda B, confirmou isso e explicou.

“Sim, sim, com certeza. O desafio de ter dois palcos, você conseguir fazer dois momentos, que as pessoas sintam esses dois momentos, que as pessoas vejam a diferença de um lugar para o outro, como é um show quando cê tá parado e quando é um show que cê tá dentro do show, né? São duas sensações diferentes. Esse é o grande desafio desse show, e ele tá crescendo a cada dia, a galera que tem ido no show tem sentido uma uma sensação nova e isso que é especial de você praticamente ter dois shows no mesmo dia, duas maneiras diferentes de falar de música, de fazer música, e é por isso que eu acho que esse projeto vai tão longe, é um dos maiores projetos da minha carreira sem sombra de dúvidas”. 

avaliou Dilsinho

Veja a entrevista completa com Dilsinho:

Curitibana na banda

Dilsinho contou que gosta muito de Curitiba. Segundo o cantor, quando soube que a capital paranaense ouvia seu som, foi uma surpresa muito boa.

“Fui pego de surpresa quando eu soube que um dos lugares que mais me ouviam no Brasil era Curitiba. Falei, ‘nossa, tem pagodeiro em Curitiba’. E desde 2014 a gente vem pra cá, e os meus projetos sempre passam por Curitiba e eu espero que continuem passando pelo Sul do país, que é um lugar que me recebe muito bem”. 

disse Dilsinho

Não à toa a paixão por Curitiba o entregou uma curitibana: a cantora Jenni Rocha, que chegou a participar do The Voice Brasil, integra hoje a banda de Dilsinho. E é moradora do bairro Uberaba.

“Que a gente possa ter mais curitibanos por perto. A banda também faz parte desse posicionamento eclético, de você poder abrir espaço para as pessoas novas, pessoas talentosas, e a Jenny que é aqui de Curitiba representando muito bem, com a gente em todo Brasil”. 

comentou Dilsinho
Foto: Lucas Sarzi/Banda B.

Jenni disse à Banda B que tem sido um prazer e um orgulho muito grande poder rodar o Brasil em turnê com Dilsinho. Para ela, a realização de um sonho.

“Com certeza, pra mim é muito gratificante […]. É muito louco para onde a vida pode levar a gente, a música leva para lugares muito diferentes e ao  mesmo tempo é algo dentro do que eu gosto, porque o Dilsinho é pagode, mas é pop. Eu me identifico muito e também aprendo muito. Nunca imaginei que iria estar aqui, mas dessa forma estou voltando pra cá realizando meu sonho”. 

disse Jenni Rocha, cantora