Uma noite de nostalgia, energia e celebração do rock nacional. No sábado (14), a Arena White Hall, em Curitiba, foi palco de um encontro especial entre gerações da música brasileira: Leoni, Di Ferrero e Capital Inicial dividiram o palco em uma sequência de shows que reuniu cerca de 7 mil pessoas. Com um clima leve e vibrante, o público se entregou às apresentações, que conectaram diferentes fases e estilos do rock brasileiro. Veja fotos e entrevistas abaixo.

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Foto: Lucas Sarzi/Banda B.

O evento, que teve como destaque a turnê de 25 anos do icônico Acústico MTV do Capital Inicial, também celebrou a renovação artística de Di Ferrero e o lançamento do novo trabalho de Leoni.

A experiência que o público viveu na Arena White Hall foi um verdadeiro festival de gerações, vozes e mensagens, todas unidas por um sentimento em comum: o amor à música. E ao rock.


Leoni e a busca constante pelo novo

Compositor de grandes clássicos da música brasileira, Leoni abriu a noite com um show direto e cheio de personalidade. Além de relembrar sucessos, o artista apresentou faixas do EP Baladas Sortidas, que marcou sua nova fase criativa.

“Eu sou um compositor. Antes de tudo, eu sou um compositor. Então, eu tenho que dar vazão para as músicas que eu componho. Muitos parceiros, então o EP tem parceria com o Frejat, George Israel, Zélia Duncan”

comentou Leoni.

Mesmo com um show mais curto, Leoni incluiu duas canções do novo trabalho. “Se eu ficar tocando a mesma coisa eu encho o saco. Eu tô nisso porque eu gosto de fazer música nova, gosto de compor, gosto de mudar arranjo. Eu tô feliz pra caramba de estar lançando o Baladas Sortidas”.

Veja a entrevista:

Leoni também refletiu sobre a cena atual, dizendo que “tem muita gente fazendo coisa muito legal, mas nem sempre chega nas pessoas. O que chega é o que tá sendo pago pelo agro, por exemplo. Tem muita coisa legal, é uma questão de buscar”.

Sobre os mais de 40 anos de carreira, Leoni encara o futuro com entusiasmo. “O mais legal tá por vir ainda, sabe? Essa banda é muito legal, eu tô sempre aprendendo, criando novos desafios. É uma obra em aberto”.


Di Ferrero: inquietude e recomeço

Na sequência, Di Ferrero mostrou que sua carreira solo está bem consolidada. Ex-vocalista do NX Zero, ele fez um show vibrante, com músicas que marcaram sua trajetória e novas composições do EP 7.

“Faz 8 anos que eu estou com a carreira solo. Foi um recomeço de verdade. Foi muito incrível viver isso como artista, eu estava devendo isso para mim mesmo”

refletiu Di Ferrero.

Di falou ainda sobre a importância de viver sem medo.

“É muito ruim deixar de fazer algo, então não deixe de fazer. Nem que se der certo ou errado depois você vê, mas o importante é seguir”.

Veja a entrevista:

Sobre o novo momento artístico, destacou que o EP 7, lançado em abril deste ano, que vem para preceder novos lançamentos.

“Esse EP é um novo momento. As músicas ali têm uma intensidade nas letras, como as coisas que eu já fiz lá atrás, mas agora é diferente. Eu tô feliz, o EP tá indo muito bem”.

comentou Di Ferrero.

E concluiu com um desejo simples, mas potente: “O que eu almejo de verdade, assim, é mais até fora da música… Eu quero viver mesmo, cara”.


Capital Inicial: o poder da memória afetiva

Encerrando a noite com força total, o Capital Inicial trouxe o show comemorativo de 25 anos do Acústico MTV, disco que marcou época e reposicionou a banda nos anos 2000. A performance foi embalada por um forte elo emocional entre público e banda.

“A turnê começou pelo interior de São Paulo. Quando eu vi como as pessoas reagiam, as pessoas têm um elo emocional com esse disco. Meus olhos ficaram cheios de lágrimas, sabe? Eu também, sabe? Fiquei profundamente emocionado e grato”

compartilhou Dinho Ouro Preto.

A banda, que tem convidado diferentes artistas para cada cidade, fez questão de destacar a importância da renovação.

“O futuro do rock está nas mãos de gente como o Black Pantera, como o Di, como o Yohan…”, disse Dinho, que vê talento nas novas gerações, mas também desafios. “É um oceano de informação. E não tem quem faça uma espécie de seleção… Uma curadoria, como se fosse, sabe?”.

Veja a entrevista:

Além da celebração do passado, Dinho também adiantou o que vem por aí. “Ainda esse ano a gente vai lançar material novo, então fiquem ligados que vai sair um EP do Capital no segundo semestre”.

Com uma vibe calorosa e plural, o show em Curitiba foi mais do que um encontro musical. Foi um retrato da potência do rock brasileiro e da sua capacidade de atravessar o tempo — seja nos acordes de um clássico ou nas letras de um novo EP.