Entre a palavra escrita e a falada, existe um silêncio ensurdecedor para quem compõe. A poesia de João Gilberto Tatára (1946-2020) nasce no alicerce desse âmago. Quantificar suas criações, ou até mesmo, catalogar sua obra é redimir a essência frenética de quem sempre ecoou e fez companhia no silenciar do outro. Assim como a sua primeira publicação, em 1978, Marcas do Presente e do Passado, a própria trajetória de Tatára refletia no título de sua obra.
Em 2021, é celebrado os 60 anos da primeira composição de João Gilberto Tatára. “Teu passado é meu defeito” é o nome da canção sugerido pela sua mãe, a dona Onete. (Foto: Reprodução/Facebook)Segundo o portal dedicado à pesquisa jornalística e cultural de Aramis Milarch (1943-1992) a infância de Tatára foi no bairro Campina do Siqueira. A música sempre esteve em sua essência, sua mãe, Dona Onete cantava e lia partituras. Enquanto, seu pai, João Tatára, tocava bandolim. Aos 15 anos, quando ganhou sem primeiro violão, as composições ganharam letra, e a poesia, voz.
Tatára debutou na música com Teu Passado é Meu Defeito e na poesia com o Poema Para Uma Deusa Morta. Embora tenha sido no bairro Mercês onde boa parte de sua história tenha se perpetuado. Foi na região do Água Verde, onde Tatára consolidou o enredo da sua vida com o Bardo Tatára e seu maior trunfo: a Segunda Autoral.
Segundo o próprio Tatára relatou em um documentário com a produção de Jordana Soletti e Marcelo Nassar, em 1971, aconteceu a mostra Ovolusom, em Curitiba, na Sociedade Thalia, onde participaram grandes nomes da época, o Lápis, Paulo Chaves, Thadeu Wojciechowski, Lucas, entre outros. E foi naquele período onde nascia a Segunda Autoral.
Mas, quando Tatára morou em São Paulo e realizou diversos shows com Joyce, Cláudia Telles, Tavinho Bonfá, Lúcio Alves e vários outros, o artista se tornou referência no cenário da música. Tanto é que, no Rio de Janeiro, chegou a dividir estúdios com Vinicius de Moraes.
Quando voltou para o Paraná, com as economias de São Paulo e Rio de Janeiro adquiriu seu primeiro empreendimento, o bar Zerão. E após uma artimanha dos seus sócios, ficou sem o seu estabelecimento e voltou para a Velha Adega. Mas desta vez, era o dono do espaço, um prédio antigo, na Rua Cruz Machado que pertenceu a família do escritor, Marcel Maciel.
Foram pouco mais de 14 anos na Velha Adega, até o seu famigerado Bardo Tatára se tornar um espaço de notoriedade por todos os artistas e apreciadores da música.
Mesmo a próxima segunda-feira sendo insólita sem o seu mestre para conduzir o Segunda Autoral Online, o respeito pela música e a arte é o maior ensinamento no legado de sua trajetória artística que, em 2021 completa 60 anos, desde a sua primeira composição escrita e falada. Viva Tatára!
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