“A gente quer trazer alegria, consciência e mais amor na vida das pessoas”. É assim que Mariana Aydar e Mestrinho resumem o novo projeto, fruto de uma parceria entre os dois que começou através de Dominguinhos e que nasceu nesta quinta-feira (4): um álbum dedicado ao forró. Mas mais do que simplesmente unir vozes e talentos para dar ainda mais vida ao gênero, os artistas quiseram ir além.

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Foto: Autumn Sonnichsen/Divulgação.

Mesclando canções inéditas e lados B do gênero, o disco “Mariana e Mestrinho” chega com participações especiais de Gilberto Gil, Juliana Linhares e Isabela Moraes.

“Acreditamos num divisor de águas, porque estamos vindo com uma sonoridade moderna, sem perder a essência, mas uma sonoridade de forró que sai um pouco da bolha. Tem o tradicional, mas tem essa coisa de olhar para o futuro, né? De poder chegar ao ouvido de mais pessoas, fazer com que mais pessoas escutem esse gênero maravilhoso, que é o forró. Além de abordar tantos temas importantes para a nossa sociedade atualmente, então acredito que é um álbum que vai conversar muito com o contemporâneo, com o que a gente vive atualmente”

adiantou Mestrinho.

Mariana, por sua vez, reflete que o disco tem como objetivo celebrar o sentimento mais “raiz” que significa o forró, que é a alegria.

“Nossa intenção foi de juntar o lugar de reverência ao forró, aos mestres, com o olhar para o futuro. Eu pessoalmente, dentro da minha discografia, é um disco  muito importante porque é o meu primeiro totalmente voltado ao forró mesmo. É um disco inteiro voltado ao forró. Minha primeira banda foi de forró, eu comecei cantando forró, então me sinto voltando para o aconchego, para um lugar muito gostoso de estar, onde me sinto muito em casa, que é muito familiar e onde eu amo demais. Esse disco traz muito da nossa paixão, do nosso amor ao forró”

comentou Mariana Aydar.

O caminho até o álbum em dupla foi longo. Em 2020 tiveram uma experiência que mostrou a eles que havia química, entraram em estúdio no ano passado e contaram com a ajuda do produtor Tó Brandileone para dar vida ao projeto em dupla. 

Como citou Mestrinho, o objetivo da ideia era modernizar, mas sem perder a essência. E ele disse que isso não foi difícil.

“Para a gente não foi muito difícil, porque a gente já convive com o forró, então trouxemos elementos de fora do forró e percebemos se aquilo iria atingir o alicerce. Não atingindo e somando, criando novas sonoridades, a gente aceita. Foi dessa forma que a gente modernizou”

disse Mestrinho.

Por viverem o forró desde sempre, ambos sabiam quais caminhos poderiam percorrer e até onde poderiam ir. Foi isso que seguiram, como completou Mariana.

“A gente tem muito esse lugar já interno do forró, do que é forró, do que é a alma do forró. Naturalmente é difícil de desvirtuar algo, porque quando está saindo muito de um lugar, a gente percebe. É só colocar uma roupa diferente, esse disco vem com uma roupa mais de gala, tem um lugar chique também. Mas é brincar com elementos, trazer instrumentos que não são muito usados no forró, timbres, mas sem perder a alma que é o que a gente tem muito na cabeça”

disse a cantora.
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Foto: Autumn Sonnichsen/Divulgação.

Unidos por Dominguinhos

Dominguinhos partiu em 2013, mas antes de se despedir do palco da vida deixou a semente no coração de Mariana e Mestrinho, que foram unidos pelo amor do artista. Os dois se encontravam sempre nos corredores do hospital, enquanto visitavam o mestre, e surgiam ali laços profundos – artísticos e afetivos. 

O disco lançado agora nada mais é do que um fruto do que Dominguinhos plantou no coração dos dois. À Banda B, Mariana disse que sentiu muito forte a presença do artista já no começo das gravações.

“Eu senti, principalmente na música do Mestrinho que pra mim foi muito simbólico. É a música do Até o Fim, que o Gil participa, a gente começou com essa música. Foi a primeira. E quando começamos ela, e o Mestrinho começou a tocar, a gente estava muito cru no estúdio, ele foi para a sala e começou a cantar e tocar. Eu comecei a desaguar de chorar na técnica, e o Tor estava emocionado, mas segurou a onda. Quando Mestrinho voltou e ouviu a música, ele começou a chorar igual criança, acho que eu nunca tinha visto Mestrinho chorar daquele jeito, e nós três começamos a chorar. A gente se abraçou e esse foi o começo do disco. Falei ‘já deu certo’. Depois, quando a gente gravou a música com o Gil, eu também me emocionei muito, as pessoas que estavam, essa música tem uma força muito grande. Acho que foi um começo muito simbólico”

lembrou Mariana.

Forró e conscientização

O repertório do projeto reverencia os clássicos do forró, mas também conta com canções inéditas. A busca por esse equilíbrio entre o histórico e o novo mostrou aos artistas que eles precisavam também falar de algo necessário: a amplificação de um discurso feminino no forró, um ambiente predominantemente machista.

“A mulher no forró sempre teve um lugar da florzinha, da que embeleza o baile, a que sobe a saia, que está curta demais, abaixa, a do cara que vai matar se mexerem nela. A gente não pode ter os nossos desejos, a gente não pode pensar, não pode estar com a roupa curta se não é tudo culpa nossa, é sempre na nossa conta. E o homem sempre ali em primeiro lugar, protagonizando tudo, sendo dono de tudo e de todos e olhando a mulher como objeto. Não, chega, não queremos mais isso, não queremos mais cantar isso, não queremos mais viver isso”

comentou Mariana Aydar.

Apesar disso, a dupla não queria tratar de nenhum assunto com ar carrancudo, com arrogância, inclusive porque o forró é totalmente oposto a isso. Foi aí que encontraram na naturalidade e na espontaneidade um caminho.

“Passamos por um momento onde as pessoas estão se conscientizando. Nós, enquanto artistas, a nossa voz é a música, é a arte. Com esse lugar da leveza, você alcança as pessoas de outro jeito, às vezes você panfletando, falando, brigando, as pessoas se armam e não escutam o que a gente quer falar. Mas quando você vem de um jeito mais leve, brincando, entra na cabeça da pessoa. O forró é um lugar onde existem muitas músicas machistas, que estavam contextualizadas dentro de uma época, de um pensamento, a gente não está culpabilizando ninguém, nenhum daqueles compositores, não é nada disso. Mas enquanto cidadãos desse tempo, que estamos vendo e fazendo as mudanças, é nossa obrigação também ser um porta-voz, fazer a crônica do nosso tempo. A importância é isso, as pessoas ouvirem músicas que tenham a ver com as coisas que estamos constantemente aprendendo e que muitas vezes não é confortável. A gente sair de uma zona de conforto é difícil, só que é necessário”

disse Mariana.
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Foto: Autumn Sonnichsen/Divulgação.

Mestrinho concordou e explicou que o propósito é trazer mais consciência às pessoas, mas de uma forma leve e divertida. 

“A gente quer que seja igualitário, que o mundo se cure de todas as feridas que foram abertas há muito tempo. Nossa voz é através da música e como o forró é aberto para isso, você consegue falar de temas tão importantes de forma divertida e forma leve, porque o forró é animado e junta pessoas, a gente de cara juntou uma coisa à outra: o forró a temas importantes. A gente absorveu toda a alegria que o forró traz, com tantas canções maravilhosas falando de amor e tantas coisas boas também, de cunho político também, para abordar temas atuais com toda a nossa influência desse forró alegre e maravilhoso” 

comentou Mestrinho.

Amor acima de tudo

Assim como foi em “Cheguei Pra Ficar”, primeiro single lançado, todas as faixas ganharam um vídeo com muita dança. Eles estão disponíveis nas páginas oficiais do Youtube de Mariana Aydar e Mestrinho.

O próximo passo é uma turnê: a dupla já está ensaiando para estrear uma tour do novo projeto, com shows marcados em São Paulo e Rio. 

“Mas já estamos falando com muitas pessoas, inclusive Curitiba também está na nossa rota de conversas. Pretendemos viajar bastante com o show para vários lugares. O show está muito bonito, estamos ensaiando com uma banda maravilhosa, um cenário lindo, figurino, luz, tudo bonito. Queremos chegar com uma turnê bem consistente”

adiantou Mariana Aydar.

A mensagem que o disco quer passar, segundo os artistas, é de energia, alegria, consciência e mais amor.

“Saber que o forró pode proporcionar em termos de música, de alegria, de emoção, de dança, que é muito poderoso. Você se sente vivo com o forró. E é isso que a gente quer poder mostrar com toda clareza, que as pessoas têm um lugar para recorrer diante de todas as coisas ruins que a gente vive”

refletiu Mestrinho.

“Música, independente de qual gênero a gente faça, é amor. A gente tem muito amor e quer passar muito amor às pessoas. No forró tem esse lugar da energia. Outro dia Elba Ramalho me falou uma coisa muito linda, que é que ‘o forró me energiza, e eu energizo o forró’, e eu ainda colocaria que a gente energiza as pessoas com tudo isso. O forró tem esse lugar da energia, de você colocar e ficar melhor, levantar. Quando a gente dança forró, tudo muda, então eu acho que é isso, amor e energia”

concluiu Mariana.
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Foto: Autumn Sonnichsen/Divulgação.

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Unidos por Dominguinhos, Mariana Aydar e Mestrinho lançam disco de forró para trazer ‘alegria, consciência e mais amor’

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