Se na capital, o discurso do cover e música própria é a dialética no cenário musical, no Bar do Tatára, o Segunda Autoral é um patrimônio na boêmia da arte curitibana. É lei, toda segunda-feira, para encontrar a cena artística curitibana é só chegar no Água Verde, na Avenida dos Estados, 810.

Com organização e produção de Beto Pacheco, Alexandre Trauer, Rodolpho Grani, Raissa Fayet e Cassiano Ribeiro, o “Segunda Autoral Online” acontece no Instagram, a partir das 20h30, no perfil do Tatára, quem também responde pela curadoria. (Foto: Reprodução/Instagram)

Em 11 anos, desde o início do projeto em 2009, João Gilberto Tatára já possibilitou a estreia de diversos nomes da música. Mas, segundo o próprio artista e empresário da noite, o embrião do Segunda Autoral foi na década de 1970 como ele revelou no documentário sobre o projeto, disponibilizado no YouTube e com a produção de Jordana Soletti e Marcelo Nassar.

Isso nasceu em 1971, em junho, na Sociedade Thalia, com uma mostra do que se produzia na época em Curitiba, chamado “Ovolusom (…) e participaram grandes compositores da época lá, o Lápis, Paulo Chaves, Thadeu Wojciechowski, Lucas, uma série. Então, isso começa lá atrás, conta Tatára no documentário “Segunda Autoral”.

A primeira edição começou despretensiosa, após uma sugestão do músico e maestro Romano Nunes, o Cabelo (1950-2015)parceiro musical do Tatára.  Após acatar a ideia, logo na semana seguinte, Tatará reuniu alguns compositores em volta da mesa, serviu uma sopa, o violão passava de mão em mão, e assim, nasceu o Segunda Autoral.

Com o passar das semanas, o número de seguidores foi aumentando, a sala onde eles se reuniam, já não suportava o número do público. Em um mês, 100 compositores já integravam o reduto musical idealizado por Tatára.

Entre artistas internacionais e de outras regiões do país, o sucesso do Segunda Autoral é imensurável, tanto é que, das reuniões musicais, o projeto se tornou uma grande produção, com apresentações no Guairinha, nas Ruínas, na Biblioteca Pública e diversos espaços da cidade.

E como uma tradição desta magnitude não pode ser rompida – com as medidas adotadas para evitar o contágio pândemico – com organização e produção de Beto Pacheco, Alexandre Trauer, Rodolpho Grani, Raissa Fayet e Cassiano Ribeiro e a curadoria do Tatára, o Segunda Autoral Online foi a solução criada para o show continuar.

“Com a pandemia, criou-se a ideia de levar a segunda autoral para uma live. Conversando com algumas pessoas que frequentam o bar, juntamente com Cleusa [esposa do Tátara] e Alexandre Trauer [sobrinho do Tátara]. A partir daí, criamos um grupo no whatsapp com mais de 70 artistas e um outro, com a equipe para poder desenvolver as ações online”, conta via whastapp o jornalista, Beto Pacheco.

Mensurar o número de artistas que já participaram da Segunda Autoral é tão desumano quanto tentar desvendar quantas composições já foram feitas pelo Tatára. Mas, com a edição online, além de facilitar essa equação musical, a dinâmica sobre a participação dos artistas não foge tanto da versão original.

“Nós montamos uma lista prévia, entramos em contato com os artistas ao longo da semana, com prioridade aos músicos que já frequentam o Segunda Autoral. Gradativamente estamos abrindo para novos artistas, assim como no bar. Por live, tem participado 12 artistas e cada um apresenta uma música. Fazemos uma hora de transmissão via Instagram, com uma pausa e voltamos na sequência com mais uma hora de apresentações”, explica Beto Pacheco.

Com início a partir das 20h30, a terceira edição do Segunda Autoral Online é realizado pelo perfil do Tatára no Instagram.