Sobreposto ao deleite do desalento, Súplica é o prelúdio para o lançamento de Carta de Achamento, o segundo álbum de estúdio de Matheus Godoy, com lançamento em formato digital, nesta sexta-feira (16). A neo-psicodelia do single divulgado para promover o novo projeto vai sem pestanejar da bossa ao samba. E claro, filho pródigo do rock e folk, o artista exalta com as novas nuances em sua trajetória o frescor de sua fase moldada pôr influências da música brasileira de 1960 e início da década passada.

No autorretrato, o cantor, compositor e produtor musical, Matheus Godoy conversou por telefone com o Música é o Canal e revelou como foi o processo de produção de “Súplica” e contou algumas novidades de “Carta de Achamento“, o novo álbum do artista.

Há quase dez anos, em plena balbúrdia fervorosa da cena curitibana, logo após uma transição de artistas, bares e casa de shows, resplandecia pelos cantos undergrounds da capital, vários nomes que despontaram à boêmia daquele momento; entre eles, o duo, Os Irmãos Carrilho, na época, formado por Alexandre Provensi e Matheus Godoy. Impecavelmente, sempre bem trajados, eles tinham a música folclórica tradicional americana como mote em seu conceito estético e sonoro.

(Foto/Reprodução: Marcela Belz/Facebook)

Até que, em 2014, durante a 32ª Oficina de Música de Curitiba, eles se encontraram no Estúdio Gramofone com Marcelo Cabral compositor, produtor musical e jornalista responsável pela produção e direção de álbuns icônicos da discografia brasileira – e realizam a música Ela Quer Te Ver divulgada em vídeo com registro de Vinicius Antunes, mix assinada por Fed Teixeira, engenharia de som com Valderval O. Filho. E assim, iniciou um flerte fatal com a sonoridade do tupiniquim.

Sem deixar a identidade musical a tiracolo, e agregando outras possibilidades, além de Ela Quer Te Ver, entre registros e divulgações pelas redes, Os Irmão Carrilho lançaram pelas plataformas um único single, Linda Noite (2019). E no SoundCloud, constam ainda os singles, No Tempo Que Passou e Vida, Vida, Vida.

Carreira solo

Paralelamente, em 2016 – em uma período onde ainda se vislumbrava o download gratuitoMatheus Godoy lança seu primeiro álbum homônimo que, foi destaque em diversas listas. Com 10 faixas, ele deixa explícita a sua devoção pela música caipira, rock e o folk norte-americano e do leste europeu.

Com produção musical sob o cuidado de Leonardo Montenegro, o álbum conta com participações especiais, entre elas, Giovanni Caruso, Yan Lemos e Yuri Lemos, e ainda, a gravação recebeu grandes nomes da música: Ivan Rodrigues (bateria), Marcelo Liberato de Souza (bateria, percussão e voz), Renato Rigon (baixo), Leandro Lopes (gaitas), Toshiro San (contrabaixo), Sérgio Monteiro Freire (sax alto, tenor e barítono), Marcelo Oliveira (flauta e clarinete), Marcos Vicenssuto (oboé), Evilnei Moura (fagote), Alexandre Razera (viola e violino), Romildo Weingartner (violoncelo) e Fabio Jardim (trompa). A arte da capa é de Gregório Soares.

E após o hiato de cinco anos, Matheus Godoy lança o clipe e single de Súplica, música responsável por revelar uma nova era na trajetória musical do artista.

Com referências do samba e bossa nova, o artista reluz e faz da sua cadência uma releitura pontual, onde ele insere em forma poética sua neo-psicodelia envolta às suas raízes musicais.

A capa assinada pelo próprio artista, também ganhou um videoclipe esplêndido, onde Matheus Godoy realizou mais de 150 fotos e registrou em stop motion a animação audiovisual. “O videoclipe foi bem improvisado. Eu fiz tudo sozinho, foi bem divertido“, relembra.

(Arte: Matheus Godoy/Divulgação)

“Faz tempo que eu queria fazer algo sozinho. Eu compus [Súplica] um pouco antes da pandemia. E tinha essa vontade de ressaltar contrastes de timbre e ter um fio condutor que juntasse às canções. Fui testando e achando“, desvenda o artista, em entrevista exclusiva, por telefone, ao Música é o Canal, com assessoria de imprensa realizada pelo escritório, Da Lira Cultural.

Súplica, é uma letra leve para tempos caóticos e sem o intuito de pregar ou promover rechaços diante do pandemônio. Ao contrário. Assim como o nome da própria canção, a composição vem em forma de oração.

a vida lá no alto não é fácil
a vida aqui embaixo é de doer
nunca vai passar o que eu passo
mesmo assim pode me atender
quero deixar essa lua
com algum peso pra trás
deixo o pedido e o desgosto
de quem já não tem mais paz

Trecho de “Súplica”, composição e letra de Matheus Godoy.

A música lançada em single, também é a faixa abre-alas do álbum “Carta de Achamento” que será lançado nesta sexta-feira (16), em formato digital. Matheus Godoy contou que todas as nove canções do projeto foram gravadas em sua casa ao longo da pandemia e com a mix e master de Leonardo Gumiero, à distância.

Gumiero é incrível, adoro todos os trabalhos dele. Ele deu um toque final de maneira mais polida. Ele ‘sacou’ bastante“, instiga Matheus.

Carta de Achamento” chega repleto de distorções e com a leveza poética onírica entre o nome do álbum e a vivência do artista que se redescobre e permite encarar outras perspectivas completamente distintas em relação ao seu début.

Sobre o nome do disco, a princípio é uma brincadeira com algumas sugestões das letras, no sentido mais subjetivo de descobertas e experiências próprias, e da estética da capa, que faz uma colagem com gravuras antigas que remetem a mapas e cartas náuticas. Busquei uma referência mais ‘brasileira’ nesse título curioso da carta do (Pero Vaz de) Caminha“, explica Matheus, via assessoria de imprensa.

Confira abaixo a tracklist do álbum:

Carta de Achamento

01. Súplica

02. Trinta Réis

03. Terra Vermelha

04. Bendegó

05. O Tempo Não Foi Bom

06. João, Pescador

07. Nossa Casa

08. Tua Sombra

09. Finados

(Foto/Divulgação: Autorretrato)

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Matheus Godoy e a ‘Súplica’ que antecede ‘Carta de Achamento’

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