Está aí um novo filme criado a partir da poesia de Renato Russo, na interessante linha conduzida pela produtora Bianca de Felippes (de “Faroeste Caboclo”). O líder do Legião Urbana gostava de contar histórias nas suas músicas. “Eduardo e Mônica” é uma suave crônica amorosa de um tempo que, agora percebemos, já sumiu na poeira. Renato simboliza a conquista de liberdades comportamentais nos anos 80 – e não há como voltar a esse período sem perguntar onde elas foram parar.

Claro que não estamos falando desse novo moralismo envernizado pelo politicamente correto – que talvez suscitasse questionamentos do tipo “por que Eduardo e Mônica e não Mônica e Eduardo?”, ou implicasse com o fato de um compositor que era gay ter tematizado um casal hétero. Estamos falando, sim, de um novo moralismo – mas de tipo bem mais dissimulado, insidioso e preocupante.

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