Foram quatro anos de produção. Quatro singles e clipes pré-produzidos. E uma pandemia mundial que mudou completamente o curso para a estreia do álbum de Leandro Ferraz. Mas, o lançamento de “Algumas Certezas” (SeloCamarada/2022), já possui mais de 100 mil players entre o Spotify e o YouTube. 

Com dez faixas, “Algumas Certezas” traz a produção de Leandro Ferraz e a coprodução de Alexandre Fontanetti e Felipe Câmara que colecionam diversos Grammy ao longo das décadas. 

Da nova MPB ao indie, o álbum de estreia de Leandro Ferraz vai de encontro ao seu próprio universo, com letras poéticas, diversas texturas, construções melódicas e harmônicas marcadas pelo timbre único do artista. 

Consolidado por referências bossanovistas e com um tom melancólico guiado pelo lo-fi, entre o soft pop e nuances do rock psicodélico, a produção musical do álbum é um primor. Principalmente por se tratar de um álbum de estreia, onde Leandro assina todas as composições. E, a partir dos clipes, acentua o conceito contemporâneo do seu projeto. Segundo ele, quando começou a produção de “Algumas Certezas“, ao todo eram 25 canções. 

Para o álbum, dez faixas, quase autobiográficas. Desde de um e-mail que, por intermédio eletrônico não foi enviado e gerou outras perspectivas; outros encontros e desencontros; críticas ao mundo digital; reconexões; e claro, pitadas de amor. 

Além do vídeo inédito divulgado por Leandro Ferraz, nesta sexta-feira (24), em seu canal do YouTube e compartilhado pelo seu Instagram e TikTok, o multiartista fez um faixa-a-faixa exclusivo para o Música é o Canal. Confira: 

Faixa-a-faixa por Leandro Ferraz

Laranja 

Durante um rolê de verão no parque, eu fotografava e flagrei diversos flertes, carícias e aquele calor emoldurado por um céu completamente laranja. Ao longo do pôr-do-sol, entre o suor de tantos corpos plurais, eu me derreti ao calor daquelas paixões.

Coração

Mais um episódio da série encontros e desencontros pela sua DM, onde um não está na mesma página que o outro, mas parece ler do mesmo livro. Falo de um amor que é preciso coragem para se perceber e ouvir do próprio coração.

Pra não dizer que não falei daquele amor

Quando se dá tudo e tira os pés do chão, se percebe em um espaço distante, e  quando esse espaço acaba, quase como uma chuva que encharca um terreno mal sustentado, ele desaba. Não se explica, apenas desaba. Eu precisava falar dessa queda.

Certeza do Amanhã

Desafiar a insegurança e perceber as sutilezas são sínteses que reforçam o anseio. Quem vai, deixa algo para trás e ainda assim, convence o medo que pode ser melhor.

Tela Viva

É uma crítica social ao mundo megalomaníaco conectado por projeções que nos sufocam. Da era do cancelamento à cultura dos ‘likes’, onde a tela viva observa estaticamente o seu próprio programador. 

Pixels

O desafio da pandemia e a forma de rever o mundo e as relações sobre uma distopia pixelada em metro quadrado, digital, conturbado, distorcido, isolado, aterrorizado.

Sonho

Autoconhecimento leva tempo. “Sonho” é uma canção que resenha minha juventude adulta e da minha infância, da rotina até aqui. Talvez a de tantos outros, e a forma mais natural de se sentir em boa parte do tempo, ora vazio, ora transbordando, mas sempre com sonho no motor.

550

Um e-mail que nunca chegou, talvez o destino da não entrega, onde era preciso se encerrar. Error 550 por um e-mail não encontrado. Talvez por erro meu, agora na digitação do @ destino. No entanto, de algo que era para ser errado. No sentido errante da palavra erro, vagando sem destino, esperando encontrar algum novo sentido.

Sol de Janeiro

Sol de janeiro sozinho não faz sentido. Um ano muito difícil, de muito medo, de um mundo de cabeças pro ar, um janeiro que normalmente tem a cor mais quente dos nossos meses, o mês da renovação estava em cheque. Fiz essa canção com dor, mas com acordes mirados na esperança.

Entre nós

Os relacionamentos são complexos, essa canção fala de um amor sinuoso, que caminha paralelo. Como duas forças, dois rios que movem suas vidas de formas naturais, e acabam desaguando em um mesmo mar. Escolher sempre é perder, mas também é ganhar. É preciso coragem para mergulhar nos sinais.

Créditos | Fotos: Casa de Ferreiro o Espeto é Ferraz