Ele demorou para se lançar em carreira solo, mas talvez levou tempo suficiente. Junior experimentou tudo que teve vontade na música: do rock ao eletrônico, do experimental ao MPB, e entendeu que seu destino estava em sua origem: o pop. Mas sem perder nenhuma dessas essências que foi adquirindo em seus 35 anos de estrada. 

É nessa pegada que o cantor chega, nesta quinta-feira (23), com a segunda parte de seu “salto” para a carreira individual: Solo – Volume 2 vem para fechar o disco que, sete meses atrás, devolveu Junior ao lugar que sempre foi dele: o trono de um verdadeiro ídolo pop nacional. 

Se a primeira parte do disco veio com uma pegada extremamente pop e dançante, diferente do que Junior já tinha feito até então, a segunda parte também chega para surpreender.

Solo Volume 2 entrega ao público – que já o adora e também aos que ainda não o conhecem – experiências de um artista que aprendeu a ser o que tiver vontade: pop, rock, soul e o que mais o coração musical mandar. 

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Foto: Reprodução.

Em coletiva de imprensa, Junior contou que a segunda parte teve exatamente esse interesse: mostrar um pouco mais das facetas que ele possui. E são muitas.

“Acho que talvez o principal seja de me permitir deixar as outras influências falarem alto de sonoridade e coisas assim. Tem um momento que fica mais rock n roll, tem momentos que fica mais “cabeçudo”, de cair nuns papos cabeça, tem instrumentais, acho que esse Volume 2 ajuda a completar, a revelar um pouco mais sobre mim, sobre o meu trabalho, sobre quem eu sou hoje em dia como artista. Ele amplifica mais o Volume 1, vai para novos ares e ajuda a trazer novas camadas ali”. 

Junior contou que estava ansioso para este lançamento, porque a segunda parte do disco amplia o primeiro trabalho e ele achou que seria interessante dividir em dois momentos até para ser mais compreendido como artista. 

As músicas foram planejadas de diferentes formas, mas começaram com o jeito que Junior aprendeu: sozinho. Depois, vieram reforços, e se somaram ao talento que o artista sempre demonstrou ter, desde pequeno.

“Teve um período que estava muito sozinho para poder entender e desvendar qual seria  a sonoridade desse disco, qual é a personalidade desse artista pop que eu estou me propondo a trazer. Depois de alguns meses e quase 20 músicas eu comecei a procurar parceiros, fiz algumas com o Thalles Horovitz, fiz outras com o Dani Black, e chegou a hora que pensei que queria amplificar ainda mais. Fiz camp de composição, com compositores muito legais, ficamos cinco dias inteiros compondo sem parar. Cheguei a um volume gigantesco de músicas, das quais eu consegui tirar essas todas que vieram para o Volume 1 e Volume 2”. 

Ao ouvir o disco, tanto a primeira parte como também a segunda, não fica difícil entender quais foram as influências musicais que o trouxeram até aqui e formaram Junior como artista. Mas ele reforça que nem sempre isso é algo objetivo na música, muitas vezes entra subjetivamente.

“Em cada música eu posso citar meia dúzia. Mas tem algumas que eu sinto que são influências da minha vida que inevitavelmente aparecem, que são os heróis que me visitam quando estou criando que é Michael, Queen, Led Zeppelin, Lenny Kravitz. Do Brasil Lenine, Gil, Caetano, Gadú, Cássia Eller, Nando Reis. Eu acho que são, às vezes, influências que não são diretas, mas é um espírito, uma sensação que quero trazer em uma música, um tipo de pulsação, a maneira que aquela música faz dançar, às vezes só a sonoridade, não é necessariamente uma música ou um groove específico”. 

Lugar de compreensão

Uma das novas canções, Fora da Caixa, é um desabafo que aborda a sensação de não pertencimento. Crescido em meio aos holofotes e aos constantes e inúmeros dedos apontados para ele, Junior disse que agora podemos dizer que ele realmente encontrou um caminho que lhe pertence.

“Sim. Eu acho que sim, nesse sentido, sim. Mas na música o sentido vai nessa necessidade de adaptação de uma pessoa que veio de uma construção de uma época que tudo era analógico e de repente tudo foi ficando digital. A vida pública de um artista é completamente diferente hoje em dia do que era na época de Sandy e Junior, então exige uma adaptação muito grande. E essa coisa de a gente estar o tempo todo com o aparelho, com um computador, uma tela ao nosso alcance, se não estamos até doentes se não tivermos aquilo. Isso me incomoda, eu também sinto isso, também sou uma pessoa digitalizada, mas ao mesmo tempo eu sei o valor de estar presente no momento de não ter o telefone. Sou eu sendo um pouco ranzinza sobre os tempos modernos”. 

Participação de Gloria Groove 

Se tem uma coisa que Junior aprendeu ao longo destas mais de três décadas na música é a ser plural, a transitar pelos mais diferentes estilos musicais e agregar. 

Não à toa, o cantor resolveu fazer um crossover do rock com as pistas na música Fome, que tem a participação de Gloria Groove. A cantora foi a única convidada para um feat neste disco solo.

“A escolha foi a partir da música. A gente fez no camp de composição. Ela já tinha um arranjo parecido com o que virou, o clima já era meio esse. E aí eu sempre senti que tinha muito a ver com ela, eu acompanho o trabalho dela e sempre estive atento ao talento dela que canta muito, compõe, escreve, também tem uma parada muito plural da maneira de fazer música. Ela também é bastante eclética no estilo e tudo mais. Rola essa identificação. A gente se encontrou num trabalho, nos bastidores de um programa de televisão, e eu fiz o convite pessoalmente. Mandei a música, ela adorou e aí foi questão de arrumar uma data compatível da minha agenda e da dela para a gente se juntar no estúdio e finalizar a música”. 

Música como mensagem

Junior vem de uma escola artística onde as letras e os arranjos musicais falavam por si só. Ao juntar as duas partes do disco, isso fica muito evidente. Mesmo nas músicas mais dançantes, a letra conversa com quem ouve e traz uma mensagem.

No primeiro disco, entre outros exemplos, o cantor trouxe uma canção chamada Foda-se, que nada mais era do que um “grito” sobre tudo que viveu. A segunda parte vem carregada de possíveis mensagens, entre elas Dá Pra Ser Leve, que por si só já é um recado.

A música, como contou Junior, foi feita para contar sobre o momento de superação de um período difícil que viveu no casamento, nos tempos de pandemia. Ele, que não costuma expor muito a vida pessoal, resolveu abrir por acreditar na mensagem que poderia entregar.

“Eu quis trazer isso na música porque eu acho que é uma coisa que foi tão importante para a gente, de olhar e entender que dava para ser muito mais leve do que estava sendo, que bastava a gente se esforçar para isso e entender o que estava acontecendo. Descontar os problemas nos problemas em si e não na nossa relação. Achei que deveria ser interessante botar isso para o mundo e falar disso, porque acho que outras pessoas podem precisar ouvir isso também”.

E a turnê, vem aí?

Com os discos lançados, é inevitável a cobrança, não só dos fãs, como também da mídia: quando Junior cai na estrada com o novo disco

De imediato, o cantor contou que a construção do projeto o fez ter ainda mais vontade dos shows. Inclusive porque, ao produzir as músicas, percebeu o quanto poderiam dar certo ao vivo, num palco.

“Não vou mentir, foi um pouco sim. Eu gosto muito de fazer show, gosto dessa energia para o show, que essas músicas têm. Então eu não fazia única e exclusivamente pensando nisso, mas tinha um lado meu que pensava ‘massa’. Como estou com muita saudade de fazer show, em muitos momentos eu me imaginei, então esse sentimento aconteceu algumas vezes, não só da minha parte, da galera que estava trabalhando também. Quando se gosta, como minha turma gosta de fazer show e tudo mais, você fica com esse pensamentozinho habitando e preparando o material para poder viver aquilo de novo”. 

Sobre turnê, Junior tranquiliza os fãs de que realmente vem aí. Mas não abriu datas, embora tenha contado que está ansioso por este momento.

“A ideia é segundo semestre, não sei ainda, não posso dar certeza. Dá uma certa ansiedade, mas o show, o palco, é o lugar onde eu mais me sinto em casa, onde eu mais me liberto, então ao mesmo tempo estou mais é ansioso para fazer logo do que pelo olhar de fora. Estou mais é afim de me divertir com a galera, porque, assim como eu estou com saudade de me ver no palco, eu sei que tenho um público que tem essa carência e quer estar lá comigo. A ansiedade maior é de querer logo”. 

Se, no primeiro volume do disco, a música que devolveu Junior ao pop dizia: “de volta pra casa”, o que podemos dizer é que ele realmente encontrou seu endereço. E não deve abrir mão disso.

Junior – Solo – Volume 2 – faixas:

11 – Seus Planos
12 – Cena de Filme (Junior e Thalles Horovit)
13 – Da pra ser leve (Tuyo)
14 – Soul e Suor (camp criativo com Junior, Thalles Horovit, Gavi, Bibi, Aguida e Mayra
Arduini)
Interlúdio
16 – Tabu (Mayra Arduini, Bibi, Lucas Vaz)
17 – Fome (Junior e Gloria Groove)
18 – Salve-se quem puder (Junior)
19 – Fora da Caixa (Junior e Thalles Horovit)
20 – Armadilha (Junior)
Interlúdio
22 – Abstinência (Junior)
23 – Será que vai ser sempre assim? (Junior).

Junior coletiva volume 2 – foto 7
Foto: Reprodução.

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Junior lança segunda parte de disco solo e revela: ‘Novos ares e ajuda a trazer novas camadas’; veja entrevista

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