Estar há 40 anos na estrada e ainda assim conseguir não só se reinventar como também renovar o público é um feito que poucos conseguem. Estamos falando de Capital Inicial, que estreou no Teatro Guaíra esgotando dois dias de shows em Curitiba neste final de semana. Para quem acha que a banda está desacelerando, se engana. Veja o vídeo da entrevista abaixo.

Foto: Lucas Sarzi/Banda B.

O último disco do Capital Inicial foi lançado em 2022, celebrando os 40 anos do grupo. O projeto, que ganhou o nome de Capital Inicial 4.0, conseguiu reunir três gerações diferentes num só álbum. 

À Banda B, na sexta-feira (14), Dinho Ouro Preto, o vocalista da banda, disse que essa mistura de gerações tem sido exatamente a ideia do Capital Inicial nos últimos anos.

“A gente vem tentando parcerias com diferentes artistas já a alguns discos do Capital. Isso começou com Cone Crew, uma banda de hip hop do Rio, num álbum do Capital chamado A Revolução, que tivemos inclusive o Thiago Castanho. No ano seguinte, tivemos um acústico em Nova York, e aí chamamos Seu Jorge e Lenine. No disco seguinte procuramos novos artistas, procuramos o Lucas do Fresno para produzir, ele também participou da composição de algumas faixas”. 

avaliou Dinho Ouro Preto

Dinho disse que a banda sempre buscou misturar artistas mais novos, alguns até que estejam sendo descobertos agora, com gente já consagrada. 

“Para esse projeto agora, procuramos reunir gerações, como era uma celebração mais extensa. Tem Marina Senna, a Ana Gabriela, ao Carlinhos Brown e a Pitty. O show do Capital hoje você percebe isso na plateia, como o Capital se tornou veterano e apela a diferentes idades. Nas plataformas a gente também percebe isso. O grupo principal, majoritário, é entre 25 e 35, mas pegamos gente mais jovem e mais velha também. Procuramos abraçar isso nesse projeto”. 

detalhou Dinho Ouro Preto

Renovação de público

Ver o Capital Inicial no palco é um claro exemplo do que Dinho Ouro Preto comentou em entrevista à Banda B. Os dois dias de shows em Curitiba reuniram pessoas de todas as idades e não é difícil ver até crianças em meio ao público. 

No Brasil, poucos conseguem fazer o que bandas internacionais, como Guns N’ Roses e Bon Jovi fazem, que é unir públicos. O vocalista do Capital Inicial disse que, nestes 40 anos de história, isso é o que mais surpreende na banda.

“Me sinto realizado. Acho que foi uma das coisas que o Capital sempre procurou fazer. Embora possa parecer uma contradição, porque estamos celebrando os 40 anos, fazendo retrospectiva, mas o que caracteriza o Capital foi sempre estar olhando para o futuro, sempre pensando no projeto seguinte. A gente já está pensando em 2024, por exemplo”. 

disse Dinho Ouro Preto

Dinho relembra que a banda chegou a se separar por um curto período, nos anos 90, e se reuniu novamente em 98. De lá pra cá, a cada dois anos lançam um projeto novo, o que também ajuda a trazer mais energia ao grupo.

“O Capital não procurou evitar se pautar pela nostalgia, o que é difícil. Me pergunto também como é possível conseguirmos isso, mas a gente vê isso nas plateias e a explicação que eu tenho é essa, de estarmos sempre olhando para o futuro com projetos novos, porque isso mantém você revitalizado, revigorado. Eu também sou fã de artistas e é natural olhar os veteranos e como eles se comportam. Vejo Caetano, vejo Gil, vejo Paul, vejo Rita e os artistas nunca descem do palco, estão sempre produzindo. O Ney Matogrosso está sempre se reinventando, por exemplo, parabéns pra ele, porque eu quero também me tornar um veterano desse jeito também”.

comentou Dinho Ouro Preto

Veja como foi o show e a entrevista completa com Dinho Ouro Preto:

Ruptura marcou

Ao longo destas quatro décadas, muita coisa aconteceu que fez com que o Capital Inicial ficasse cada vez mais forte, marcando realmente uma época e unindo gerações. Mas na avaliação de Dinho Ouro Preto, a ruptura do grupo e o retorno foram determinantes.

“Quando o Capital se junta novamente em 98 e escrevemos um segundo capítulo da nossa história. É como se o Capital tivesse dois capítulos, um dos anos 80 que tem uma pausa, embora o Capital continue com outro cara cantando, mas quando a gente se reúne a gente reescreve outra história do Capital”. 

contou Dinho Ouro Preto

Na percepção do vocalista da banda, o tempo afastados e o reencontro foram pontos importantes, pois foi possível refrigerar as ideias e fizeram com que  o grupo passasse a enxergar as coisas de forma diferente.

“Acho que essa reunião foi muito determinante, um momento muito auspicioso, que nos abriu muitas portas inesperadas, criativamente e artisticamente, e o Capital tomou uma dimensão inédita a partir dali. Foi o momento que nos encontramos na esquina da Oscar Freire com a Consolação em São Paulo, num bar. Esse o momento é a ser lembrado”.

avaliou Dinho Ouro Preto

Disco novo e o que mais?

Pode haver quem pense que, com todo esse tempo de história, a ideia seja pisar no freio. Mas não com o Capital Inicial. Como Dinho adiantou, a banda já pensa no que virá para o ano que vem e se depender do grupo, vem muita coisa.

“Disco novo virá em algum momento de 2024. Espero que no primeiro semestre. Gostaria de fazer um livro de fotografias, que ilustrasse as nossas aventuras ao longo do país e pelo exterior ao longo dos anos. Também gostaria que viéssemos a fazer um documentário. Esses são os projetos que estão na gaveta e devem sair da gaveta em 2024”. 

concluiu Dinho Ouro Preto
Foto: Lucas Sarzi/Banda B.

Voltam em dezembro

O Capital Inicial, inclusive, foi a primeira banda confirmada na próxima edição do Prime Rock Brasil Curitiba. O festival está programado para o dia 9 de dezembro, na Pedreira Paulo Leminski, e deve reunir outros nomes conhecidos que marcaram o rock nacional dos anos 80 e 90.

“Capital inicial e o Dinho são embaixadores do festival. Eles representam o Prime Rock. E eu faço questão que estejam sempre. Estiveram em todas as edições. É uma banda que transcende gerações e emociona gerações”.

comentou Mac Lovio Solek, organizador do festival

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