A Carne de Onça, prato típico da culinária curitibana, ganhou, nesta terça-feira (20), o reconhecimento de Indicação Geográfica de Curitiba do INPI  (Instituto Nacional da Propriedade Industrial). A resolução foi publicada na Revista da Propriedade Industrial.

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Foto: Divulgação.

Segundo Sérgio Medeiros, presidente da Associação dos Amigos da Onça, que entrou com o processo junto ao INPI para obtenção da IG, a Indicação Geográfica vai além de um selo: é uma ferramenta estratégica que valoriza territórios, fortalece identidades culturais e impulsiona transformações econômicas. 

“Ninguém cria uma IG. Ela já existe. No caso da carne de onça, desde os anos 40. A conquista da IG garante proteção ao esforço coletivo e a nossa cultura, sim a onça é nossa! Viva a onça! Viva Curitiba!”

comemora Sérgio Medeiros.

Desde 2014, o Festival de Carne de Onça, organizado pela Curitiba Honesta, celebra o prato em diversos bares da capital, movimentando o turismo e valorizando a produção local. Em 2016, o prato foi oficialmente declarado Patrimônio Cultural Imaterial de Curitiba, reforçando sua importância na identidade gastronômica da cidade.

Atualmente, mais de 200 restaurantes curitibanos, conforme a Associação Amigos da Onça (AAONÇA), oferecem a carne de onça no cardápio. A ação do Sebrae/PR em parceria com a Associação começou em janeiro de 2023, seguindo o protocolo e a metodologia do INPI.

A consultora do Sebrae-PR, Márcia Giubertoni, destacou o envolvimento dos empresários na busca pela Indicação Geográfica da Carne de Onça de Curitiba. Ela enfatizou ainda o trabalho realizado pelo Sebrae-PR junto aos empresários, abordando aspectos como associativismo, liderança, além da caracterização histórica e da organização de documentação para a proteção do produto.

“Esse é o resultado de esforço coletivo entre todos os envolvidos desse processo, que foi rápido. Em menos de dois anos o pedido foi protocolado e reconhecido pelo INPI por conta de toda a sua notoriedade. A receita, inclusive, pode ter duas IG: a carne de onça e a broa de centeio de Curitiba”

afirmou Márcia.

Conheça a Carne de Onça

Com origens que remontam à década de 1940, a Carne de Onça é uma iguaria símbolo de Curitiba, feita com carne bovina crua sobre broa de centeio, temperada com cebola, cebolinha, azeite, sal e pimenta. Apesar do nome curioso — atribuído ora ao “bafo forte”, ora aos hábitos alimentares do felino — o prato não tem relação com a carne do animal. 

O nascimento do prato se mistura à história do futebol paranaense, conta Sérgio Medeiros.  Segundo ele, na década de quarenta havia em Curitiba um time de futebol chamado Britânia, cujo diretor era o Cristiano Schmidt.

O Schmidt tinha um bar chamado “Toca do Tatu”.  Quando o Britânia ganhava, ele servida aos jogadores a carne crua sobre fatias de broa, cebola, cebolinha, sal e azeite. Um dia o Duia, goleiro do time, reclamou: “Poxa, Schmidt, você só serve essa carne aí, que nem onça come”.

E aí surgiu a “carne de onça”. Os clientes da Toca do Tatu começaram a pedir o prato e o Schmidt teve que colocar no cardápio. Logo outros bares da cidade começaram também a servir.

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Foto: Gean Cavalheiro/Divulgação.

Receitas oficiais 

Estão previstas, no Caderno de Especificações Técnicas da Indicação de Procedência do INPI, apenas três opções de preparo e modo de servir, de acordo com o que foi documentado pela Associação dos Amigos da Onça:

1.ª) colocação da carne sobre a fatia de broa coberta com cebola branca e cebolinha verde, regada com azeite e temperada toda a parte superior com sal e pimenta. 

2.ª) preparação da carne misturada ao azeite, ao sal e à pimenta, apenas no momento de servir sobre a fatia de broa, para não interferir na coloração da carne. Incluída a cobertura com cebola branca e cebolinha verde e regada com azeite. 

3.ª) preparação da carne misturada ao azeite, ao sal e à pimenta, apenas no momento de servir sobre a fatia de broa, para não interferir na coloração da carne. Os demais ingredientes, cebola branca, cebolinha verde e azeite, são disponibilizados separados para o cliente montar a seu gosto. 

Indicações Geográficas

O Paraná é o segundo estado brasileiro com a maior quantidade de IG, contabilizando 18. Além da carne de onça de Curitiba, são Indicações Geográficas: o urucum de Paranacity, cracóvia de Prudentópolis; mel de Ortigueira; queijos coloniais de Witmarsum; cachaça e aguardente de Morretes; melado de Capanema; cafés especiais do Norte Pioneiro; morango do Norte Pioneiro; vinhos de Bituruna; goiaba de Carlópolis; mel do Oeste do Paraná; barreado do Litoral do Paraná; bala de banana de Antonina; erva-mate São Matheus; camomila de Mandirituba; uvas finas de Marialva e broas de centeio de Curitiba.

Além desses 18 reconhecidos, há ainda uma Indicação Geográfica concedida a Santa Catarina, que envolve também municípios do Paraná e do Rio Grande do Sul: o mel de melato da bracatinga do Planalto Sul do Brasil.

O Estado ainda possui 11 produtos com a IG depositada, mas ainda em processo de análise no INPI: o mel de Capanema; pão no bafo de Palmeira; tortas de Carambeí; mel de Prudentópolis; queijos do Sudoeste do Paraná; café de Mandaguari, ponkan de Cerro Azul; ovinos e caprinos da Cantuquiriguaçu; ginseng de Querência do Norte; café da serra de Apucarana e ostras do Cabaraquara.