A CAIXA Cultural Curitiba recebe, a partir desta terça-feira (15), a exposição inédita, “Solfejo – Felippe Moraes”, primeira mostra individual do artista carioca no Paraná. Reunindo obras que emitem som por meio da interação do visitante, peças com luz de néon, caixas de luz, fotografias de ondas sonoras e concertos das músicas dos planetas, a mostra é pautada por uma investigação sobre o som e o samba, cruzada pela cosmologia, a ciência e a música das esferas.

Com 38 obras, essa é uma exposição panorâmica de Felippe Moraes, que conta com 16 anos de trajetória. Depois de passar por São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro somando um público de mais de 40 mil pessoas, a mostra chega agora à capital paranaense.
“‘Solfejo’ foi pensada como uma exposição de arte total, incluindo o design gráfico, a iluminação, a expografia e a relação coesa entre as obras. Vamos contando uma história e apresentando narrativas ao redor das criações, baseada em pesquisas de muitos anos, partindo da consulta de outros pensadores, de séculos e milênios atrás”
comenta Moraes.
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O nome Solfejo vem da técnica musical que envolve a leitura cantada de notas musicais em uma partitura, um exercício para o desenvolvimento da leitura musical, da percepção auditiva e da afinação, auxiliando ainda na memorização e compreensão de melodia.
“Em Solfejo, organizo pensamentos de diversas áreas do conhecimento para levantar questões que dizem respeito à condição humana. Aqui, a arte contemporânea nos permite falar de matemática, física, espiritualidade, misticismo, história e cultura. Todas através da música”
completa.

Entre algumas das obras expostas está a série “SAMBA EXALTAÇÃO”, um panorama da produção de Moraes sobre o samba e o Carnaval, apresentando fotografias em backlight e letreiros com dizeres de sambas históricos como “Não Deixe o Samba Morrer” e “Canta Forte, Canta Alto”.
“Sou profundamente interessado pelo samba e pelo Carnaval. Apresento obras que partem de músicas que encontramos nas encruzilhadas, terreiros e rodas de semana, que nos falam sobre o cosmos e nosso lugar no universo. Isso faz parte da minha identidade e da minha obra”
explica o artista carioca.
A cosmologia pode ser vista na obra “Solaris Discotecum” (2023), uma instalação que remete a uma pista de dança, em que é possível dançar com os planetas e as estrelas.
“Um globo de espelhos faz as vezes do Sol e uma pequena esfera de chumbo circula ao seu redor, faz referência à Terra. Ao redor, 12 luminosos de néon estão suspensos e desenhados com a forma das constelações do zodíaco. É um convite a dançar com as estrelas. Ao passo que na Terra cantamos todos os fevereiros as canções de nossos ancestrais, os corpos celestes cantam suas próprias melodias no firmamento”.

Oficina gratuita
Além da exposição, o artista Felippe Moraes também ministrará uma oficina gratuita e aberta ao público, a “Oficina de Processo Criativo e Expografia”, em que apresentará as etapas da concepção e realização de uma mostra individual de grande porte.
O workshop ocorre na sexta-feira (18), das 17h às 19h, e é voltado a todas as pessoas interessadas na produção e concepção de exposições de arte contemporânea, artistas, designers, arquitetos, curadores desenvolvendo projetos expositivos e curiosos sobre processos artísticos. As vagas são limitadas e as inscrições podem ser feitas pelo site oficial da CAIXA Cultural Curitiba.
Na oficina, Moraes discutirá com os participantes, por meio de imagens de arquivo, plantas baixas e relatos pessoais, as soluções encontradas para o design expositivo e os diferentes desafios encontrados em cada cidade e instituição em que a mostra “Solfejo – Felippe Moraes” foi realizada desde 2019, revelando as variações de cada montagem de acordo com as instituições, regiões e momentos históricos em que a exposição ocorreu e como ela se transformou para se adequar a cada uma delas.
O objetivo do workshop é o de oferecer uma noção abrangente sobre todos os aspectos de desenvolvimento de uma mostra individual, como relações institucionais, compreensão da sala de exposição de maneira técnica e subjetiva, além de uma costura poética e consistente entre as obras, textos e cenografia, a fim de dar autonomia aos criadores e criadoras.

Serviço
“Solfejo – Felippe Moraes”, na CAIXA Cultural Curitiba
Quando: de 15 de julho a 21 de setembro
Endereço: R. Conselheiro Laurindo, mº 208 – Centro
Horário de visitação: Terça e sábado, das 10h às 20h / Domingos e feriados, das 10h às 19h
Classificação livre
Entrada gratuita.
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