Em 2017, quando o NX Zero anunciou uma pausa, sem tempo para retorno, os fãs já nem imaginavam que seria possível um dia ver os cinco integrantes juntos de novo no palco. Além da história de sucesso, talvez tenha sido essa ânsia pela união do grupo que fez com que a banda esgotasse três noites de shows na Live Curitiba, para um público de pouco mais de 15 mil pessoas, somando os três dias. Veja o vídeo da entrevista abaixo.

Foto: César Ovalle, Cesinha/Divulgação.

Sexta (30), sábado (1) e domingo (2), foram dias de muito rock e emoção na Live Curitiba e nos arredores. Até chegar à casa de shows dava para sentir nos olhares do público a ansiedade por ver juntos, novamente, Di Ferrero (vocal), Gee Rocha (guitarra e vocal de apoio), Dani Weksler (bateria), Caco Grandino (baixo) e Fi Ricardo (guitarra). 

Não é novidade para ninguém que o NX Zero tem carinho por Curitiba, inclusive a cidade já foi palco de gravação de DVD. À Banda B, Di Ferrero disse que a banda toda estava emocionada em voltar em grande estilo.

“Muito incrível, né? Tocar três dias numa cidade que tem uma história com a gente, que a gente já chegou a tocar para 50 pessoas, tocar para 15 mil pessoas contando os três dias”. 

disse Di Ferrero, vocalista
Foto: Lucas Sarzi/Banda B.
Foto: Lucas Sarzi/Banda B.

Há quem diga que o “rock morreu”. Mas há também quem perceba que esse ditado já é mais do que ultrapassado. As recentes turnês, do Titãs e do NX Zero, mostram que talvez seja algo que, na verdade, nunca aconteceu mesmo.

“Essa história do rock morrer a gente escuta isso, os mais antigos também falam que já escutavam, os avós e os tataravós dos mais antigos também falavam isso, que era datado e tal. Imagina se estivesse vivo? Se você for ver, as maiores turnês que estão rolando, Titãs, a do NX ou quando o Los Hermanos quando faz, são sempre em lugares de arena, gigantes, então não sei eu acho que isso é muito clickbait”. 

comentou Di Ferrero

Apesar disso, desde que o NX Zero anunciou a pausa, não surgiu outra banda que chegasse para “substituir” o espaço que ficou aberto. Di Ferrero avalia que, na verdade, o que aconteceu foi a forma de consumo de música, que mudou. 

“O rock é uma essência, não tem como morrer, não é só música, é um lifestyle, enfim. Só sei que ele está muito bem representado por milhões de bandas, inclusive bandas novas, artistas novos que se influenciam também pelo rock, e acho que tem sim muita banda que representa muito bem isso depois do NX. O jeito de consumir é que mudou, você está acostumado a não ir atrás e ouvir, tocar no rádio e na TV. Muita gente começou a dissipar, ir para vários lugares, ouvir sons em outros lugares, então tem muita coisa legal”. 

disse Di Ferrero, vocalista

A turnê, inclusive, pode ser um bom momento para inspirar novos artistas a seguirem seus sonhos, como avalia o cantor.

“Falando da nossa tour, da felicidade que está sendo conseguir tocar em lugares gigantes, o que a gente quer é que muitas outras pessoas se inspirem e continuem esse ciclo, porque bandas que a gente via, CPM, a Pitty, Charlie Brown, Titãs e várias outras inspiraram a gente e acho que quanto mais a gente rodar e fizer esses shows, mais pessoas vão querer tocar, e não é só tocar guitarra, o cara pode ser DJ e fazer rock. Engloba todo esse lifestyle que eu to falando de atitude, de pegada de som”. 

concluiu Di Ferrero

No setlist, a banda reuniu 27 músicas, e praticamente todas eram hits. Impossível ouvir e não identificar várias das canções que tocaram sem parar nas rádios nos últimos anos. Veja o setlist do show de sábado:

  • Só rezo
  • Daqui pra frente
  • Bem ou mal
  • Pela Última Vez
  • Apenas um Olhar
  • Onde estiver
  • Uma gota no oceano
  • Espero a minha vez
  • Intro – Mentiras e fracassos
  • Inimigo invisível
  • Intro – Cedo ou Tarde (com Chorão)
  • Cedo ou tarde
  • Meu bem
  • Incompleta
  • Círculos
  • Entre nós dois (acústico)
  • Silêncio (acústico)
  • Cartas pra você (acústico)
  • Mais além (acústico)
  • Hoje o céu abriu
  • Vamos seguir
  • Pedra murano
  • Ligação
  • Não é normal
  • A melhor parte de mim (bis)
  • Um pouco mais (bis)
  • Além de mim (bis)
  • Razões e emoções (bis)

Assista aqui a entrevista completa com o NX Zero em Curitiba:

Mais velhos, mais unidos

O retorno, ainda que pontual, depois de seis anos da pausa, significa também que agora os cinco integrantes conseguem dimensionar o que foram e o que são atualmente. O baterista Daniel Weksler comenta que a turnê tem sido legal justamente por isso, pois todos trouxeram coisas novas na bagagem.

“É legal que cada um foi viver coisas que a gente não teve oportunidade, porque o NX começou o estouro quando éramos muito moleques. A gente viveu muita coisa, aprendeu muita coisa, mas também é muito interessante cada um viver a sua vida e aprender coisas”. 

avaliou Daniel Weksler, baterista

Falando da perspectiva, as coisas também mudaram. Daniel explica que antes estavam muito dentro do turbilhão e, com a pausa puderam olhar de fora e, também, se olhar, isso só fez aumentar o respeito entre os músicos.

“O respeito entre a gente amadureceu. A gente olha pra cada um aqui e sabe realmente o valor. Quando você está fora, quando está por perspectiva, consegue olhar para cada um e saber que cada um tem uma parada muito foda. Então o respeito hoje que a gente tem um pelo outro é uma coisa que não a gente não tinha tanto antes, de saber o valor de cada um dentro disso”.

disse Daniel Weksler

Retorno pontual?

Não se sabe, ainda, se o retorno do NX Zero pode refletir em alguma volta “pra valer” no futuro. O que se sabe é que a banda tem ainda mais 31 shows, sendo eles um último em dezembro, no Allianz Parque, em São Paulo. O que virá depois depende deles, mas o que os músicos sabem, é que estão felizes vivendo o momento.

“Pra gente está muito leve, muito divertido, e de saber que construímos uma coisa muito foda, que é aquilo de que é muito difiícil uma banda de rock chegar nesse lugar. Quando você olha de fora, você fala ‘vamos homenagear, vamos colocar isso em prática e celebrar essa história tão bonita’, então foi bonito para a gente ver que realmente essa história é muito única e muito especial que a gente construiu”. 

comentou Daniel Weksler, baterista

Veja mais alguns vídeos de um dos shows em Curitiba:

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Vídeo: NX Zero esgota três shows em Curitiba e comemora: ‘Chegamos a tocar para 50 pessoas, agora 15 mil’

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