A 40ª Oficina de Música de Curitiba, edição especial de inverno, recebeu neste domingo (2) um dos principais nomes da música popular brasileira: Lenine. Com seus mais de 40 anos de experiência, o músico de Recife se juntou aos integrantes da Orquestra à Base de Corda (OBC) de Curitiba, num show planejado para abraçar o repertório do artista que tem tudo a ver com a nossa MPB.

O encontro entre Lenine e Orquestra de Corda não foi o primeiro. A OBC inclusive já saiu de Curitiba para tocar com o cantor em outras regiões, como São Paulo e Brasília. À Banda B, Lenine disse que esse encontro deu química.

“A gente já tá há mais tempo tocando junto, foi um encontro muito bacana, deu essa química maravilhosa. O fato do trânsito da orquestra ser nas cordas, e eu sou um filho das cordas também, isso já combina desde sempre. Achei muito bacana essa coisa de entregar o repertório para esse tipo de formato. Existe aí um sentido de adequação para o universo e para a palheta de som que é a orquestra de cordas. Isso nos levou a escolher determinadas músicas, teve todo um processo que, na verdade, tocando hoje, estamos só reafirmando um caminho junto que já começou há algum tempo”. 

contou Lenine

A Oficina de Música de Curitiba é um momento especial que engloba tudo: eventos, cursos e concertos. O objetivo é justamente o de promover não só a cultura na cidade, como também o de facilitar o acesso. 

“Eu acho que não é só música, mas a arte de maneira geral é uma necessidade básica do cidadão. Acho que faz parte da gente, para evoluir, porque através da arte a gente pode projetar, a gente pode questionar o passado. Através da arte a gente pode ter um tipo de crônica da contemporaneidade, das pessoas, do que estão vivendo naquele momento e transformar aquilo numa tela, numa escultura ou numa canção. Acho que nesse sentido é muito bacana quando você pode proporcionar arte acessível para todo mundo. É mais um ponto para esse projeto e o fato de eu estar aqui com essa turma tão bacana”. 

avaliou Lenine

João Egashira, diretor da OBC e da Oficina de MPB, celebrou a 40ª edição da oficina e disse que a ideia é partilhar arte, cultura e o conhecimento. O aperfeiçoamento para as pessoas que queiram se tornar profissionais de música.

“Acesso à cultura, à arte, ao aprendizado, à educação musical, são princípios fundamentais da oficina também. Toda oficina é única, a gente sempre está buscando pessoas que não vieram ministrar cursos, artistas que ainda não tiveram, a oficina é sempre surpreendente para quem assiste, para quem a planeja”. 

disse João Egashira, diretor da OBC e da Oficina de MPB

Motivos para celebrar

Lenine tem, neste ano, muitos motivos para comemorar: seu segundo disco, Olho de Peixe, chegou aos 30 anos do lançamento. Além disso, celebra também os 40 anos de carreira, numa história sólida que o firmou como um dos principais nomes quando o assunto é criatividade musical muito além da voz.

“Comemoramos os 30 anos do Olho de Peixe, que foi um projeto meu e do Suzano, produzido por mim, por Suzano e por Denilson Campos, que foi uma grande janela para mim, para o Suzano e para o Denilson. Nos abriu a possibilidade não só de reafirmar essa condição de trabalhar com arte, ser artista, mas descobrir que aquele tipo de arte que você fazia poderia frequentar vários nichos”. 

disse Lenine

O som de Lenine, que começou no Recife, ganhou o país com facilidade. A mesma que perdura até hoje, num som contemporâneo que reflete a verdadeira música brasileira. Segundo o cantor, foi a partir de Olho de Peixe que surgiu essa projeção.

“Era regional o bastante para ser reconhecido como tal, e no entanto era contemporâneo e atual no sentido de que qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo entenderia. Isso foi muito bacana, abriu pra mim uma maneira de produzir as coisas, uma maneira de dirigir, a partir de então eu passei a produzir meus discos, eu tive que aprender a produzir e o Olho de Peixe foi o ápice disso. Por isso tudo foi um disco muito especial”. 

lembrou Lenine

A comemoração veio com o lançamento de um songbook, e vem mais coisa por aí: está previsto o relançamento do disco de vinil do projeto.

“O songbook na verdade é uma revista, e que foca só nesse álbum. Também fizemos uma parceria com a Noize e o disco foi masterizado para vinil, que vai sair agora em setembro. É uma comemoração redonda, bonita, de um projeto que eu me orgulho muito”. 

contou Lenine
Foto: Lucas Sarzi/Banda B.

Dias melhores

Como artista pensante que é, Lenine não mediu palavras para comentar a atual situação do país, quando deixou seu recado final na entrevista.

“Não tenho muito o que dizer não. Na verdade, a gente tá recomeçando as coisas. Passamos por um período medieval e é fundamental a gente ainda comemorar e reverberar esse novo tempo, e nos libertando de uma canalhice, de uma escuridão, de um processo medieval”. 

celebrou Lenine

Sem citar nomes ou entrar em quesitos políticos, deixando subentendido, Lenine reforçou que é momento de celebrarmos. E nos unirmos.

“Eu digo celebrem! A gente precisa evoluir como ser humano, como cidadão, e o caminho é só através do coletivo, pensar no todo, pensar em todos”.

concluiu Lenine

Veja a entrevista completa com Lenine:

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‘Passamos por um período medieval e é fundamental a gente comemorar’, diz Lenine em Curitiba; veja entrevista

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