Um dos grupos mais tradicionais do rock nacional e que influenciou grande parte das outras bandas que surgiram, Os Mutantes, se apresenta em Curitiba no dia 23 de outubro*. Com 56 anos de história, o grupo promete à capital paranaense uma noite para ficar na memória, principalmente dos amantes da música brasileira.

Foto: Adriana Moraes/ Divulgação.

*O show seria no dia 8 de outubro, mas foi remarcado para o dia 23. Todos os ingressos já comprados valem para a nova data e a venda será pelo Disk-Ingressos.

O repertório do grupo é baseado em temas do mais recente disco de estúdio, ZZYZX, além de grandes sucessos como Balada do Louco. À Banda B, o vocalista Sérgio Dias disse que, embora tenha passado tanto tempo desde o surgimento da banda, a impressão é de que tudo continua muito atual.

“Não sei a diferença real. Sabe quando você tem 15 anos e depois você tem 71 anos? Se eu olhar pra trás e ver qual a diferença entre mim e aquele garoto, não vejo muita diferença, sou a mesma pessoa. Acho que a máxima de Mutantes foi ser honesto, fazer o que a gente gostava e quem não gostasse que se fo*****. Nosso novo disco tem músicas de todo tipo. A nossa música, principalmente as letras que fiz nesse disco, são muito significativas, tem muitas citações dentro dessas letras que são bem importantes”. 

A parte mais legal de fazer um show agora, com o fim da pandemia, é poder trabalhar um disco que foi lançado justamente no período em que não se poderia fazer shows.

“Lançamos o disco em 2020 e agora vamos ensaiar, mas pra nós vai ser uma delícia tocar. Estou parado há dois anos e meio e não tenho muita paciência pra tocar sozinho mais”. 

Sobre a pandemia, Sérgio foi enfático em dizer que parece que o ser humano tinha tudo para aprender muito, mas não aprendeu nada.

“Essa pandemia foi assustadora, mas também teve uma coisa fantástica que foi a primeira vez que a comunidade inteira se juntou contra um inimigo em comum. Mas parece que as pessoas não aprenderam nada ainda”. 

Renovando público

Mantendo o legado vivo, a atual formação do Os Mutantes, tendo à frente o guitarrista e vocalista Sérgio Dias, tem encontrado Brasil afora (e até quebrando as fronteiras do país) uma renovação de público interessante. Segundo o músico, tudo acontece de forma bem natural. 

“Já fui tocar em lugares que esperava encontrar gente da minha idade, e só tinha jovens. Temos encontrado muitos jovens cantando nossas músicas. É uma coisa fantástica, porque a gente não fez absolutamente nada para isso acontecer”. 

Sérgio comentou que, quando Os Mutantes resolveram voltar, em 2006, a banda começou literalmente do zero. Por isso, ver que o som da banda é consumido por gente de todo o tipo é um presente.

“Quando a gente voltou, a gente não tinha gravadora, não tinha editora, produção, não tínhamos absolutamente nada. E a gente arrebentou no mundo inteiro. Fizemos de Singapura até Glasgow. Isso é bem típico de Mutantes, que é quebrar as barreiras”. 

Foto: Adriana Moraes/ Divulgação.

Sem medo de falar

Uma das características da banda sempre foi a sinceridade. Através das letras, Os Mutantes fizeram várias formas de protesto contra a situação do país, na maioria das vezes usando até o tom de deboche. Sérgio comentou que, para ele, isso continua muito vivo.

“Honestamente, a música atual está careta demais. Tem poucas coisas que vem e arrebentam. Pra mim é a coisa mais simples do mundo. Sou quem eu sou e falo o que eu falo. Não tenho papas na língua. Não tenho porquê ter. O mínimo que você pode fazer é falar sua verdade”. 

Tratando de protestos e pensamentos sobre a situação do país, Sérgio se limitou em dizer que as pessoas deveriam procurar e ouvir o disco Estação da Luz, lançado em 2001.

“Um dos discos mais fortes que fiz para o Brasil foi esse. Ali está toda a síntese de tudo que eu penso, que eu quero dizer à juventude, para a política, todo esse lado do Brasil. Não tenho mais razão para fazer um disco novo em protesto, eu já falei tudo que eu tinha que falar. Cabe às pessoas pesquisarem”. 

Foto: Adriana Moraes/ Divulgação.

Amor por Curitiba

A atual turnê do Os Mutantes é uma oportunidade de celebrar um legado de valor incalculável para a música, cantando canções clássicas. Estar em Curitiba, para Sérgio Dias, é outro momento importante.

“Curitiba pra mim é um ponto muito marcante. Tive grandes amigos aí. Uma espécie de família pra mim. Adoro a cidade. Lembro de ter falado com Lerner para que não deixasse que a música que tomava conta do Brasil inteiro matasse a música regional de Curitiba. Acho que Curitiba pra mim tem diversas facetas”. 

Já sobre o show, Sérgio promete uma noite para ficar na memória. Mas adianta: não tem expectativas, pois quer se surpreender.

“Não tenho a menor ideia porque depende do público,depende do momento. Mas a gente é completamente livre, não temos arranjos definidos, tocamos o que sentimos na hora. Acredito que vai ser uma porrada”. 

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Referência do rock nacional, banda ‘Os Mutantes’ se apresenta em Curitiba em outubro

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