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Onde moram os pensamentos? Como lidamos e o que a gente faz com tudo que passa em nossa cabeça? É também sobre isso que fala a peça “A Aforista”, de Marcos Damaceno, dramaturgo e diretor curitibano. Em cartaz em Curitiba até domingo (30), a peça vem conquistando muita gente por onde passou, fora da capital paranaense. Os ingressos custam a partir de R$ 15 (meia-entrada).

Foto: Renato Mangolin/Divulgação.

A peça traz à cena uma mulher, vivida por Rosana Stavis, caminhando sem parar em direção ao enterro de um antigo amigo da faculdade de música. Enquanto caminha, pensamentos acerca de sua própria vida e os caminhos escolhidos por ela e seus antigos amigos, todos “promessas da música”, lhe vêm à cabeça. Caminhos que vão da plenitude da realização ao fracasso fatal.

“Ela está sempre andando, e aí vem os pensamentos acerca de como se deu todos esses caminhos escolhidos por ela e os antigos amigos da faculdade. É uma peça que se passa na mente dela, às vezes bastante angustiante, mas também hilariante, é uma peça engraçada e que passa um pouco dessa perturbação da mente de todos nós, repleta de excesso de informações, confusões, ansiedade”, conta Damaceno. 

conta Marcos Damaceno, diretor da peça

Rosana Stavis, conhecida na capital paranaense pela atuação na banda Denorex 80, é apontada pela crítica especializada como uma das melhores atrizes do teatro brasileiro. Ela conta que a mente da personagem é o que comanda todo o enredo da história, com pensamentos caóticos, mas que vão se fechando ao longo da trama.

“Ela fica em estado de melancolia, tristeza, lembrando desses amigos do passado enquanto ela caminha para o enterro do amigo que se foi, e às vezes acaba citando coisas muito engraçadas da personalidade deles. Mesmo sendo um monólogo, a luz do espetáculo e a música do espetáculo conversam muito com esse caos que é o pensamento dela, e acaba conduzindo o público a estar com ela esse tempo todo nessa uma 1h e 20 de espetáculo, percorrendo todo esse caminho do pensamento dela”. 

descreve Rosana Stavis, atriz da peça
Foto: Rodrigo Leal/Divulgação.

Rosana conta que é um espetáculo que o público acaba descolando da poltrona, entrelaçando momentos de risada com tristeza.

“O público ri, chora e se envolve completamente nessa história que ela está contando naquele momento. Conduz a criar muitas imagens e reflexões também sobre a vida, as relações, os caminhos que a gente escolhe para a nossa vida, aonde eles vão nos levar, então fala do relacionamento de três amigos, mas também de todos os relacionamentos, de todos nós”. 

conta Rosana Stavis

No palco, Rosana Stavis divide espaço com dois pianistas usando pianos de cauda, algo raro de se ver no teatro. Os pianos são tocados ao vivo por Sérgio Justen e Rodrigo Henrique, que duelam e dão o tom da narrativa com a trilha original criada pelo premiado compositor Gilson Fukushima.

Foto: Renato Mangolin/Divulgação.

Sucesso de crítica

Aclamado pela crítica, o espetáculo estreou no Rio de Janeiro com sessões esgotadas e também já passou por São Paulo, Brasília e Belo Horizonte. Agora em Curitiba, não foi difícil ver nas redes sociais as diversas manifestações de gente que assistiu e se impressionou. 

Sobre o resultado positivo do espetáculo, Marcos Damaceno acredita que isso se traduz num combo que vai da interpretação, a música e a dedicação da equipe.

“O sucesso dessa peça se deve, em primeiro lugar, à Rosana Stavis, que é uma das grandes atrizes que temos no teatro brasileiro, se não a grande atriz que nós temos no teatro brasileiro hoje, de um talento e de recursos técnicos incomparáveis. Mas acho também a música, que é um destaque à parte, com os dois pianos de cauda, e é um espetáculo que vem sendo colocado como um grande espetáculo brasileiro deste ano”. 

avalia Marcos Damaceno
Foto: Renato Mangolin/Divulgação.

Damaceno reforçou que por todas as cidades que passaram a repercussão tem sido a melhor possível, justamente por ser uma peça que arrebata e vem cheia de poesia.

“Leva as pessoas da gargalhada ao choro, provoca algumas cócegas na mente e nos pensamentos das pessoas”. 

comenta Marcos Damaceno

Rosana Stavis completa que “o conjunto da obra” faz o sucesso da peça: texto, direção, interpretação, música, a performance dos pianistas, o figurino que remete muito sobre o que é a mente do personagem, e a iluminação. 

“Todo esse conjunto da obra impacta. E a gente se dedicou muito em cima desse trabalho, o que fez o espetáculo ficar com uma excelência mesmo”. 

comenta Rosana Stavis

O problema da peça toda são os pensamentos, e isso também faz com que haja vínculo do público com a personagem. Até porque atualmente quem não sofre com algum tipo de pensamento perturbador em segredo?

“Como é o problema de todos nós na cabeça, com os nossos pensamentos, o lugar onde se passa a peça é na mente dela. E todo mundo acaba se identificando com essa mente repleta de confusão, perturbação, doses de ansiedade, angústia, embaralhamento, caos, é uma peça que passa por momentos de angústia, mas também bastante engraçados”. 

diz Marcos Damaceno, diretor da peça
Foto: Maringas Maciel/Divulgação.

Mensagem final

Com um texto bastante direto, pensamentos curtos, onde todas as pessoas acabam chegando, a peça se comunica diretamente com a plateia. E esse foi o objetivo do projeto. Como essência, mensagem final, Damaceno avalia que as pessoas saem do teatro querendo viver.

“Apesar de ser uma peça que traz a questão do suicídio, é uma peça que enaltece a vida. As pessoas saem do teatro cheias de gana, com vontade, brilhos nos olhos, e gente é para isso, para os olhos brilharem. As pessoas sem querendo fazer, realizar coisas, querendo viver”. 

avalia Marcos Damaceno, diretor da peça

Rosana comenta também que entende a mensagem de “A Aforista” como a missão de levar gente nova ao teatro, de fazer com que as pessoas se identifiquem com o simples.

“Temos experiências de pessoas que nunca foram ao teatro e saem impactadas com o trabalho e exatamente como desejo de realizar seus projetos, seus sonhos. A gente fica muito feliz de estar nesse lugar, ainda mais pós-pandemia, com tudo que a gente passou com a questão da cultura, e agora podendo fazer um trabalho com excelência, com excelente qualidade, mas que chega a qualquer público também”.

avalia Rosana Stavis, atriz da peça

Serviço:

A Aforista em Curitiba
Quando: até domingo, 30 de julho. Quarta a sábado – 20h | Domingo – 19h.
Onde: Teatro José Maria Santos (Rua Treze de Maio, 655 – São Francisco)
Quanto: ingressos a R$ 15 (meia-entrada) e R$ 30 (inteira). Venda pela Ticket Fácil ou na bilheteria oficial do Centro Cultural Teatro Guaíra.

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Elogiado Brasil afora, espetáculo de curitibanos ‘A Aforista’ fica em cartaz em Curitiba até domingo

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