Quando a gente fala que um artista está a frente do seu tempo, podemos relacionar isso à obra ou aos pensamentos. Erasmo Carlos, reúne as duas características. É nesse embalo que o cantor chega a Curitiba nesta sexta-feira (16). O show no Teatro Guaíra vem com a promessa de embalar os grandes hits da história de quase 65 anos de música, mas também com a certeza de marcar a noite de quem abrir a mente para ouvir os pensamentos do ‘tremendão’. 

Foto: Divulgação.

Em entrevista à Banda B, o cantor e compositor dos maiores clássicos da nossa música concordou com a afirmativa de estar à frente do seu tempo. Mas segundo Erasmo, isso aconteceu de forma muito natural, sem forçar nada.

“Me enxergo um pouco sim, porque sou muito imaginativo. Começo a ver uma coisa agora, aí daqui a pouco as pessoas já estão em outro papo e eu ainda estou naquilo, visualizo o futuro, a história e a beleza daquilo. Sou observador da vida e isso me faz contar histórias e desenvolver, enquanto as pessoas param o pensamento, eu prossigo. Viajo muito na minha imaginação, isso me faz pensar muito no futuro porque dou cordas à realidade. Solto a linha da pipa”. 

O novo show leva o mesmo nome do álbum que Erasmo lançou no começo do ano: O Futuro Pertence à Jovem Guarda. No repertório, o cantor procurou gravar músicas que ainda não tinha registrado e disse que a intenção foi também a de conscientizar.

“A frase se referia às novas gerações, que constroem o mundo melhor pra gente. Mas a gente não está sendo honesto com eles, a gente não está dando um mundo legal, não estamos dando educação, não estamos investindo neles, saúde suficiente para que cresçam sábios e determinados a fazer um mundo melhor. Deus nos deu inteligência, então vamos usar nossa cabeça cuidando do planeta, das coisas erradas, não vamos dar prioridade às coisas que atrapalham a nossa vida, vamos fazer um mundo melhor e cuidar da jovem guarda porque eles que vão fazer esse mundo”. 

No repertório, Erasmo traz músicas como Gatinha Manhosa e Festa de Arromba, que o Brasil todo já viu cantar, mas também Meu carro é Vermelho e Estou guardando o que há de bom, em mim, que fazem parte da lista das canções não muito cantadas por ele.

Vivendo hoje, pensando no amanhã

Com quase 65 anos de carreira, Erasmo Carlos disse ter muito orgulho da história que traçou ao longo de sua trajetória. Ao mesmo tempo, ele considera ter um plano muito grande de renovação de público, pois disse gostar muito do assunto.

“Penso que, enquanto artista, você tem que fazer coisas contemporâneas, você tem que ver e ser visto. O jovem, se ele gostar de um trabalho que você fez agora, ele vai querer ouvir o que você fez durante a vida. E se ele gostar dos trabalhos que você fez durante a vida, você ganhou um novo fã”. 

Por isso, o ‘tremendão’ não para. E é justamente com o objetivo de conquistar novos fãs, que Erasmo continua fazendo coisas novas.

“Sempre estou fazendo coisas novas, porque o novo me fascina. Sempre procuro uma novidade para ser notado. Tenho certeza do meu passado musical. Mas também tenho certeza que quando um jovem ouve o que eu fiz ele gosta muito, então fico feliz com isso porque ganhei um novo fã”. 

Foto: Divulgação.

Música como mensagem

Nos anos 70, Erasmo e Roberto Carlos fizeram juntos a canção Todos Estão Surdos. Atualmente, vivemos um momento crítico, onde não se ouve mais um ao outro. Para o ‘tremendão’, embora o mundo tenha abraçado essa surdez de vez, ainda resta aquela esperança em uma possível mudança

“Temos que tentar a linguagem dos sinais, libras, porque surdo todo mundo está. Então temos que apelar para outra linguagem para nos fazer entender. Se essa linguagem não der certo também, vamos ter que se virar para procurar outra linguagem. Desistir, nunca”. 

Segundo o cantor, o que mais o fascina é acreditar e investir no ser humano. Por isso continua ativo e usa sua música como principal canal para passar sua mensagem, seu grito.

“Quando o ser humano nasce, ele nasce é bom, o mundo que deturpa ele. Acredito no ser humano, porque isso justifica o meu viver. Não me interessaria viver se eu não acreditasse no ser humano”. 

Foto: Divulgação.

Erasmo disse que o ódio que temos vivido nos últimos tempos o preocupa. “O desacerto, os dogmas, o preconceito, esse ódio mortal que surgiu das pessoas com o advento da internet, fez brotar nas pessoas esse ódio maldito que persegue as pessoas, que ficam à disposição do mal o tempo todo, isso me irrita profundamente. Isso não é evolução. Não posso bater no peito e dizer “porra, eu sou feliz totalmente” porque existe muitas injustiças no mundo. Pra mim, que sou um cara sensível, que lida com música, poesia, isso me irrita muito”. 

Lutar pela arte, pela cultura, pela música, é algo que Erasmo Carlos não abre mão. Ele considera que o mundo sem tudo isso seria um mundo muito chato. “Costumo dizer que a música e o orgasmo são as duas coisas que mais nos ligam a Deus. O ser humano sem música não vive, sem cultura não vive, o mundo seria muito chato sem isso”. 

O objetivo de todos nós, segundo o cantor, deveria ser o de valorizar as coisas boas que fomos e fizemos. “Porque todo mundo tem suas histórias boas e más, então aproveitemos a parte boa. Precisamos cultivar de uma forma muito carinhosa e muito querida porque é importantíssimo para qualquer nação”. 

Foto: Marcelo Curia/Divulgação.

Show em Curitiba

Depois de passar por Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre, a turnê O Futuro Pertence à Jovem Guarda chega a Curitiba com a melhor das expectativas de Erasmo. 

“Curitiba é uma velha conhecida. Todas as vezes que fui sempre fui muito bem tratado, desde a primeira vez, assustado. Minhas relações com a cidade são maravilhosas, tenho certeza que o público de Curitiba vai gostar, porque conheço bem esse público, principalmente depois de passar por onde passei”. 

O show de Erasmo Carlos em Curitiba vai ser no Teatro Guaíra, a partir das 21h desta sexta-feira. Os ingressos custam a partir de R$ 120 e são vendidos pelo Disk-Ingressos.

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Aos 81 anos, Erasmo Carlos se apresenta em Curitiba nesta sexta com repertório de “música e orgasmo”

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