O frio que atinge Curitiba neste final de semana não será parâmetro para o bloco afro Pretinhosidade, que promete “esquentar” a cidade com um desfile emocionante neste domingo (19), na Avenida Marechal Deodoro (veja informações abaixo).

Resgatando e exaltando a cultura negra em suas apresentações, o grupo, com seu samba reggae, que vem direto da Vila Torres, promete homenagear a mãe de santo Iyagunã Dalzira. A Ialorixá conquistou seu título de doutora na Universidade Federal do Paraná (UFPR), aos 81 anos, no ano passado.

bloco afro Pretinhosidade Curitiba
Bloco afro Pretinhosidade homenageia mãe de santo doutora na UFPR durante desfile em Curitiba neste domingo. Foto: Stay Flow/Divulgação/Facebook – Pretinhosidade

À Banda B, o coordenador financeiro do grupo, Allan Coimbra da Luz, relembrou que a primeira vez do bloco no Carnaval de Curitiba foi em 2020. No entanto, a pandemia de Covid-19 impediu a realização da tradicional festa nos últimos dois anos e, consequentemente, as apresentações do Pretinhosidade. A “volta ao padrão” acontece agora em 2023.

Foi nossa primeira experiência como bloco na Marechal [Deodoro, em 2020]. Foi uma experiência ótima. Graças a Deus, o retorno do público foi fantástico. Agora, para 2023, a gente vai retornar com a volta do Carnaval para a Marechal. A gente planeja fazer este trajeto com muita alegria, responsabilidade e respeitando os mais velhos. Somos um bloco afro e isto é importante.

Allan Coimbra da Luz, coordenador financeiro do Pretinhosidade, em entrevista à Banda B.

O grupo fará uma das últimas saídas entre os desfiles programados para este domingo – veja tabela neste link. Segundo Allan, apesar de ser a segunda vez que o desfile é feito na Marechal Deodoro, o Pretinhosidade já realizou outros trajetos no Centro de Curitiba e, principalmente, na Vila Torres. A comunidade no bairro Prado Velho é o berço/a casa do bloco afro.

Samba Reggae

Sobre o samba reggae, Allan afirmou que uma das referências para criar a identidade musical do Pretinhosidade é o também bloco afro soteropolitano Ilê Aiyê, que foi fundado em 1974 e considerado o primeiro do Brasil com raízes negras.

Ele também aproveitou para valorizar a cultura negra de Curitiba e criticar a forma que a capital a diminui, se comparada com outras etnias.

É um dos maiores blocos do mundo [sobre o Ilê Aiyê], temos como referencial. Consequentemente, é o nosso diferencial em Curitiba porque tratamos a questão afro com a valorização da cultura negra e o resgate da nossa identidade. Esta cidade acostumada a nos invisibilizar. A Praça do Japão, a Praça da Espanha ficam todas na região central. Pega a Praça Zumbi dos Palmares, que faz referência a nós, ela fica ‘jogada’ na periferia.

Allan Coimbra da Luz, coordenador financeiro do Pretinhosidade, em entrevista à Banda B.

Homenagem a Ialorixá

Sobre a homenagem a Iyagunã Dalzira, Allan revelou que, inicialmente, a ideia do grupo era falar sobre “amor e resistência” por meio de uma mensagem positivada ao povo afro. No entanto, diante da conquista de Iyagunã, em setembro de 2022, o bloco decidiu mudar para homenageá-la em vida.

Dalzira Maria Aparecida UFPR
Dalzira Maria Aparecida, a Yalorixá Iyagunã Dalzira, que defende seu título de doutorado. Foto: Neab/Divulgação UFPR

Com o doutorado dela, preferimos homenageá-la em vida. Vamos valorizar os nossos, que vieram antes.

Allan Coimbra da Luz, coordenador financeiro do Pretinhosidade, em entrevista à Banda B.

Convite

No fim, Allan fez um convite a todos que queiram ‘pular o Carnaval’ junto do bloco, que conta com mais de 100 associados. A concentração está prevista para as 18 horas, em frente ao Shopping Itália, e o grupo pede para que as possam estar vestidas com roupas brancas e amarelas, duas das três cores principais que representam o Pretinhosidade.

Quando a gente vai falar de uma negra em geral, normalmente, as pessoas costumam invisibilizar a questão do afro. Foi assim com a capoeira, (…) que virou moda e se transformou na ‘capoeira brasileira’. O samba era afro, virou moda e se transformou no ‘samba brasileiro’. Então as pessoas têm o costume de invisibilizar o ‘afro’ das culturas, algo que a gente sempre questiona. Nós somos um bloco afro. Então, convidamos a todos os irmãos e irmãs pretas para participar deste espaço com a gente. Os demais, aqueles não negros, também convido a estar presente porque, hoje em dia, vindo da cultura que estamos vindo, não basta ter uma cultura não racista, a gente tem que ter uma cultura antirracista”

Allan Coimbra da Luz, coordenador financeiro do Pretinhosidade, em entrevista à Banda B.

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Bloco afro homenageia mãe de santo doutora na UFPR durante desfile em Curitiba neste domingo

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