Valorizar as culturas regionais é essencial para manter viva a identidade de um povo ou de uma localidade. No Paraná, uma das mais importantes é a caiçara, que tem raízes profundas no litoral do estado. No Maranhão, as festividades do Espírito Santo são muito fortes. Estas duas vertentes da cultura popular brasileira se encontram em Curitiba nesta semana.

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Divulgação

Para difundir essas tradições foi criado o festival “Canto Pá Quentá”. A 3ª edição do evento, que tem curadoria de Itaercio Rocha e coordenação de Jéssica Quadros, começou nesta quinta-feira (9) e segue até domingo (12) na Alfaiataria Cultural e no Folia Bar e Cultura, em Curitiba.

O festival oferece a oficina gratuita “Itinerâncias de Uma Jovem Caixeira”, que tem seu foco nos Cânticos e Toques do Divino Espírito Santo, ministrada pela dançarina e coreógrafa maranhense Bartira Menezes. As atividades levam aos participantes alguns aspectos essenciais da cultura maranhense, entre eles, o canto e a percussão. Nesses encontros, o evento promove uma grande celebração da diversidade cultural brasileira e fomentam as práticas coletivas e a participação social.

A entrada para todas as atividades é gratuita, basta retirar o ingresso no próprio local, de acordo com a capacidade de cada espaço. Restam algumas vagas para a oficina e para participar é preciso fazer a inscrição prévia aqui.

Três dias de imersão na cultura caiçara

A abertura da 3ª edição do “Canto Pá Quentá” aconteceu nesta quinta-feira (9), com a primeira parte da Oficina, que tem seu foco nos Cânticos e Toques do Divino Espírito Santo. No sábado, dia 11, a oficina é retomada às 9h.

A oficina oferece um trabalho de musicalização natural por meio da prática do canto, da percussão, e de improvisos vocais. Dessa maneira, os cânticos do Divino, transmitidos oralmente há gerações, são assimilados com facilidade e resgatam a memória coletiva.

Após um breve intervalo, o evento será retomado às 15h com a “Ladainha e Salva de Caixas para Santo Antônio”, também com o comando da maranhense Bartira Menezes.

A Ladainha é um louvor que se repete durante uma oração, como se fosse um poema de adoração que, em algumas ocasiões, pode ser recitado em latim. Esse momento de rezas, pedidos e agradecimento em versos é dedicado a Santo Antônio que, em alguns sincretismos religiosos, está relacionado a Exu.

Na sequência, às 17h, acontece o “Baile Rezado”, conduzido pela cantora Melina Mulazani. Com o auxílio dos brincantes Drica Possan e Zé Ronaldo, Melina procura reunir toda a plateia em uma dança conjunta, estabelecendo uma comunhão de alegria. Depois do baile, café para os participantes, com distribuição de pãezinhos e bolo de Santo Antônio.

Melina está completando 35 anos de trajetória artística na música e no teatro. Nesse caminho, ela já fez parte de inúmeros projetos, entre eles, o Grupo Mundaréu.

Nessas mais de três décadas, Melina conheceu muitos artistas da rica arte popular brasileira e mergulhou na trilha aberta pelo mestre Itaercio Rocha. Entre essas referências, estão Dona Teté do Cacuriá, Dona Aurinha do Côco, Lia de Itamaracá, Dona Odete de Pilar, Dona Elza do Caroço, e Dona Glorinha. O “Baile Rezado” é em homenagem a essas mulheres que ajudaram a construir a personalidade de Melina.

Às 18h30, para fechar a programação do dia, será oferecido um café aos participantes, com distribuição de pãezinhos e de pedaços do bolo de Santo Antônio.

O encerramento do “Canto Pá Quentá” acontece no domingo (12), no Folia Bar e Cultura (Av. Jaime Reis, 310/320, no São Francisco), a partir das 20h30, com o baile Fandango Ubá.
O evento reúne jovens músicos caiçaras descendentes de grandes mestres fandangueiros, além de educadores e pesquisadores. Essas especificidades contemplam a tradição e a contemporaneidade enraizada do território caiçara. O Fandango Ubá celebra a continuidade dessa tradição que permanece viva.

Para esse evento, os ingressos gratuitos devem ser retirados no próprio local até a sexta-feira (9). Na hora, as entradas custarão R$ 10.

Bartira Menezes – A dançarina e coreógrafa Bartira Menezes nasceu em São Luis do Maranhão e pertence a uma família de artistas populares. Atualmente, ela mora em São Paulo. A formação de Bartira teve início na Casa Fanti-Ashanti, um dos centros afro-religiosos mais importantes em atividade no Maranhão e que se tornou referência da influência Jeje no Brasil.

A casa, que foi reconhecida em 2006 pelo MinC como Ponto de Cultura, já foi tema de estudos, teses e artigos de inúmeros pesquisadores em todo o país.

Bartira também é a caixeira régia da Festa do Divino Espírito Santo de São Paulo, realizada a quinze anos pelas Caixeiras da Família Menezes em parceria com a Associação Cachuera. O evento é um dos muitos festejos que fazem parte da cultura popular do Maranhão, destacando-se como um dos mais importantes por causa de sua ampla difusão e pelo impacto que tem sobre a população.
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3ª edição do festival “Canto Pá Quentá”celebra as tradições da cultura popular brasileira

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