2019 tem sido um grande ano para quem gosta de cinema. Eu, pelo menos, fiquei ansiosa com diversas estreias (e ainda estou com algumas). Naturalmente, de algumas eu gostei, de outras nem tanto, mas deixo o julgamento para vocês fazerem. Alguns filmes dessa lista são do ano passado, mas foram lançados no Brasil só esse ano.

Midsommar: O Mal Não Espera a Noite (Ari Aster)

Midsommar: O mal não espera a noite (divulgação)

O diretor de Hereditário (2018) retorna com um novo filme de terror e drama. Dá pra perceber o interesse do diretor por cultos pagãos, que dessa vez coloca um no centro da trama. A doença mental e a tragédia familiar são outros elementos que tocam os dois filmes, embora de maneiras distintas. Midsommar é dividido em duas partes: na primeira, Dani, encontra-se completamente sozinha, enquanto na segunda, ela se vê incorporada numa dinâmica coletiva onde não há espaço para a individualidade ou para sentir-se só. O sofrimento e o prazer são de todos, assim como o nascimento e a morte.

Os filmes de Ari Aster têm um forte apelo psicológico. Se você achou Hereditário um filme de terror sem muita sutileza, eu te convido a ler a uma possibilidade de interpretação que talvez torne o filme mais interessante, clicando aqui.

 

O Bar Luva Dourada (Faith Akin) e Ted Bundy: A Irresistível Face do Mal (Joe Berlinger)

Bar Luva Dourada (divulgação)

Dois filmes que se propõem a contar histórias reais de serial-killers, mas com pegadas totalmente diferentes. Enquanto a biografia de Ted Bundy mostra um homem sedutor e até amoroso em alguns casos, Fritz Honka é um homem de aparência repugnante e hábitos deploráveis. A história de Ted Bundy choca pela frieza dos assassinatos e por apresentar um jovem bonito e inteligente, seguido por uma legião de fãs, apesar de seus crimes. Já a história de Bar Luva Dourada choca pelo estilo quase gore do diretor, que consegue inserir cenas extremamente sangrentas no longa, sem torná-lo vulgar ou trash.  

Ted Bundy: A irresistível face do mal (divulgação)

 

Era uma vez em Hollywood (Quentin Tarantino)

Era uma vez em Hollywood (divulgação)

Outro filme envolvendo culto pagão, sendo que dessa vez trata-se de um que realmente existiu. O culto da Família Manson é um detalhe importante no filme, mas os personagens principais são um ator e um dublê cujas carreiras estão por um fio, cada qual por seu motivo. O estilo tarantinesco continua presente: diálogos marcantes, reviravoltas e muita violência (mesmo sendo bem menos violento que os últimos). Tarantino disse que trabalhou 5 anos pra fazer esse filme, que com certeza é das maiores obras do diretor. 

 

Dor e glória ( Pedro Almodóvar)

Dor e Glória (divulgação)

Um filme bastante biográfico e sensível de uma maneira que só Almodóvar sabe fazer. É um filme sobre perdão, sobre doença, sobre amor. Para quem se interessa, eu escrevi um texto inteiro só dedicado a esse filme, que considero cheio de significados profundos e bonitos. Vocês podem ler clicando aqui

 

Oitava série (Bo Burnham)

Oitava série (divulgação)

Filmes que retratam as dificuldades de caminhar da infância em direção a adolescência sempre me encantam, mas também me angustiam. Dá pra relembrar com esse filme o desespero que é lidar com algo desconhecido e que parece tão decisivo na vida. O quão pesado é parecer saber exatamente qual a melhor forma de agir, mas fazer tudo errado. Lidar com expectativa e pressão. Ansiar tão profundamente que as pessoas enxerguem algum valor em você e não poder acreditar que é tudo fase, que logo passa. 

Uma curiosidade interessante é que Barack Obama citou esse filme como um de seus favoritos no ano passado.

 

Cafarnaum (Nadine Labaki)

Cafarnaum (divulgação)

“Capernaum” (O título original) significa “caos” em árabe. O filme conta a história de Zaim, um menino de 12 anos que vive com uma família numerosa e muito pobre no Líbano. No meio de tantas dificuldades, ele se esforça para proteger a irmã mais nova. Uma fuga de casa o coloca em condições ainda mais difíceis do que as em que ele já se encontrava. Um filme triste e forte, sobre coragem, desespero e negligência. 

 

Fronteira (Ali Abbasi)

Fronteira (divulgação)

Uma mulher trabalha como guarda de uma alfândega. Ela tem um talento especial para sentir o cheiro das pessoas que carregam consigo algum item de procedência ilegal. Por mais que extraordinária que a personagem seja, constantemente ela é insultada por sua aparência, o que faz com que ela se sinta diferente e deslocada. De repente ela se vê envolvida em uma investigação de uma rede de pedofilia ao mesmo tempo em que é acometida por uma grande paixão. 

 

E você, ficou ansioso por alguma estreia esse ano? Já tem um filme favorito de 2019?