A visibilidade no trecho da BR-277, em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, sofreu uma mudança rápida e drástica na noite de domingo (2), o que impossibilitou a sinalização na rodovia no tempo adequado para evitar o acidente que deixou oito mortos. Pelo menos é o que afirma Marcelo Belão, porta-voz e gerente de atendimento ao Usuário da Ecovia Caminho do Mar, concessionária responsável pela rodovia.

“Nossa viatura de inspeção se deparou com a situação da fumaça, e provavelmente o efeito dela prejudicado pelo começo de uma neblina. 22h08 foi o momento em que ela comunicou via rádio da mudança rápida e drástica da visibilidade daquele segmento”, relata Belão.

Foto: ERNANI OGATA/CÓDIGO19/ESTADÃO CONTEÚDO

No momento em que identificou a ocorrência de fumaça, a viatura começou imediatamente a sinalizar necessidade de redução de velocidade, bem como final de fila no sentido Curitiba, que era o de maior fluxo naquele momento.

“A viatura não pode entrar e intervir diretamente na via e fechar o fluxo de forma desordenada, porque poderia causar um acidente tanto com a própria viatura, como com o próprio operador. Por conta desse trabalho, não houve nenhum acidente no sentido Litoral-Curitiba”, explicou o porta-voz.

Foram acionados recursos adicionais da concessionária, além do Corpo de Bombeiros e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para atendimento e combate ao foco de incêndio, que aconteceria em uma área de vegetação fora da faixa de domínio da Ecovia.

Uma segunda viatura da concessionária foi enviada para sinalizar o sentido contrário da via. No entanto, enquanto iniciava os procedimentos para redução de velocidade, ocorreu o primeiro acidente.

Incêndio

O incêndio florestal às margens da BR-277 teria começado ainda durante a tarde de domingo. Moradores da região afirmaram, por meio de vídeos e mensagens nas redes sociais, que as chamas teriam começado por volta das 17 horas.

De acordo com Belão, antes da viatura da Ecovia detectar a fumaça e neblina prejudicando a visibilidade da pista, não houve nenhum acionamento de motoristas ou de outros órgãos relatando a situação. “Nós não temos nenhum registro de acionamento e nenhuma informação de que existia fumaça na rodovia. Quem detectou o problema foi nossa própria viatura. Onde houve essa queimada é uma região vasta, e possivelmente essa vegetação de onde estava vindo a fumaça é longe da rodovia”, disse ele.

Foto: ERNANI OGATA/CÓDIGO19/ESTADÃO CONTEÚDO

Em nota, a concessionária diz que, como parte de suas ações de rotina, já vinha monitorando o trecho e já tinha acionado o Corpo de Bombeiros para combate a vários focos de incêndio dentro da sua faixa de domínio nos últimos dias.

Mais de 20 profissionais da Ecovia estiveram no local prestando apoio e sinalizando o tráfego. Além disso, dezenas de outros colaboradores trabalharam no apoio de atendimento, seja no Centro de Controle Operacional da concessionária ou de suas casas.

“Todos os procedimentos cabíveis para esse tipo de situação foram tomados pela concessionária, que lamenta muito o ocorrido e alerta, mais uma vez os usuários e moradores do entorno, para o risco de incêndios graves ao promover pequenas queimadas ou jogar bitucas de cigarro na vegetação”, finaliza a nota.

O acidente

O gravíssimo acidente aconteceu por volta das 22h30 deste domingo (2), no quilômetro 77 da BR-277. Entre os veículos – um caminhão, cinco motocicletas, 15 carros e uma viatura da Polícia Militar (PM). Cerca de dez ambulâncias foram acionadas. Ao todo, foram 22 feridos no local e oito mortos.

A Delegacia de São José dos Pinhais segue ouvindo testemunhas do acidente e aguarda a alta de pessoas que estão no hospital para dar sequência ao inquérito.