Não é normal! Não é normal de uma semana para a outra um pai ou uma mãe de uma criança não voltar mais para casa e você ter que explicar isso para ela. Não é normal uma pessoa morrer por um vírus e você justificar que ela tinha uma comorbidade, que seja uma simples hipertensão. Não é normal! Quantas crianças nesta triste jornada do coronavírus, que já vitimou mais de 57 mil pessoas no Brasil, ficaram órfãs e até agora tentam entender o que aconteceu.

Os pequenos Maria Vitória, de dois anos, e Geraldo Filho, de quatro, filhos do secretário municipal de Políticas Públicas de Araucária, Geraldo Carvalho, de 41, tinham este temor, mesmo que muitas vezes sem entender direito, mas isso acabou. O pai deles permaneceu internado por quase dez dias dias no Hospital do Rocio, em Campo Largo, sendo três em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), até quando recebeu alta neste fim de semana. O reencontro dele com os filhos e o choro de soluçar da pequena Maria Vitória são apenas uma mostra de como ele pode ser considerar um privilegiado, pois conseguiu viver este momento.

Assista:

 

“Foi maravilhoso, porque a gente nunca ficou longe deles tanto tempo. Eu e minha esposa, Ana Carvalho, tivemos complicações e fomos internados no Hospital do Rocio. Quando a gente ficou internado, meus dois filhos mais velhos cuidaram dos mais novos, que pegaram a covid, mas por serem crianças não tiveram complicações. A gente ficou com aquela angústia. Todo dia a Maria Vitória me mandava áudio gritando que queria o papai e quando eu cheguei foi aquela emoção. Ela não parava de chorar”, disse Geraldo, ainda ofegante devido às complicações da covid-19.

Primeiros sintomas

Nos quatro primeiros dias o casal começou a sentir principalmente dores pelo corpo, mas sem falta de ar ou tosse. “Fui ao hospital e me liberaram. Dois dias depois tive dor de cabeça forte e falta de ar. Fizeram a ressonância e o meu peito estava carregado. Minha esposa se sentiu mal e também fez ressonância com comprometimento de pulmão. Eu e ela então ficamos internados no Rocio”, explicou.

Geraldo e a equipe do Hospital do Rocio, onde ele ficou internado por três dias (Foto: Reprodução)

 

Enquanto Ana acabou recebendo alta em poucos dias, Geraldo passou por momentos mais complicados. “Fomos na mesma ambulância e no hospital cada um foi para uma sala. Ficamos dois dias em quartos separados e depois juntos mais três dias. Demorei a procurar o médico, então estava bem comprometido o pulmão. Eu fiquei deitado de bruços para ajudar, mas no fim de semana me mandaram a UTI por ter mais suporte, onde fiquei por três dias”, relatou.

Com obesidade e pressão alta, Geraldo chegou a temer pelo pior, como aceitar ter sua vida interrompida com 41 anos e tantos planos pela frente. “No começo quando fui para a UTI, eu percebi os médicos falando que meu pulmão estava muito comprometido. Tive muito medo e foi por Deus e por toda a equipe do hospital que que me livrei desta”, concluiu o secretário.