Um vídeo com passageiros do biarticulado Centenário/Rui Barbosa, em Curitiba,  defendendo um jovem vendedor de cocadas de um suposto policial militar à paisana viralizou nas redes sociais. Desde o fim da tarde desta quinta-feira (28), as imagens já foram amplamente compartilhadas pelas redes sociais (assista abaixo).

O jovem vendedor Leonardo Gabriel Sandoval dos Santos, de 22 anos, junto com outros passageiros, assinaram termo circunstanciado após o tumulto envolvendo um homem que se identificou como policial militar, que tentou impedir o jovem de continuar as vendas. Na delegacia, passageiros e vendedor disseram que terem sido ameaçados pelo suposto policial.

A confusão aconteceu por volta das 17 horas, no carro de reforço da linha, no sentido Centenário. Próximo da estação-tubo Mariano Torres, o suposto policial militar à paisana se aproximou do jovem vendedor e disse que chamaria a viatura da Polícia Militar (PM) para prendê-lo, segundo Leonardo.

“Eu estava fazendo meu discurso e de repente veio esse policial sem uniforme e começou a falar ‘guarde essa m.. , se você não guardar, eu vou chamar a viatura agora pra vir aqui te prender’. Ele me mostrou a carteira dele de policial, me ameaçando, daí eu pensei em ir embora, mas o pessoal começou a se revoltar, a me defender, dizendo que eu estava trabalhando. Ele começou a xingar todo mundo e deu um tumulto”, contou à Banda B, na manhã de hoje (29).

Segundo o jovem, o homem que se identificou como sendo policial ameaçou e xingou diversas pessoas dentro do coletivo, conforme imagens registradas por um passageiro. “Ele chegou a empurrar uma senhora que tinham uns pontos no rosto, aí chegaram uns policiais e a gente foi para lá (delegacia) fazer B.O. Mas todo mundo, que eu notei, foi pra lá bem revoltado. É abuso de poder isso aí”, garantiu o vendedor.

A Polícia Militar (PM) foi acionada e todos os envolvidos (inclusive, testemunhas) foram para a delegacia. “Fiquei lá perdendo tempo, sobrou cocada, eu tinha que estar vendendo. Os policiais ficaram do lado dele ainda, eu nem respondi ninguém. Tive que pagar mais uma passagem pra voltar a vender, eu saí prejudicado nisso”, lamentou Leonardo.

Uma audiência está marcada para acontecer no próximo dia 13. “Nem dinheiro eu tenho, não sei se precisa de advogado, vai ser mais um dia que eu não vou conseguir vender minhas cocadas. Eu que sempre vi a polícia como pessoas que me defendiam, agora eu fiquei muito chateado, fiquei triste com o que aconteceu. Pra fazer a verdade, agora tenho mais medo de trabalhar do que andar na rua e ser assaltado”, finalizou Leonardo.

Embora saiba que a prática é ilegal, Leonardo contou que, com o dinheiro da cocada consegue ajudar a mãe com as contas básicas do mês. “Faço isso há muitos anos, eu sei dos riscos, mas eu ajudo minha família, já fui ajudado por muita gente. Nesse momento agora da pandemia, estamos todos de casa precisando das vendas das cocadas”, lamentou.

Lei

Em Curitiba, pedir doações ou/e vender mercadorias dentro dos ônibus, estações-tubo e terminais é uma prática ilegal. A ação é proibida por meio de um regulamento próprio do transporte coletivo da cidade criado em 1991. A ilegalidade da prática é alvo de uma campanha sonora nos biarticulados. As denúncias devem ser feitas pelos passageiros ou motoristas e cobradores das empresas pelo 156.

A orientação é acionar uma equipe de plantão da Guarda Municipal ou Polícia Militar para condução do vendedor ambulante, sem apreensão do material.

Vídeo

Assista ao vídeo que viralizou nas redes sociais. A Banda B optou em desfocar as imagens a partir do momento em que o policial militar tira a máscara dentro do coletivo:

 

Resposta

O 12º Batalhão da PM diz que o policial estava de folga no ônibus e advertiu o vendedor sobre a obrigatoriedade do uso de máscara e a proibição de comércio dentro de ônibus coletivo, conforme legislação municipal.

Ainda, reforça que no Boletim de Ocorrência registrado, uma passageira teria gritado ao policial, proferindo palavrões e incitando outros passageiros contra o militar estadual. Diante disto, uma equipe do 12º Batalhão entrou no ônibus e conteve os ânimos de todos, encaminhando o policial militar de folga, o vendedor e a mulher para a lavratura de Termo Circunstanciado e posterior apresentação dos envolvidos em juízo.