(Foto: Carlos Costa/CMC)

 

A vereadora Maria Leticia Fagundes (PV) criticou, em discurso na Câmara Municipal de Curitiba nesta quarta-feira (13), o esquema de ‘fila única’ de pacientes nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) do município. Segundo ela, sem a devida separação, as crianças não têm prioridade e acabam sendo atendidas por clínicos gerais, enquanto pediatras podem dar assistência para adultos.

“Em tese, a criança tem que ter prioridade e ser atendida por um pediatra, mas isso não acontece mais desde o ano passado. O número de médicos dessa especialidade reduziu e, muitas vezes, eles ficam responsáveis até pelos adultos nas UPAs”, disse a vereadora em entrevista à Banda B nesta quinta-feira (14).

Para mudar esse cenário, Maria Leticia pediu explicações da Secretaria Municipal de Saúde, por meio de um ofício na Câmara, e sugeriu a realização de uma audiência pública sobre o tema. “Eu quero ouvir a população, os diversos órgãos envolvidos na saúde da cidade, os conselhos regionais, para que possamos compreender o motivo pelo qual estamos privando as nossas crianças de atendimento especializado”, completou.

Ela ainda afirmou que os moradores precisam ficar atentos e denunciar o descaso nas UPAs e unidades básicas. “Quando você tem um plano de saúde, vai lá e marca consulta com um pediatra para o seu filho. Quando é atendido pelo SUS [Sistema Único de Saúde], por que você não tem esse direito?”, questionou.

O outro lado

De acordo com a diretora médica das UPAs, Tatiane Filipak, a sistemática da fila única, determinada por uma portaria do Ministério da Saúde, consiste no atendimento conforme a classificação de risco. “Essa medida, baseada na legislação, foi adotada em maio do ano passado. Ela preconiza o serviço para casos de urgência e emergência, não para marcação de consultas”, comentou.

A diretora declarou que uma análise completa da demanda de especialistas em cada unidade é responsável pela alocação dos médicos. “Na do Boa Vista, por exemplo, são aproximadamente 15 mil atendimentos por mês, sendo que as crianças representam 15%, 20% dos pacientes”.

Segundo ela, todas as UPAs têm pediatras contratados por meio de concurso público. “Gostaria de reforçar que todos eles atendem apenas crianças, de até 13 anos de idade ou adolescentes de até 17 anos e 11 meses. Já os clínicos gerais são contratados para urgência e emergência para atender adultos e menores. Dentro da formação desse médico, há a capacitação para ambos os casos. Mas eles não atuam como especialistas, pegam apenas situações de baixo risco, que poderiam ser tratadas nas unidades básicas. Se o quadro é grave, aí a criança vai para a sala de observação infantil e o pediatra assume”.

Segundo a diretora, existem 41 pediatras nas UPAs de Curitiba e um novo chamamento deve incluir no sistema mais 20 médicos nesta semana, entre eles, especializados em saúde infantil.