A venda de imóveis residenciais usados e de terrenos em Curitiba no mês de agosto atingiu números similares aos observados em 2013 e 2014, que ainda remontam ao período que ficou conhecido como boom imobiliário. O índice de Venda Usados Sobre Oferta (VUSO) foi de 5,1%, e o de Venda Sobre Oferta (VSO) para os terrenos ficou em 4,9%. Em termos comparativos, esses são os maiores registrados desde fevereiro de 2014 e junho de 2013, respectivamente. Os dados fazem parte da última pesquisa realizada pelo Instituto Paranaense de Pesquisa e Desenvolvimento do Mercado Imobiliário e Condominial (Inpespar), entidade do Sistema Secovi-PR, com as empresas associadas.

(Foto: Luiz Costa/ SMCS)

 

“Os números comprovam exatamente o que estamos percebendo na prática de mercado, ou seja, traduzem os índices econômicos”, avalia o vice-presidente de Comercialização Imobiliária do Secovi-PR, Luciano Tomazini. “Estamos retomando a tendência de crescimento que era observada no início do ano, amparados também na redução da taxa Selic [que tem trazido os investidores ao mercado imobiliário] e na maior oferta de crédito”, pondera.

Estatística

De acordo com o presidente do Inpespar e vice-presidente de Economia e Estatística do Secovi-PR, Jean Michel Galiano, a estimativa de imóveis residenciais usados que tiveram negociação concluída durante o mês de agosto foi superior a 1,2 mil unidades. “Esse montante corresponde a um aumento de 54,5% na comparação com o mês anterior e de 59,4% em relação a agosto do ano passado”, explica. “Em contrapartida, também temos observado uma tendência de baixa desse estoque. Na comparação com o mesmo período de 2019, temos uma queda de 3,1% no volume, o que nos deixa no patamar da média que havia em oferta no ano de 2017”, compara.

O estudo aponta ainda uma estimativa de negociação de 200 terrenos em agosto, número que representa um aumento da ordem de 46% em relação julho deste ano e de 23,5% na comparação com agosto do ano passado. “A construção civil tem o maior potencial, neste momento, para auxiliar a economia – gerando emprego e renda, e os consecutivos aumentos nas vendas dos terrenos nos apontam que esse processo já está ocorrendo”, explica Galiano.

Oferta de crédito e aumento no ticket médio

A oferta de crédito tem sido responsável pelo incremento que o mercado está apresentado. “Nos últimos meses, temos constatado que a utilização de financiamentos tem se mantido maior que o percentual de pagamentos à vista, e esse é um dos catalizadores desse seguimento, então nos faz crer que o cenário será ainda mais positivo se conseguirmos reduzir o desemprego, pois há um déficit habitacional de 8 milhões no país”, analisa Tomazini.

Nos meses de abril e maio deste ano, o percentual médio das compras que utilizaram financiamento foi de 60%, e de junho a agosto esse percentual ficou na ordem dos 70%. “O volume de crédito imobiliário em países desenvolvidos é proporcional a 80% do PIB, já em países em desenvolvimento essa proporção está na casa dos 20%; no Brasil, ainda não atingimos os 10%”, contextualiza Galiano.

Os imóveis residenciais que foram vendidos em agosto têm um ticket médio de R$ 366 mil e representam um Valor Geral de Venda (VGV) de R$ 442 milhões. “O VGV teve um aumento de 58,7% de julho para agosto”, ressalta Galiano. “Se compararmos ainda o acumulado do último trimestre com o do ano anterior, temos um crescimento de 6,1% no ticket e 34% no VGV”, explica.