O Hospital de Clínicas de Curitiba iniciou, nesta terça-feira (21), testes para verificar a eficácia da Coronavac, vacina produzida em parceria entre o laboratório chinês Sinovac e o Instituto Butantan. Ao todo, 852 voluntários que atuam na linha de frente de atendimento da Covid-19 podem se candidatar para receber amostras da vacina.

Foto: Divulgação UFPR

De acordo com a infectologista responsável pela condução da pesquisa no HC, Sonia Raboni, metade dos voluntários irá receber a vacina e metade placebo (medicamento sem efeito). “São vacinas randomizadas, controladas por placebo, para que a gente possa verificar a segurança e eficácia da vacina. Montamos um grupo de pesquisa que envolve alunos, técnicos de enfermagem, enfermeiros e médicos para trabalhar na triagem”, explicou.

Como o teste é de eficácia da vacina, os profissionais da linha de frente foram os escolhidos para receber as duas doses. O cadastro de voluntários está aberto no aplicativo do Instituto Butantan e várias perguntas tornam o voluntário apto ou inapto. Por exemplo, não pode receber o teste quem tem doença imunossupressora, doença grave, se já teve reação a outra vacina ou se participa de outro estudo.

A expectativa do estudo é de que dure 16 meses, mas Sonia Raboni acredita que esse tempo possa ser reduzido. “Você precisa ter um estudo de três fases finalizado para o registro da Anvisa e, consequentemente, a comercialização. Mas, pode-se determinar uma fase mais acelerada, tendo como base um número maior de pessoas e a verificação da eficácia. Caberia, então, à Anvisa determinar o registro”, disse.

Brasil

Além do HC, outras 11 instituições serão responsáveis pelos testes da fase três. O Butantan irá enviar ao HC as doses da vacina para a realização de testes clínicos em voluntários, com o objetivo de demonstrar sua eficácia e segurança.

A parceria internacional entre Brasil e China também prevê a troca de conhecimento e tecnologia para a produção em larga escala por meio do Instituto Butantan e Sinovac, empresa chinesa responsável pela pesquisa internacional. Para início dos testes, é necessária a liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Nas duas primeiras fases, o laboratório chinês testou a vacina em aproximadamente mil voluntários. Aplicado em animais, o produto se mostrou muito promissor.