Em Curitiba e região metropolitana, são mais de 50 CTGs (Centro de Tradições Gaúchas) em funcionamento, fazendo parte da Primeira Região Tradicionalista do Paraná. Entre as atividades dos CTGs, destaca-se o ‘Vaca Parada’, que atende crianças de 0 a 12 anos, com encontros dominicais e também em rodeios. Destaca-se, por exemplo, as gincanas que acontecem nos eventos, com atividades lúdicas em que pode tudo, menos usar o aparelho celular.

 

“Se não estivesse aqui, a criança estaria no computador, celular ou em um tablet. Então, aqui a gente resgata o passado, mostrando que existe brincadeira sem a tecnologia. O nosso trabalho aqui é neste sentido. Eles brincam de peão e fazem novas amizades”, descreveu à Banda B o tradicionalista José Raksa, que pertence ao CTG Fazenda Rio Grande e faz parte da diretoria do’ Vaca Parada’, além de ser diretor da Confederação Brasileira da Tradição Gaúcha.

Marise Aguiar, diretora-adjunta da Vaca Parada, contou que a ideia da gincana, denominada ‘Eterno Brincar’, começou em dezembro de 2018, em na Seleção de Paranaense de Rodeio, em Paraíso do Norte, interior do Paraná. “Desde então, é a quarta gincana que fazemos aqui na Primeira Região Tradicionalista. O objetivo é tirar as crianças do celular, fazer elas trabalharem em equipe e, por enquanto, está dando certo. Antes, fazíamos o convite, mas hoje as crianças já nos procuram aqui. Elas vem atrás”, revelou Marise, que faz parte do CTG de Mandirituba. Destaca-se também na ajuda para a gincana a Primeira Prenda Veterana, Kételi Wizenffat, e também a vice-coordenadora da Primeira Região, Caroline Pankievicz.

Gabriel em entrevista ao Jornal Metropolitano

A equipe do Jornal Metropolitano, da Rádio Banda B, acompanhou a gincana do ‘Vaca Parada’, em um rodeio que aconteceu em novembro na cidade da Lapa, região metropolitana de Curitiba. Lá, Gabriel Padilha, de dez anos, destacou a diversão garantida na gincana. “Eu gosto porque aprendo brincadeiras diferentes e posso levar para os amigos. Me divirto muito mais quando o celular fica de lado”, garantiu.

O conceito do ‘Vaca Parada’ é fazer com que a criança e o adolescente lacem um protótipo de animal, tendo como foco o respeito a ele a consciência de não praticar maus-tratos. Ainda, durante os rodeios, acontece o projeto Semeando o Futuro, em que são plantadas no mínimo três árvores em cada evento de rodeio.

CTGs

Espalhados por Curitiba e região, os CTGs têm na maioria encontros aos fins de semanas, com a intenção de manter viva a cultura gaúcha, explicou Raksa. “Fazemos a parte do tiro de laço, a parte artística com danças tradicionais e a parte cultural, da tradição gaúcha. Varia de cada CTG, mas há muitos que têm eventos semanais e outros mensais. Nós estudamos os nossos antepassados e procuramos manter vivas todas estas tradições. Vivemos em um mundo muito complicado, então este tipo de atitude faz uma enorme diferença”, falou.

Mas ‘bah’, tenho que ser nascido no Rio Grande do Sul para fazer parte de um CTG? “De forma nenhuma. Para ser gaúcho, não precisa nascer no Rio Grande. Ser gaúcho é um estado de espírito. Na Bahia, existem CTGs, para a gente ter uma ideia. Há ainda gaúchos uruguaios e argentinos. Se você estudar história, verá que o ser ‘gaúcho’ é um estado de espirito”, concluiu o diretor.