O Grupo Folclórico Ucraniano Poltava, com sede em Curitiba, declarou repúdio ao uso da bandeira da Ucrânia e do símbolo Tryzub (Tridente) durante manifestação a favor do presidente Jair Bolsonaro no último domingo (31), na Av. Paulista, em São Paulo. De acordo com os ucranianos, ambos são símbolos positivos da história do país e não devem ser usados em manifestações políticos partidárias no Brasil. Curitiba tem a maior colônica ucraniana do Brasil em números absolutos.

(Foto: Reprodução Instagram)

 

Segundo o presidente do Grupo Poltava, Carlos Waldir Henze Junior, a bandeira e o Tryzub representam, de forma única, os valores ucranianos. “O azul e amarelo de nossa bandeira representam o céu limpo e os campos de trigo, até por ser uma região privilegiada e que, por isso, acabou sendo alvo de muita disputa e controvérsia ao longo dos séculos, com a independência da União Soviética apenas nos anos 90. O tridente é um símbolo antigo e foi associado no passado ao pertencimento do povo ucraniano”, explicou, em entrevista à Banda B na manhã desta terça-feira (2).

Henze detalhou que, para os ucranianos, o símbolo do Tryzub não remete ao neonazismo. “Boa parte da imprensa disse isso e talvez essa seja a intenção de quem usou o símbolo nesta manifestação, de associar a um lado extremista de direita, o que se dá uma ideia errada. O símbolo de forma alguma é neonazista e esta minoria não tem força nenhuma lá na Ucrânia. Felizmente, os da extrema Direita não fazem nem 1,5% de votos”, descreveu.

A preocupação é que os mais de 300 mil de descendentes de ucranianos sejam rotulados por este mau uso do símbolo. “Nossas comunidades têm cada vez mais conseguindo expressar o seu orgulho e alegria. Nossos agasalhos do grupo tem esse símbolo, bem como no portão de ferro e adesivos nos carros. Ele é usado como um símbolo bom e de orgulho”, disse.

Curitiba tem a maior comunidade ucraniana do Brasil em termos absolutos. Já em proporção é a cidade de Prudentópolis, com 70% dos moradores descendentes do país do Europeu.

Polêmica

A bandeira nas cores vermelha e preta com o Tryzub é usada pelo Pravyi Sektor (Setor Direito), organização paramilitar criada em 2013 que virou partido político na Ucrânia. A bandeira vem sendo apontada como um dos elementos que deram início ao tumulto entre apoiadores do presidente e membros de torcidas organizadas que defendiam a democracia, no domingo (31), na avenida Paulista. Ela teria sido identificada como um símbolo neonazista.

O presidente do Grupo Folclórico Ucraniano Poltava confirmou que o partido extremista usa o trevo pelo partido, mas que isso não deve banalizar o Tryzub. “Dizer que um símbolo puro ucraniano (Tryzub) é neonazista por estar ali é um erro muito grave”, concluiu.