O Tribunal do Júri condenou Alexandre Bila do Nascimento, 39 anos, pelo crime de homicídio de Lindiane Navarro Corrêa, 24 anos, ocorrido em dezembro de 2017. Após doze horas de julgamento, os jurados entenderam que ele é o autor do crime, condenando-o a 36 anos, 10 meses e 15 dias de prisão, por ocultação de cadáver, homicídio e tentativa de homicídio contra um familiar de Lindiane. Até hoje o corpo de Lindiane não foi encontrado.

A promotora Roberta Franco Massa, que atuou no caso, disse à Banda B que não houve dúvidas sobre a autoria do crime contra a jovem. “Desde o início estava muito claro para nós sobre a autoria. É um caso emblemático porque é um feminicídio que até hoje o corpo não foi encontrado, a família até hoje tem esse sofrimento de não ter se despedido da vítima, de poder ter feito um sepultamento”, contou.

Lindiane contava que era agredida pelo marido. Foto: Reprodução/Redes sociais

 

Embora o corpo nunca tenha sido encontrado, a promotoria evidenciou provas testemunhas, periciais e a principal prova: um depoimento do filho do casal. “Os jurados entenderam que, muito embora não tivesse corpo, as provas que haviam nos autos eram suficientes para atestar que de fato ele matou a Lindiane. O depoimento do filho, colhido de maneira especial na Vara da Infância, que viu as agressões e a mãe caída no banheiro, já desacordada”, descreveu a promotora Roberta. “A família quer saber onde está e foi o que pedimos. Que ele reflita após a pena e possa contar, quem sabe um dia”, completou.

Desaparecimento

A esposa de Alexandre desapareceu em dezembro de 2017 na casa em que morava com o suspeito, no bairro Abranches, em Curitiba. O marido tratava a jovem com agressividade, em um relacionamento abusivo. Familiares receberam uma mensagem dizendo que o casal iria a um pesque-pague, sem os filhos, mas suspeitaram da escrita diferente. Logo depois, Alexandre foi até a casa dos sogros levar os filho do casal, de 3 anos, e o mais velho, de 7, do relacionamento anterior da mulher.

Prisão

Alexandre foi preso em SC com CNH falsa. Foto: PC/Divulgação

 

Alexandre foi preso no dia 15 de abril, do ano seguinte, em Itajaí, Santa Catarina. Ele foi preso com Carteira Nacional de Habilitação (CNH) falsa, com um Renault Grande Tour, durante uma blitz. Alexandre se manteve em silêncio durante oitivas na investigação. Além desse mandado de prisão em aberto pelo sumiço da esposa, ele possui outros mandados de prisão por roubo.