Com 96 pacientes internados e pouco mais de 100 leitos exclusivos para a Covid-19, a taxa de ocupação do Hospital de Clínicas (HC) tem variado de 80 a 100% nos últimos dias, mostrando como o avanço da doença é alto. Em entrevista à Banda B, o médico infectologista Bernado Montesanti Machado de Almeida, que atua no HC, explicou que há a possibilidade de se abrir mais leitos, porém a falta de pessoal para o atendimento os doentes é outro desafio.

(Foto: Divulgação UFPR)

 

“Por ser um hospital referência, o HC sempre trabalhou com uma capacidade alta, independente do coronavírus. A diferença agora é que passamos a disponibilizar leitos específicos para a covid-19”, explicou o médico, destacando uma mudança no comportamento dos pacientes internados por Síndrome Respiratória Aguada (SRAG). “Desde março recebemos muitos casos suspeitos, com baixa positividade, apesar de serem SRAG. A partir de junho tivemos uma positividade bem mais alta para o coronavírus, mostrando o aumento da circulação”, destacou.

Montesanti explicou que os leitos vem sendo gradativamente ampliados à medida que aumentam os internamentos, mas há outra pedra no meio do caminho. “A parte estrutural até que está tranquila hoje, mas o que pega é o tamanho da equipe de Saúde, porque são pacientes que demandam muito cuidado. Temos uma quantidade grande de funcionários afastados, por questão de serem grupo de risco e também com sintomas do coronavírus, porque há casos da doença nestes profissionais”, salientou.

Ou seja, além da parte estrutural colapsar, se o aumento de casos da covid-19 continuar há o colapso no atendimento aos pacientes pelas equipes de Saúde. “Nós admitimos alguns profissionais de concursos temporários e também definitivos e ele estão reforçando novos time de atendimento. Agora, se os casos continuarem subindo, e isso vem sendo verificado, o colapso pode sim acontecer, tanto de pessoal quanto estrutural”, descreveu o médico.

Para destacar como a doença não escolhe idade, dos pacientes em UTI no HC 20% têm menos de 40 anos e alguns não apresentam nenhuma comorbidade.

Dexametasona

Um estudo conclusivo da Universidade de Oxford apontou redução de cerca de 30% em pacientes internados que utilizam a dexametasona. Montesanti confirmou que o HC já está usando o medicamento. “Essa é uma das melhoras notícias que tivemos até agora, porque há uma capacidade significativa de redução na mortalidade para pacientes graves”, comemorou.

Apesar disso, o médico ressaltou que o medicamento não muda em nada a questão do colapso ao sistema de saúde. “Não reduz em nada a transmissibilidade da doença ou até mesmo o avanço para se tornar um caso grave. Então, se você deixa o sistema colapsar, o paciente pode ficar sem os atendimentos necessários para que este medicamento faça a diferença”, concluiu.