“O tiro para cima foi para evitar uma tragédia muito maior”, afirma o ex-vereador e policial aposentado, Francisco Nunes, após aparecer discutindo com moradores do bairro Tanguá, em Almirante Tamandaré, na região metropolitana de Curitiba. O caso viralizou nas redes sociais após vídeo mostrar a ação de Nunes. As imagens (veja abaixo no link) foram divulgadas pela Banda B na última segunda-feira (10).

 

O ex-vereador e policial aposentado, Francisco Nunes, procurou à Banda B, nesta terça-feira (11). Foto: Djalma Malaquias/Banda B.

O ex-vereador procurou a reportagem da Banda B, nesta terça-feira (11), para explicar e dar a sua versão sobre o ocorrido. Ele afirma que o disparo foi por precaução, uma vez que ele e seu filho corriam riscos. “Estava rolando uma festa no local e estava vindo mais gente para me agredir. Eu me senti encurralado e desferi o tiro para cima, tanto que, logo em seguida, eu fui embora”, garante.

Questionado se a ação foi um ato precipitado, Nunes pondera que, no calor do momento e devido a tudo o que já havia acontecido, é difícil agir com cautela. Porém, o ex-parlamentar reforça que a ação deu resultado. “Aquilo foi feito para evitar um mal maior. Para evitar que talvez estivéssemos chorando a morte do meu filho ou a minha morte. Quando dei o tiro, as pessoas não se aproximaram do meu carro, então o tiro para cima foi consciente e coerente”, disse.

Confusão

Nunes aproveitou o momento para falar sobre o motivo que o levou até a casa dos moradores. O ex-vereador relembra que o filho fazia uma caminhada na região e que cachorros teriam o atacado na rua. Porém, o rapaz pegou pedras para afastá-los. Neste momento, segundo o policial, três pessoas vieram em direção ao filho e o agrediram. O filho fugiu e os supostos agressores o seguiram até um supermercado local.

“O meu filho entrou em contato comigo, então eu fui lá para ver. Inicialmente, eu não sabia do que se tratava e como estava a situação. Nós voltamos para casa, mas em seguida voltamos até o local porque se tratavam de pessoas conhecidas, para que o meu filho pedisse desculpas pelo ocorrido”, diz.

No entanto, o pedido de desculpas, segundo o ex-vereador, não foi bom aceito pelos moradores da casa. Nunes alega que não conseguiu entrar para falar com as pessoas. O jovem, ainda, teria sido expulso do local. O momento teria antecedido o disparo feito pelo policial ao alto.

“Eu saí na rua, meio chateado pela situação que havia acontecido. Quando eu vi, meu filho veio até a minha porta correndo e atrás dele veio um dos agressores, pensei que ele fosse me agredir. A mulher falava para que eu atirasse. Naquilo, o agressor hesitou. Eu também estava no calor das coisas e me senti encurralado”, conta.

Avaliação

Por fim, Nunes avalia que todo o caso foi desnecessário. Toda a situação, ao seu modo de ver, poderia ser resolvida se as observações legais de proteção aos animais fossem cumpridas. “Não tem espaço para cerca de proteção, para que estes animais possam ficar retidos para dentro do local”, analisa.

Uma mulher envolvida na confusão afirmou que os cachorros são da rua. Ao ser informado sobre a situação, o ex-vereador reconheceu que naquele local tem muitos animais que avançam e ameaçam os pedestres, ciclistas, motociclistas e crianças. Por fim, ressalta que os pessoas que moram no local não são de má índole. “São pessoas da comunidade e que moram ali há muito tempo. Então, eu avalio que foi uma perda para os dois lados e que isto tudo poderia ter sido evitado”, concluiu.

Outro Lado

A reportagem da Banda B está aberta para receber a versão dos moradores sobre a situação.

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