Diante de uma forte pressão pela retomada, principalmente na rede privada de ensino, o prefeito Rafael Greca negou que Curitiba esteja pronta para a volta às aulas. Em entrevista concedida ao empresário João Barbiero, nesta sexta-feira (21), ele disse que o momento ainda é de cautela.

Foto: Divulgação Câmara de Curitiba

“Eu tenho muito medo de me transformar em um Herodes moderno, em um matador de inocentes. Não há segurança do que acontece com as crianças. São Paulo fez uma pesquisa que mostrou que a maioria das crianças é transmissora assintomática, o que pode significar professores doentes, vovôs e vovós doentes, pais e mãe doentes. Nós vamos manter uma posição de cautela, com o ensino online e pelo Youtube por mais um tempo. Sabemos da dificuldade das escolas particulares e em São Paulo há até uma ação contra a prefeitura, mas não haverá juiz que decretará a morte de inocentes no ano da graça de 2020”, disse o prefeito.

Na última segunda-feira (17), logo após o anúncio de mudança de bandeira em Curitiba, o Sindicato das Escolas Particulares (Sinepe) do Paraná reiterou um pedido pela retomada presencial das aulas na educação infantil e séries iniciais do ensino fundamental. Segundo a entidade, um rígido protocolo sanitário foi elaborado e a retomada é necessária em um momento que os pais precisam de uma opção para deixar os filhos.

Pico

Greca ainda voltou a falar sobre o atendimento em hospitais e pico da doença na capital paranaense. Segundo ele, o pior momento de Curitiba aconteceu no dia 26 de julho. “Chegamos a ter 97% das UTIs ocupadas (…) Agora, tenho mantido, mesmo que custe caro, 50 vagas em média esperando possibilidade de internação. Não posso abrir muitas, senão vão dizer que estou desperdiçando dinheiro público. Não quero que ninguém padeça por falta de atendimento, que ninguém morra sem socorro, sem respirador, sem conforto da anestesia ou sem o carinho das equipes de saúde”, disse.

O prefeito ainda falou sobre as 891 mortes pela Covid-19 na capital. “Tenho certeza que do outro lado do caminho, eles nos abençoam e nos agradecem, já que os momentos finais não foram de agonia e padecimento, mas sim de conforto e nada faltou”, concluiu.

Boletim

Curitiba chegou nesta sexta-feira (21) a 891 mortes e 29.269 infectados pela Covid-19.

O total de casos ativos na cidade é de 4.393. Esse é o número de pessoas com potencial de transmissão do vírus.