Cobradores temem demissões em massa (Foto: Flávia Barros – Banda B)

 

Contrários ao projeto que implementa a bilhetagem eletrônica e abre caminho para a extinção da profissão de cobrador em Curitiba, trabalhadores do transporte coletivo estão reunidos em assembleia na tarde desta quinta-feira (8). A mobilização acontece na Praça Rui Barbosa e reúne dezenas de cobradores e também motoristas.

De acordo com a cobradora Cecília Maria dos Santos, de 55 anos, a categoria teme uma demissão em massa. “A gente tem família, paga alugue, tem prestação. Se todo mundo ficar desempregado, como vai ser. Eu já estou com certa idade e dificilmente conseguiria outra profissão”, comentou.

Para o vereador Rogério Campos (PSC), o objetivo da mobilização é barrar o projeto de lei para que ele receba, posteriormente, um debate. “Não queremos barrar a tecnologia, mas ela deve ser usada de maneira inteligente. Essa proposta é hoje um bicho-papão para os cobradores e não podemos aprovar um projeto que retire tantos postos de trabalho em um momento de crise como esse”, disse.

Segundo o Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus (Sindimoc), o objetivo desta tarde não é aprovar uma greve, mas dar à entidade o respaldo para tomar atitudes no momento adequado.

A mobilização não afeta a circulação de ônibus na capital até o momento.

Empresas criticam

O diretor executivo das empresas de ônibus, Luiz Alberto Lenz César, disse que não há motivo legal que venha a parar o transporte coletivo nesta quinta-feira (8). “Há uma convenção coletiva, assinada por todas as partes, de que em um período de 12 meses a função de cobrador estaria garantida. Isso não quer dizer que a partir de amanhã vão extinguir todos os cobradores, isso é uma inverdade. Esse trabalho seria feito gradativamente e primeiro precisa seguir todo o trâmite regimental da Câmara Municipal. Ao mesmo tempo, teremos um estudo muito grande para a modernização do sistema de bilhetagem, o que levará um tempo bastante grande”, explicou.

Segundo Lenz, esse trabalho poderia levar de um a três anos, sendo que os cobradores não seriam extintos por completo. “O que acontece é uma redução do número de profissionais. Mas, a partir disso, eles já estarão qualificados para outras atividades dentro da empresa, como auxiliar administrativo, eletricista, mecânico ou ter outras funções”, disse.

Segundo o Setransp, cerca de 2,5 mil cobradores já demonstraram interesse nos 57 cursos oferecidos pelo Senat (Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte).