O coronel e presidente do Círculo Militar do Paraná, Nelson Senley, flagrou alguns suspeitos preenchendo frascos vazios com conteúdo similar ao álcool em gel para vender em terminais de ônibus. O caso aconteceu na frente da casa do coronel, na manhã desta sexta-feira (20), no bairro Bigorrilho, em Curitiba. 

Nelson Senley, de 71 anos, está em isolamento por conta de problemas de saúde preexistentes e por causa do isolamento recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em relação ao coronavírus. Ele acabou ouvindo, através de sua janela, três suspeitos que estariam combinando o crime. “Eles estavam com caixas de papelão cheia de frascos vazios, destes de spray, conversando sobre encher com qualquer coisa similar ao álcool em gel e vender”, contou. 

Foto: Nelson Senley

O aposentado, indignado com a situação, ainda mais por estarem o fazendo em plena luz do dia, conseguiu fotografar o carro e os suspeitos. “Quando eles perceberam que eu estava fotografando, eles foram embora. Mas ouvi a ideia de que eles iriam para os terminais de ônibus vender o produto”, comentou Nelson Senley.

De acordo com o coronel, ele queria prendê-los, mas não pôde por conta de sua saúde: “Se eu tivesse condições de dar voz de prisão, teria o feito, mas não posso sair de casa e acabar expondo minha saúde”. Ele chamou a Polícia Militar e a Vigilância Sanitária, mas não deu tempo de chegarem, “pois eles acabaram indo embora”. 

Foto: Nelson Senley

Cenas como estas têm se tornado comum. Há um dia, a Polícia Civil conseguiu inibir a manipulação irregular de álcool em gel e máscaras cirúrgicas no interior do Paraná, em Maringá. Na ocasião, a polícia conseguiu prender uma mulher que comprava galões  de cinco litros de álcool em gel 70% e dividia o conteúdo em embalagens de 200 mililitros, ou 0,2 litros, para revender. 

De acordo com o delegado Luiz Alves, a prática é ilegal. “Chegamos ao local onde estava sendo manipulado, de maneira irregular, o que seria álcool em gel. Não podemos afirmar, ainda, se realmente era, pois será feita uma perícia. Mas era um gel que estava sendo vendido como álcool 70%, além de máscaras cirúrgicas que deveriam estar esterilizadas, mas não estava porque já haviam sido manipuladas”, contou o delegado à Banda B.

A mulher foi autuada por crimes contra a saúde pública, contra a ordem econômica, tributária e relações de consumo.