O presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Clóvis Arns da Cunha, criticou na tarde desta quarta-feira (25) o pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro, que afirmou que comparou o vírus em seu organismo com um “resfriadinho”. Em entrevista coletiva, a entidade demonstrou preocupação com a fala e garantiu que o melhor caminho no momento para evitar a propagação do vírus é ficar em casa.

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“Ele [Bolsonaro] está correto quando fala que a letalidade é mais comum entre idosos com mais de 60 anos ou pacientes com defesa baixa, mas temos casos aqui no Hospital Nossa Senhora das Graças de jovens internados com pneumonia e hipoxemia. Felizmente, evoluem bem, mas são pacientes que necessitam de oxigênio, cerca de quatro dias de internamento, há toda uma situação de ansiedade e medo da família para que evoluam para algo desfavorável. Então, do ponto de vista médico e cientifico, não podemos comparar com o resfriado, já que a letalidade desse coronavírus gira em torno de 3% a  6%, principalmente na ideia geral”, disse o presidente da SBI.

Em nota publicada pela manhã, a SBI lembra que o Brasil está numa curva crescente de casos, com transmissão comunitária do vírus e o número de infectados está dobrando a cada três dias.

Diante disso, Clóvis Arns da Cunha reforçou a importância de manter o isolamento. “Nós estamos muito preocupados com o impacto social, mas se não tomarmos essas atitudes agora, mais tarde vai ser pior, principalmente com o tempo de isolamento respiratório. Temos que pensar no que vamos limitar. Se for para fechar divisa do Paraná com São Paulo para caminhão de comida, combustível e itens essenciais, é ruim para a sociedade paranaense. Entretanto, ônibus com pessoas vindo passear em Curitiba, aí é melhor evitar, uma vez que São Paulo está com epidemia comunitária”, explicou.

Escolas

Um ponto dos questionamentos de Bolsonaro que mais chamou a atenção tem relação com o fechamento de escolas, já que crianças e adolescentes não estariam no grupo de risco. Para o presidente da SBI, porém, a medida é necessária. “Ao fechar escolas em grandes cidades, como Curitiba, estamos evitando que pessoas fiquem aglomeradas, que crianças fiquem juntas. Com isso, evitamos a disseminação do vírus. Principalmente em cidades onde há o registro comunitário, isso é o que faz diferença lá na frente”, comentou.

Hidroxicloroquina

A hidroxicloroquina também foi ponto do pronunciamento. Clóvis Arns da Cunha, porém, ainda questiona os possíveis efeitos. “O número de estudos, por enquanto, ainda é muito pequeno, então cientificamente não é muito forte. É o que temos no momento e é compreensível que médicos tentem alguma coisa diante de um paciente que esteja morrendo, mas os remédios quando não são testados podem ser pior e causar mais danos que benefícios”, concluiu.