Em apoio ao presidente Jair Bolsonaro, centenas de pessoas foram as ruas de Curitiba, na tarde desta sexta-feira (27), para protestar contra as medidas tomadas pelo Governo do Estado e a Prefeitura da cidade com o objetivo de promover o distanciamento social e, dessa forma, proteger a população contra o novo coronavírus. A concentração dos motoristas foi na Rua Padre Agostinho, no bairro Bigorrilho, em Curitiba. Moradores da região, também se manifestaram contra o ‘buzinaço’ chamando os manifestantes de “assassinos”, através das janelas dos apartamentos.
O apoio ao presidente se deve a repercussão negativa que teve o pronunciamento feito em rede nacional na noite desta terça-feira (24). Nele, Bolsonaro critica o fechamento de escolas e comércios em diversos estados e municípios brasileiros, e ainda compara a contaminação por coronavírus a uma “gripezinha” ou “resfriadinho”.
Marcelo Borges/Banda B
Em entrevista à Banda B, a administradora Letícia Pauli, explicou o que a levou até o local. “A gente precisa voltar a trabalhar e o Brasil não pode parar. A gente precisa cuidar do grupo de risco, das pessoas idosos e que possuem algum tipo de doença. Mas, o Brasil não pode parar neste momento. Por isto que eu estou aqui. Para apoiar o Bolsonaro, o Brasil, ou se não, todo mundo vai ficar sem emprego”, explicou
O empresário e piloto Cláudio Ditter, que esteve no local com a família, os dois filhos e o cachorro, disse que o seu propósito ao participar do protesto é mostrar a preocupação com a quebra da economia. Segundo Cláudio, isto seria muito pior que o efeito do vírus.
“A meta é não morrer de fome. Nós já estamos demitindo pessoas e as pessoas precisam trabalhar. Nós estamos sentindo esta dificuldade, então imagine para as pessoas que vendem cachorro-quente, que vendem hoje para comer amanhã. Já estão começando a saquear supermercados no Nordeste, no Sul vai acontecer em breve. Nós não queremos “não isolar” as pessoas. As pessoas já aprenderam que tem que ser isoladas, cuidar do grupo de risco, etc e tal. Mas, vamos trabalhar. Vamos deixar as pessoas trabalhar”, explicou.
O instrutor de artes marciais Rafael Pereira chegou a respeitar o isolamento, no entanto, explicou que quer ir para o trabalho, justamente, por que não tem recursos para se manter diante da paralisação. Rafael mencionou que acha incrível a energia que sente em poder tentar fazer alguma coisa.
“A situação do país não está fácil. Quem tem um estoque, uma gordurinha em casa, no bolso, beleza. Mas, quem não, infelizmente, a gente é obrigado a fazer isto”, comentou.
Marcelo Borges/Banda B
A aposentada, Maria Lurdes de Risco, de 66 anos, faz parte do grupo de risco do corona vírus, diz que não tem medo do Corona Vírus, por que acredita que a imprensa está exagerando nos informativos sobre a cobertura. “Sou uma pessoa esclarecida. Sei ler e escrever. Sou professora. Então, não tenho medo. Estou sozinha aqui no carro. Tenho álcool gel, tenho máscara, não estou na multidão. Vamos lutar por este país.  Tenho filho, tenho neto que precisam trabalhar. Eu tenho 66 anos, sou aposentada. Agora, meu filho tem 40 anos. Um cara forte, cheio de saúde, ficar de quarentena?! Tem que trabalhar”, pontuou.
Moradores da região estão divididos perante a situação que presenciaram neste momento. A advogada Ana Paula, mencionou que acho isto maravilhoso. E acrescentou que as pessoas estão no seu direito de protestar. “Estes decretos que os governadores estão fazendo são inconstitucionais. Eu sou favorável a quarentena vertical. Não essa quarentena horizontal que faz com todos fiquem em casa. Eu acho que as pessoas devem estudar um pouquinho mais para colocar a mão na consciência”, comentou.
A oficial de justiça do trabalho Patrícia Puppil considera a ação temerária. Patrícia comentou que a filha que mora na França, faz as aulas na universidade dentro de casa para evitar o contagio. Ela cita o exemplo da China que conseguiu evitar a multiplicação de casos com o isolamento social. “Vai contra o que a Organização Mundial da Saúde (OMS) fala. Vai contra as recomendações que a reunião recente feita pelo G-20. Como que a gente vai expor a população a uma situação assim. Todos estão perdendo dinheiro, é verdade. Mas, ao meu ver, a saúde está em primeiro lugar”, afirmou.
Por sua vez, o estudante João Vitor, disse que se os manifestantes acham que o Corona Vírus é apenas uma ‘gripezinha’, deveriam realizar a ação a pé e não de carro. “Completamente inútil e idiota. Eles não entendem a gravidade do Corona Vírus e do que isto pode acarretar a nossa população. A contaminação do vírus é muito rápida e perigosa. As pessoas que estão fazendo isto, de fato, não tem amor a vida”, comentou.
O trânsito não ficou interrompido na região, pois os manifestantes ocuparam a faixa direita da pista. A previsão é de que a carreata siga até o Centro Cívico.

Veja o inicio da concentração dos motoristas.