As confirmações de Covid-19 ‘explodiram’ no Paraná durante o mês de julho. Apenas como forma de comparação, o estado tinha 22.623 até o dia 30 de junho, mas em 24 dias esse número praticamente triplicou e nesta sexta-feira (24) são 61.335 casos. Mas afinal, qual a influência do inverno neste aumento expressivo? E é justamente com base no clima que o Laboratório de Climatologia (Laboclima) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) criou um sistema que avalia o risco de propagação com base em condições do tempo.

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O Sistema de Alerta Climático para Enfermidades Respiratórias (Sacer) produz mapas que apontam situações de risco médio e alto para o Paraná, especialmente na região Centro-Sul, onde fica Curitiba. A ideia, segundo a UFPR, é que os mapas sejam usados para embasar as políticas públicas e o comportamento da população.

Atualmente, segundo o mais recente mapa elaborado pelo Laboclima, o Paraná praticamente inteiro tem condições médio-altas e altas para a propagação do vírus. “Não que o clima afete diretamente a propagação, mas, como eu gosto de falar, afeta o modo de vida. Em dias frios, a população manteria janela fechada, iria se aglomerar em ambientes fechados e tudo isso é favorável para o vírus, assim como os dias chuvosos. Por isso é tão importante fazer isolamento social, porque quando ele é feito de forma correta, o clima fica em segundo plano”, lembrou o professor Wilson Feltrim Roseghini, do Departamento de Geografia da UFPR.

Para o sistema, são selecionados estudos que investigam a atuação do vírus de acordo com aspectos ambientais, como temperatura, umidade, incidência solar e ponto de orvalho — uma variável que combina umidade e temperatura.

Umidade Relativa do Ar

Segundo o Instituo Meteorológico Simepar, a umidade relativa do ar em Curitiba na tarde desta sexta-feira (24) é de 41%, o que está numa margem favorável para o vírus. “Com base nos estudos que avaliamos, a umidade não pode ser alta demais (mais de 80%) e nem muito baixa (menos de 20%). Mas por que? As altas demais provocam uma situação de chuva, então fazem com que o vírus se precipite no solo junto ao ar. Já quando está muito seco, ele não consegue pegar ‘carona’ nas gotículas. Então, é favorável que tenhamos uma faixa entre 30% e 70% para que possa circular com maior facilidade”, concluiu Roseghini.

Para conferir os mapas do Sacer, basta clicar aqui.