Requerimento de urgência será votado no começo de dezembro (Foto: Djalma Malaquias – Banda B)

 

O Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus (Sindimoc) pediu urgência, nesta terça-feira (20), na discussão que pode implementar a bilhetagem eletrônica e abrir caminho para o fim dos cobradores em Curitiba. O objetivo da entidade é ter uma conclusão para o projeto enviado pelo Executivo à Câmara Municipal ainda em 2018. O pedido se dá pelo fato de 22 vereadores terem manifestado votos contrários ao projeto, o que seria suficiente para barrar a aprovação. O requerimento inicial era para que o regime de urgência fosse votado ainda nesta terça, mas o vereador Rogério Campos (PSC), que é ligado ao Sindimoc, pediu para que a análise fosse transferida para a primeira semana de dezembro.

Segundo Campos, os trabalhadores não podem passar o Natal e o Ano Novo com a “faca no pescoço”, sem saber seu futuro. “Já que [a prefeitura] não retirou o projeto e nós pedimos isso, agora vamos votar”, disse. Segundo ele, a falta de diálogo sobre a proposta e a incerteza sobre a data de votação é “terrorismo” contra a categoria.

Cobradores se manifestaram na Câmara nesta terça (Foto: Djalma Malaquias – Banda B)

Durante a manhã, motoristas e cobradores ocuparam as escadarias da Câmara para pressionar os vereadores a votarem contra o projeto da bilhetagem.

Pelo levantamento do Sindimoc, 18 vereadores foram ao caminhão de som e se manifestaram contra a proposta. Outros quatro teriam assumido posição favorável aos cobradores no plenário da Câmara. “A mobilização respeitosa e ordeira dos trabalhadores ao longo das últimas semanas sensibilizou um grande número de vereadores porque hoje, no atual contexto econômico, ninguém admite a hipótese de termos 6 mil desempregados da noite para o dia”, afirmou o presidente da entidade, Anderson Teixeira.

Passo atrás

Campos voltou atrás na votação já nesta terça-feira após o vereador Paulo Rink (PR) questionar a moralidade da manobra, que poderia influenciar a eleição do sindicato, que acontece em 29 de novembro. “Essa Casa não é [para ser usada para] influenciar a eleição de qualquer sindicato de Curitiba. Vamos conversar com o sindicato eleito na semana que vem”, disse Rink.

Por sua vez, Campos rebateu dizendo que não havia intenção de influenciar a eleição. “Sou homem, não sou moleque”, rebateu.

Campos e Rink já haviam se estranhado antes após o vereador do PSC sugerir que o ex-jogador de futebol atualmente disputa partidas com donos das empresas de ônibus.

Nota das empresas

O Sindicato das Empresas de Transporte se manifestou por meio de nota, reafirmando que os cobradores terão estabilidade de 12 meses e cursos de requalificação, caso o projeto seja aprovado.

“A propósito da manifestação do Sindimoc nesta terça-feira (20), na Câmara Municipal, o Setransp informa que está cumprindo rigorosamente o que foi acordado na Convenção Coletiva 2018/2019, informando os cobradores, garantindo sua estabilidade por 12 meses e dando-lhes a oportunidade de requalificação em mais de 50 cursos, em parceria com o Senat.

A modernização da bilhetagem eletrônica é um passo importante no sentido da evolução do transporte coletivo. O pagamento da tarifa com cartão agiliza o embarque, dá mais confiabilidade ao sistema e aumenta a segurança, pois diminui o dinheiro em circulação no interior dos ônibus.

Diante disso, o Setransp vê, com cada vez mais clareza, a natureza política do ato do Sindimoc. A poucos dias de nova eleição da categoria, é inadmissível que o Sindimoc faça da cidade sua refém, ameaçando paralisá-la.

O Setransp continuará sua luta em prol de um transporte coletivo mais moderno e seguro – a despeito das manifestações do Sindimoc -, pois essa evolução vem ao encontro dos anseios da sociedade”, diz a nota.

Projeto

O projeto encaminhado à Câmara prevê a implantação da bilhetagem eletrônica em toda a cidade, assim como atualmente já acontece nos micro-ônibus, onde não há cobrador. O objetivo da Prefeitura de Curitiba é a alteração da lei municipal 10.133/2001, que regulamenta a exigência de cobradores nas estações-tubo, terminais de transporte e no interior dos ônibus.

Na justificativa, o prefeito Rafael Greca diz que a alteração é para “trazer maior agilidade ao transporte público”. Outro ponto citado são os constantes assaltos nos ônibus. “Os dados demonstram que os cobradores são alvo de roubos e violência, bem como o patrimônio público acaba sendo objeto de vandalismo e depredações”, diz a proposta, concluindo que a alteração reduziu em mais de 90% dos assaltos em coletivos.

As empresas de ônibus defendem a medida e garantem que a proposta dá mais eficiência ao sistema e traz mais segurança, já que retira a circulação de dinheiro de dentro dos coletivos. As empresas ainda afirmam que os trabalhadores teriam uma estabilidade de 12 meses nos empregos e podem passar por cursos de qualificação, até mesmo para continuar trabalhando no transporte coletivo.

*Com informações da Câmara Municipal de Curitiba.