(Foto: Arquivo Banda B)

O presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Curitiba (Sindimoc), Anderson Teixeira, afirmou em entrevista à Banda B, na tarde desta segunda-feira (26), que motoristas de micro-ônibus estariam sendo coagidos a não denunciarem casos de arrastões. Para o sindicalista, as empresas estariam querendo esconder os crimes para não prejudicarem uma possível aprovação do projeto de lei que prevê a bilhetagem eletrônica no transporte coletivo. O Setransp (Sindicato das Empresas) afirmou que não falará sobre boatos, já que não há provas desta possível coação.

De acordo com Teixeira, casos têm acontecido e alguns motoristas preferem não relatar. “Hoje em Curitiba temos linhas de micro-ônibus (sem cobradores) com arrastões e os trabalhadores estão sendo coagidos a não denunciarem. O que querem é colocar a culpa no profissional, sendo que o problema é muito maior. Eles alegam que vão reduzir os assaltos, quando se retira o cobrador, e isso é um absurdo, por isso lutamos contra este projeto de lei. “, afirmou.

Sem se identificar, um motorista da Linha Vila Macedo contou que foi assaltado na última quinta-feira, na Rua Brasilio Itiberê, próximo ao Viaduto do Capanema. “Eu ia pela Brasília até o viaduto e dois passageiros pediram para embarcar. Ambos pularam a catraca e cometeram o crime, armados com faca. Vou fazer o quê? Tenho que dirigir o ônibus e deixar eles”, afirmou o motorista.

Para Teixeira, é importante a categoria se mobilizar para que a lei da bilhetagem eletrônica não seja aprovada. “No dia 3 de dezembro será votada a lei do desemprego, que colocará cobradores na rua. Peço para a categoria não cair no papo das empresas, porque elas querem desmobilizar os trabalhadores”, concluiu.

Outro lado

Confira a nota enviada pelo Sindicato das Empresas sobre o caso:

O Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp) não vai se pronunciar em cima de boatos. O fato é que, pelas estatísticas no Brasil e no mundo, o incentivo ao uso do cartão transporte para o pagamento da tarifa é um grande aliado na luta contra os assaltos em tubos e linhas. Quanto menos dinheiro circulando, menor é a atratividade para roubos. Campo Grande-MS praticamente zerou os assaltos dentro dos ônibus com o pagamento exclusivo com cartão. Em São Paulo, os assaltos a ônibus caíram 94% após a implantação do Bilhete Único.