A Petrobras teria descumprido uma cláusula do acordo coletivo com os funcionários da Araucária Nitrogenados S/A (Ansa/Fafen-PR), nesta terça-feira (14), anunciando que, após encerradas as tentativas de venda da subsidiária, aprovou a hibernação da fábrica de fertilizantes localizada na cidade de Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba. Pelo menos é isso o que defende o diretor do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Petroquímicas (Sindiquímica-PR), Caio Rocha da Silva. A empresa apontou que desligará os 396 empregados da fábrica.

(Foto: Agência Brasil)

“A empresa com essa decisão está descumprindo uma cláusula do nosso acordo coletivo. Na próxima segunda-feira, teremos uma mesa de mediação no Ministério Público (MP), onde o objeto da mediação é essa cláusula que impede demissões em massa sem antes haver uma discussão com a entidade sindical”, afirmou o diretor do Sindiquímica-PR.

Segundo a empresa, os resultados da fábrica, historicamente, demonstram a falta de sustentabilidade do negócio. Somente de janeiro a setembro de 2019, a Araucária gerou um prejuízo de quase R$ 250 milhões. Para o final de 2020, as previsões indicam que o resultado negativo pode superar R$ 400 milhões.

O sindicalista disse ainda que, na verdade, o número de funcionários que serão desligados da empresa chega próximo de 1 mil. “O número de demissões vai chegar próximo de mil. Esses 396 são apenas os funcionários diretos da Araucária Nitrogenados, pois há ainda cerca de 600 terceirizados que trabalham lá diariamente e que também ficarão desempregados”, contou Silva.

Ele comenta ainda quais medidas o sindicato promete tomar e quais são as prioridades do momento. “A nossa principal prioridade é a continuidade operacional da fábrica. Em segundo lugar, está a manutenção de empregos. Pois entendemos que a Petrobras tem todas as ferramentas para manter o quadro de funcionários ativo. Agora vamos para essa mesa de mediação no MP para rever a proposta da empresa, já que na ótica do nosso jurídico e da nossa diretoria houve descumprimento de acordo”, esclareceu o diretor do Sindiquímica-PR.

Além das verbas de rescisórias, a empresa propôs um pacote adicional entre R$ 50 mil e R$ 200 mil, proporcional à remuneração e ao tempo trabalhado, incluindo ainda outros benefícios.