O isolamento social, necessário por conta da pandemia do coronavírus, já traz efeitos significativos para a economia do Paraná. Nesta sexta-feira (3), por exemplo, a Associação Brasileira de Casas Noturnas (Abrabar) informou que 3,2 mil trabalhadores já perderam empregos ao longo dos últimos 15 dias. O número, porém, pode chegar a 8 mil até o próximo dia 6, uma vez que não há data para que aglomerações de pessoas voltem a ser permitidas. Em Curitiba, casas noturnas foram fechadas por determinação da prefeitura.

Largo da Ordem é um dos principais polos gastronômicos da cidade (Foto: SMCS)

De acordo com o presidente da Abrabar, Fábio Aguayo, o setor entrou em colapso e empresas já estão sendo fechadas. “O mais dramático é que está chegando o dia de pagamento dos funcionários e muitos não têm como pagar. Vamos ter que renegociar com o sindicato dos trabalhadores para que ninguém fique na mão. Como nosso dever é priorizar o pagamento dos salários do mês, vamos fazer empréstimo bancário, linha de crédito, e ter que segurar de alguma maneira, para honrar com o pagamento”, diz.

Na última quarta-feira (1°), a rede de restaurantes Madero demitiu mais de 600 funcionários. Segundo o empresário Junior Durski, as demissões se concentraram em equipes voltadas aos projetos de expansão da rede, que previa abrir mais 65 unidades ainda em 2020.

Em Curitiba, decreto assinado pelo prefeito Rafael Greca em 19 de março proíbe a abertura de vários serviços relacionados ao setor, como casas noturnas, espetáculos, boates, cinemas, teatros e tabacarias. O objetivo da administração municipal é evitar a aglomeração de pessoas.

Negociações

Segundo Aguayo, os empresários já estão tendo que tomar medidas para arcar também com contas e impostos. “Muitos já deixaram de pagar impostos e taxas, enquanto dívidas com fornecedores estamos tentando postergar lá para frente. A luz, estamos negociando com a Copel, a Sanepar ainda não se posicionou e a Compagás não vai cortar o fornecimento, até para que possamos manter pelo menos parte da atividade”, explica.

Diante das possíveis 8 mil demissões até o dia 6, a Abrabar já abriu negociação com o sindicato para poder fazer o parcelamento das rescisões. “Demorou para chegar o socorro de manutenção de empregos e alguns empresários acham melhor demitir que criar uma bola de neve lá para frente”, pontua.

Delivery

Diante da crise, o setor tem tentado se reinventar, principalmente por meio de delivery. “É o maior auge do setor. Quem não fazia entrega em casa, passou a fazer. Quem não fazia entrega de balcão, passou a fazer. Todas as plataformas possíveis estão sendo utilizadas, mas o que mais fico triste é com o número de golpistas que se aproveita do desespero dos empresários. Já há gente tomando tombo dessas pessoas”, lamenta.

Para os próximos dias, a Abrabar deve enviar uma solicitação à Prefeitura de Curitiba para que os serviços possam reabrir gradualmente, respeitando um limite máximo de pessoas.