Consumidores brasileiros estão intrigados com ‘misteriosas’ sementes recebidas pelos Correios, com origem chinesa. Ilona Maria Lachowski, de 63 anos, relatou à Banda B que recebeu uma das encomendas em sua casa, nesta semana. “A única coisa que dizia no pacotinho era sementes, bonsai e frutíferas, em inglês. O resto tudo em chinês, nos envelopes bem lacradinhos. A gente não sabe do que se trata, já que não pedi nada disso”, relatou.

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Situações semelhantes estão acontecendo em outras partes do mundo, como Estados Unidos e países europeus. Mas geralmente os pacotes chegam junto com produtos comprados pela internet. No caso de Ilona, vieram somente os pacotes. “Porque alguém vai mandar sementes lá da China pra pessoas do mundo todo? Não sei, como eles conseguem o nosso endereço? Ali estava meu endereço completo, até meu telefone. E eu nem compro coisas da China, já fiz encomenda internacional, mas não da China. Então não sei como eles conseguem o endereço e esses dados pessoais”, questiona.

A Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) já entrou no circuito para investigar o material recebido por Ilona e eventuais próximas encomendas. “Temos acompanhado os acontecimentos, que começaram fora do país, nos Estados Unidos, nessa semana houve um relato em Santa Catarina e aqui no Paraná estamos recebendo os primeiros relatos a partir de ontem. Não temos ainda nenhuma informação concreta, a gente vai começar a avaliar a situação aqui no estado”, disse Renato Rezende, gerente de sanidade vegetal da Adapar.

O que fazer?

Caso receba uma encomenda com características semelhantes, a orientação oficial é para que as pessoas não abram os pacotes. “Identificou que é um pacote estranho, você não pediu nem comprou aquilo, não abra. Estes pacotes que foram recebidos aqui no Paraná aparentemente não tem visibilidade, então a gente não sabe o que tem lá dentro. Mas, se forem mesmo sementes, os materiais podem trazer contaminantes para nossa agropecuária, como plantas daninhas exóticas, que não são presentes no nosso estado ou país e ainda agentes fitopatogênicos como fungos e bactérias”, explica Rezende.

Portanto, a orientação é para que as pessoas não abram as embalagens e encaminhem ou solicitem retirada do material, tão logo recebam, pelas autoridades responsáveis, seja na Adapar ou no Ministério da agricultura.

Agência de Defesa Agropecuária do Paraná – (41) 3313-4000 // R. dos Funcionários, 1559 – Cabral, Curitiba – PR, 80035-050

Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – (41) 3361-4020 // R. José Veríssimo, 420 – Tarumã, Curitiba – PR, 82820-000

Golpe?

Nos Estados Unidos, pessoas tem relatado casos semelhantes desde julho. Por lá, análises clínicas já foram realizadas, e num primeiro momento os resultados apontaram uma diversidade de ervas tradicionais e aparentemente inofensivas como sementes de mostarda, hibisco, alecrim, couve, sálvia, lavanda entre outras.

Especialistas americanos em comércio eletrônico descartam teorias de ofensivas biológicas ou algo orquestrado, e alertam para uma prática ilegal chamada “brushing scam” em inglês. Prática que consiste, basicamente, no envio de materiais leves e pequenos, como sementes, para pessoas que tiveram seus dados vazados na rede e desta forma aumentar o volume de vendas com transações que nunca ocorreram de fato, posicionando lojas online específicas em ferramentas de busca e plataformas de vendas na internet como campeãs de venda e obtendo maior visibilidade.