A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) observou um aumento no consumo de água durante os primeiros dias do mês de janeiro. Em entrevista à Banda B, o diretor de comunicação e marketing da Sanepar, Hudson José, explicou que os números definitivos serão confirmados apenas no fim do mês, mas a população não pode relaxar nos cuidados mesmo com o aumento dos reservatórios que abastecem a Grande Curitiba.

“O rodízio não é um castigo, mas um instrumento que nos permite estocar água até que o período se normalize. A gente percebe que as pessoas flexibilizaram [o consumo], assim como a gente flexibilizou o rodízio durante as festas. Houve uma sensação das pessoas de que nós estaríamos voltando a normalidade e, com isso, houve um consumo acima da média, algo que pode ser creditado ao descuido”, comentou o diretor da Sanepar nesta segunda-feira (11).

 

Hudson José afirma que existem números que confirmam o relaxamento da população. Segundo o diretor, com a suspensão do rodízio em dezembro, o mês fechou com um acréscimo no consumo de água no valor de 15% na Grande Curitiba. No litoral, por sua vez, a demanda de água cresceu 70% logo nos primeiros dias do Verão.

“O número confirmado de 15% após o rodízio suspenso em dezembro, ficou acima do que era esperado. A média histórica no aumento do consumo da população neste período é de 5%. É um dado interessante porque a gente tem menos pessoas nas cidades da Grande Curitiba. Tivemos que ter um incremento na produção para atender esta demanda neste período de 22 de dezembro a 3 de janeiro tanto em Curitiba como no litoral”, revelou.

Chuvas

Com o aumento do consumo no final de dezembro, e agora em janeiro, José destacou a importância das chuvas. Ele relembrou que o nível dos reservatórios do Sistema de Abastecimento Integrado (SAIC) de Curitiba e Região Metropolitana está em 40,9% e isto favoreceu nas medidas de flexibilização.

“Se a outra ponta da conta aumentou, que é a do consumo, se eu não tivesse um aumento na captação de água, por meio das chuvas, talvez a Sanepar não teria suspendido o rodízio. Só fizemos isto graças a esta combinação de estoque mínimo com as chuvas que foram generosas no final de novembro e no inicio de dezembro. As chuvas foram regulatórias”, analisou.

Normalidade

A Sanepar mantêm a expectativa de que a normalidade na distribuição da água aconteça em março. No entanto, a imprevisibilidade das previsões climáticas dificulta qualquer ação futura que a companhia possa tomar neste momento para beneficiar a população.

“Somente agora que nós começamos ter um pouco de suspiro. Se flexibilizarmos muito, corremos o risco deste estoque ser esvaziado. No ano passado, tínhamos a informação de que o verão fosse tão seco como a primavera. Hoje, a gente já acredita que tenhamos mais chuvas neste verão e, quem sabe, tenhamos um outono e inverno um pouco mais úmido”, disse o diretor.

Hudson José ressalta, mais uma vez, a necessidade de evitar gastos desnecessários com a água. “Não vamos ficar lavando calçadas e carros; muros, fachadas de casas, condomínios e apartamentos. Houve um descuido da população e é importante que mantenhamos o cuidado com estas práticas”, concluiu o diretor à Banda B.