Após a suspensão de abastecimento de água em 54 bairros de Curitiba e São José dos Pinhais por conta de turbidez na água, que aconteceu nesta terça-feira (15), o diretor adjunto de Comunicação e Marketing, Hudson José, em entrevista à Banda B, negou que houve contaminação e explicou que a interrupção aconteceu por conta da identificação de impurezas na água. A Sanepar retomou, no fim da noite desta terça-feira (15), o abastecimento de água vindo Canal da Água Limpa, no Rio Iguaçu. Com isso, os cerca de 900 mil consumidores de Curitiba e São José dos Pinhais já estão com o atendimento normalizado.

 

 

O diretor da Sanepar, Hudson José, afirmou que há um rígido controle de qualidade por parte da entidade. “Nós temos um elevado grau de padrão de qualidade, a água chegou com turbidez, apresentando elementos estranhos e a gente suspendeu o fornecimento pra que não houvesse nenhum risco, mas não há contaminação de água”, explicou à Banda B, na manhã desta quarta-feira (16).

A empresa realiza testes de qualidade nas ETAs a cada meia hora e os testes realizados na ETA Iguaçu identificaram elevada turbidez, com índices de qualidade abaixo do padrão adotado pela companhia. Devido a esse quadro, foi necessário adotar medidas preventivas de suspensão de produção e fornecimento de água para alguns bairros de Curitiba e São José dos Pinhais, em uma área que reúne cerca de 900 mil pessoas.

“A gente tem um sistema de padrão que fazemos a medição da água captada e produzida a cada meia hora. Qualquer variação com apresentação de alteração do nível de impureza máximo permitido, com turbidez da água, com elevação de potencial odor, a gente suspende a produção”, destacou José.

O diretor da Sanepar explicou como o problema foi identificado. “Então, quando captamos essa água, primeiro, nós ampliamos o teste que seria a cada meia hora, fizemos novos testes. Primeiro, tivemos garantia do que não era, confirmamos que não era nenhum produto tóxico, nenhum material ferroso – de mercúrio – e nenhum material derivado de petróleo. (…) Nós não conseguimos identificar a fonte que gerou essa impureza e a concentração de produtos, mas identificamos a queda na qualidade da água”, disse.

“Graças a este processo, a gente garante o abastecimento e por isso fizemos a suspensão antes que houvesse qualquer risco de chegar a uma parcela mínima de água suja na casa das pessoas (…) Nós identificamos o nível de impureza na fase de captação”, complementou.

Já aconteceu

Por conta de um trabalho de uma mineradora, que lançou rejeitos de maneira irregular no Rio Piraquara, moradores de Curitiba e Colombo tiveram a suspensão do fornecimento de água, pois houve queda na qualidade e turbidez.

 

 

Na época, 600 mil pessoas ficaram sem abastecimento.

Mais moderno da América do Sul

Hudson José disse que a Sanepar tem a estação de controle mais moderna da América do Sul. A Sanepar tem hoje a estação de controle de qualidade mais moderno da América do Sul, sem nenhum medo de errar. Nós temos o melhor laboratório da América do Sul”, falou.

Sem água

O problema provocou a suspensão do abastecimento de água em 54 bairros de Curitiba e São José dos Pinhais, na região metropolitana, em uma área que reúne cerca de 900 mil pessoas.

Os bairros afetados em Curitiba foram:

Água Verde, Guaíra, Parolin, Prado Velho, Rebouças, Boqueirão, Capão Raso, CIC, Fanny, Fazendinha, Hauer, Lindóia, Novo Mundo, Pinheirinho, Portão, Santa Quitéria, Seminário, Vila Izabel, Xaxim, Fazendinha, Cabral, Juvevê, Hugo Lange, Alto da Glória, Centro, Jardim Social, Bacacheri, Alto da XV, Batel, Cajuru, Uberaba, Bigorrilho, Campo Siqueira, Vila Izabel, Barrerinha, Ahú, Boa Vista, São Lourenço, Abranches, Bom Retiro, Mercês, Pilarzinho, São Francisco, São Lourenço, Vista Alegre, Cascatinha, São João e Centro Cívico.

Em São José dos Pinhais:

Guatupê, Jardim Ipê, Cidade Jardim, Jardim Cristal, Ipê e Academia.

IAT

Em nota, o Instituto Água e Terra (IAT) informou que foi acionado pela Sanepar sobre uma possível turbidez nas águas no Rio Pequeno, afluente do Rio Iguaçu, e enviou imediatamente uma equipe técnica para percorrer o local e descobrir a origem da espuma que se forma no rio. Confira a nota:

O problema pode ser decorrente de diversos fatores, como por exemplo o aumento das chuvas na região ou lançamento de efluentes em desacordo com a legislação ambiental. Sendo assim, a equipe técnica visitará as empresas e outras instaladas na bacia para averiguar a fonte da poluição. O órgão informa ainda que a equipe do IAT, composta por amostradores e agentes fiscais, com a ajuda do Batalhão de Polícia Ambiental – Força Verde, estão fazendo os levantamentos do ocorrido para que o problema seja resolvido o mais breve possível.

SANEPAR

Em nota, a Senapar disse rodízio na região atendida pela ETA Iguaçu:

A Sanepar normalizou a produção da Estação de Tratamento de Água (ETA) do rio Iguaçu que ficou comprometida nas últimas horas. Além da normalização no fornecimento, a empresa também suspendeu o rodízio no abastecimento na área atendida pela unidade. As áreas que foram afetadas só voltarão para o rodizio no dia 18 de dezembro.

Com a retomada da produção, os reservatórios do sistema estão enchendo. Ontem (terça-feira, 15), às 23 horas foi iniciado o abastecimento de todos os reservatórios da região que recebe água a partir da ETA Iguaçu. A produção de água está na capacidade máxima, mas a retomada do abastecimento está sendo gradual. Até o meio dia desta quarta já havia sido recuperado cerca de 90% mas algumas regiões podem ter dificuldades pontuais que devem ser equacionadas ainda hoje.

DETERGENTE E AÇÃO CRIMINAL

A Sanepar identificou o produto que trouxe queda de qualidade na captação. Após análises de parâmetros, foi confirmada a presença de produtos “surfactantes” com características de formação de espuma e viscosidade similar a vários tipos de detergentes.

A Sanepar está iniciando processo criminal para identificar a origem desse material. A Companhia trabalha com a hipótese de sabotagem.