Há quase dez dias para o Natal e cerca de duas semanas para o Ano Novo, a Sanepar (Companhia de Saneamento do Paraná) afirmou que a possibilidade de suspender o rodízio de abastecimento nessas datas depende de alguns fatores e não pode ser descartada. Após a divulgação da tabela de rodízio de água para Curitiba e região até o dia 26 de dezembro, internautas e ouvintes da Banda B protestaram e questionaram a manutenção do revezamento mesmo em dias de festas, o que poderia causar o deslocamento de moradores para casas com abastecimento normal.

Segundo dados da Sanepar, o nível das barragens que compõem o Sistema de Abastecimento Integrado de Curitiba e Região Metropolitana (Saic) no domingo (13) era de 35,40%. Porém, nesta segunda-feira (14), após o registro de chuva, o nível está em 36,09%.

Apesar da forte chuva registrada nos últimos dias, o nível pouco se alterou. O Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), quando questionado em uma rede social, informou que a queda de água foi pequena: “No Jardim das Américas foram 20 mm, mas teve pontos da cidade com acumulados acima dos 50 mm. Nas represas choveu pouco (Pinhais e Piraquara, por exemplo, não chegou a 5 mm)”.

Foto: Sanepar

 

À Banda B, o diretor de comunicação e marketing da Sanepar, Hudson José, informou o nível atual de cada reservatório que abastece a capital paranaense e região: “A barragem com menor índice hoje é a do Iraí, que está com 24,16%; em seguida vem a de Piraquara I com 32%; o Passaúna tem 43,67% e; o Piraquara II opera com 55,78% de reservação”.

A explicação para o nível atual da Barragem Piraquara II, confirme explicações do diretor, vai ao encontro da localização dela. O reservatório é o mais próximo da Serra do Mar, o que possibilita um maior acúmulo de água e preservação já que há muita umidade na região.

Rodízio

Depois do protesto de algumas pessoas em relação ao estabelecimento do rodízio de água até o dia 26 de dezembro, a Sanepar explicou que a possibilidade de suspensão do revezamento depende de alguns fatores como queda de chuva e atitudes da população.

“Nem o Ano Novo vão perdoar?”, escreveu uma internauta no Portal Band B. “Natal e Ano Novo… O que custa deixar liberado?”, indagou outra.

Muitos moradores se viram na situação de ficar sem água durante essas datas e ter de ir à casa de vizinhos para passar o Natal, por exemplo. A questão ainda envolve o risco de haver contaminação pelo coronavírus, visto que aconteceria aglomerações e o distanciamento social ficaria de lado.

Sobre o rodízio, Hudson José afirmou que ele não deve ser visto como punição e alegou que a Sanepar “não faz essa ação de uma forma deliberada”. Ainda, destacou que se não houvesse o revezamento de abastecimento a situação hoje poderia ser diferente. “Se não tivéssemos feito o rodízio e provocado a população a preservar a água, teríamos atingido os 25% de reservação nas barragens em setembro e haveria um risco muito grande de desabastecimento em Curitiba e Região Metropolitana”, disse.

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

 

De acordo com o diretor, a chegada aos 25% configuraria um rodízio mais severo. “Caso cheguemos a esse limite [25%], seremos obrigados a implantar um sistema de rodízio mais severo”, explicou durante entrevista à Banda B na última terça-feira (8).

Ele também usou um exemplo prático para explicar o porquê da continuidade do sistema: “É como estar trabalhando com o saldo negativo na conta bancária. No final do mês o salário entra, mas ele é menor do que esse saldo. Entra o dinheiro, reduz um pouco o déficit, mas o saldo ainda fica negativo.”

Para ele, a possibilidade de se chegar aos 25% era grande há uns meses atrás. Porém, só não aconteceu pois o quadro foi revertido com a ajuda da população e registro de chuvas. No entanto, o consumo ainda assim deve ser racional.

Hoje, os moradores de Curitiba e região ficam um dia e meio sem água e um dia e meio com (36 horas x 36 horas). “Esse modelo de rodízio que temos hoje ainda traz o impacto, mas é mínimo”, avaliou.

Acerca da suspensão do rodízio, a Sanepar informou que trabalha com algumas hipóteses e que só poderá defini-lo quando for assegurado que o abastecimento chegou em um índice bom. “Precisamos ter essa tranquilidade. A Sanepar estuda todas as possibilidade possíveis e não podemos agir com irresponsabilidade. Em um momento adequado, comunicaremos”, disse.

Com relação às chuvas, o representante da companhia afirmou que os meses de novembro e dezembro tiveram registro de chuva e que o volume de água deu “um fôlego para melhorar a reservação e deu a possibilidade de passar um Natal e Ano Novo mais tranquilo”.

Veja a tabela de rodízio clicando aqui.

Litoral

O Litoral do Paraná é um dos destinos mais procurados pela população em época de fim de ano. Nas praias, o diretor explicou que o cenário é bem diferente em relação a Curitiba e região.

Questionado sobre uma possível falta de água nas praias, Hudson afirmou que o Sistema de Abastecimento Integrado de Curitiba e Região Metropolitana (Saic) não envolve o litoral e que lá há uma boa estrutura. “Temos no litoral, hoje, a capacidade de 3,5 vezes da demanda média”, mencionou.

Foto: José Fernando Ogura/ANPr

Sobre a ida de muitas pessoas de Curitiba e região às praias, ele concluiu: “Não sabemos como a população deve se comportar nesse final de ano com o coronavírus, mas historicamente existe quase uma compensação. Algumas pessoas saem da capital e vão pro litoral, mas existe uma migração interna – familiares e amigos se deslocam para Curitiba para visitar família. Temos então quase uma equivalência de pessoas e de consumo.

Chuva

O Instituto Nacional de Meteorologia (InMet) emitiu alerta laranja para o risco de tempestade no Paraná e Santa Catarina na próxima terça-feira (14). “Chuva entre 30 e 60 mm/h ou 50 e 100 mm/dia, ventos intensos (60-100 km/h), e queda de granizo. Risco de corte de energia elétrica, estragos em plantações, queda de árvores e de alagamentos”, afirmou o órgão.