A Banda B procurou uma engenheira civil, especialista na área de patologia de construções, para tentar entender quais motivos podem ter provocado o rompimento de duas caixas d’água no Residencial Killian, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. O acidente assustou moradores e inundou todos os apartamentos do edifício com 12 andares, na manhã desta quinta-feira (25).

Os bombeiros não souberam informar, ao certo, o que teria causado o rompimento e afirmaram que apenas um perito poderia chegar aos motivos do acidente. Por isso, a reportagem conversou com a engenheira civil Fabiana Mazetto, que atua há 15 anos na área de patologia de construções, ou seja, que diz respeito ao estudo de problemas, falhas ou defeitos que comprometem uma ou mais das funções de um edifício.

Ela explicou algumas medidas que podem ser tomadas para que esse tipo de situação seja evitada e o que é feito quando acontecem acidentes como o desta quinta-feira.

Foto: Banda B

Não é incomum

A engenheira diz que esse tipo de acidente é bastante recorrente. Apesar dos reservatórios de fibra de vidro serem bastante resistentes, muitas vezes esses rompimentos estão ligados a falhas de instalação do reservatório.

“Basicamente, há duas falhas que geralmente acabam acontecendo. Em primeiro lugar, o piso de assentamento, onde o reservatório é colocado, deve ser extremamente liso. Em segundo lugar, quando é feita a instalação da parte hidráulica da tubulação os profissionais acabam não fazendo o apoio desses tubos e, consequentemente, com o tempo vão se deformando. Em ambos os casos, pode ocorrer o rompimento”, explicou Fabiana.

A especialista comenta também que não são apenas os reservatórios de fibra de vidro que dão problemas; os de concreto também podem causar esse tipo de acidente, ocasionados por infiltrações e corrosões em tubulações

Cuidados

A profissional destacou a importância do trabalho de um engenheiro ou arquiteto quando o assunto é comprar um imóvel. Muitas vezes, o consumidor esquece que deve se atentar a outros detalhes que compõem o local onde irá morar e deixam de lado algumas questões.

Fabiana ressalta que é imprescindível haver uma avaliação técnica por parte destes profissionais para que acidentes e problemas sejam evitados: “Quando o interessado deseja comprar um imóvel, é fundamental que ele contrate um engenheiro ou um arquiteto para analisar e inspecionar o local. É importante verificar a situação de telhados, garagens, caixas d’água, etc e isso evitará problemas no futuro. Muitos acabam esquecendo que devem haver essas avaliações”, afirmou.

Em relação aos condomínios, a engenheira comentou que é importante a administração ter sempre disponível um profissional habilitado para fazer vistorias. Existem normas que exigem que o condomínio tenha um responsável técnico que acompanhe manutenções preventivas e corretivas.

Responsável

Geralmente, uma obra ou projeto é assinada pelo engenheiro responsável. Mas Fabiana explicou que em casos como o acidente de São José dos Pinhais, quem responde pelo acontecimento em questão, imediatamente, seria a construtora. Contudo, quando o reservatório está dentro do prazo de garantia, é importante que a construtora responsável contate o fabricante do material.

“É claro que o engenheiro tem responsabilidade, mas por uma questão, inclusive, de agilidade, de processo, é feito o acionamento da construtora/incorporadora, que é quem vendeu o imóvel, e cabe a eles acionar o responsável técnico”, afirmou.

Sobre a garantia do material, a especialista concluiu explicando que são raras as vezes que pode haver algum problema com o equipamento quando está dentro da garantia, mas não descarta a possibilidade.