O governador Ratinho Junior confirmou, na manhã desta sexta-feira (9), que algumas atividades presenciais nas escolas do Paraná podem ser retomadas no próximo dia 19 de outubro. Durante entrevista coletiva, Ratinho afirmou que o objetivo inicial é fazer a retomada apenas das aulas extracurriculares, como educação física e artes, além do reforço escolar, em cidades com baixa incidência do coronavírus.

Foto: AEN

“Não há possibilidade de voltar normalidade nas escolas devido ao momento em que vivemos. Eu sempre disse que nosso maior cuidado será com os alunos e com os professores. O que nós temos é um grupo de trabalho que está estudando a maneira que seria possível onde os índices da pandemia onde os índices são muito baixos. Há cidades, de cinco ou seis mil habitantes em que, graças a Deus, praticamente não temos nenhum caso. De qualquer forma, não seria aula de forma normal e sim as atividades extracurriculares”, disse o governador.

O Governo do Estado ainda não divulgou em quais regiões o retorno aconteceria, mas seis regiões estão em pauta: Ponta Grossa e Wenceslau Braz, nos Campos Gerais; Pato Branco e Francisco Beltrão, no Sudoeste; e Umuarama e Cianorte, no noroeste.

Segundo Ratinho, o plano dá liberdade ao diretor de cada escola para escolher o que retomar. “Claro que isso será gradativo, tem regiões quem nem mesmo as extracurriculares será possível implementar. O diretor terá todo o amparo, um protocolo e, conforme a pandemia vá diminuindo, a gente vai retomando ao novo normal”, afirmou.

O protocolo de retomada é discutido em conjunto entre as secretarias da Educação e da Saúde.

Na última terça-feira (6), o secretário da Saúde Beto Preto destacou que é importante que o retorno aconteça simultaneamente nas redes pública e privada. “Isso é democrático e nivela o conhecimento” afirmou.

Para o retorno, segundo Beto Preto, é necessário que a taxa de infecção seja inferior a 0,8.

Critérios

Em documento enviado ao Ministério Público do Paraná (MP-PR), a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) apontou seis critérios necessários para a retomada.

Confira as medidas:

1) A transmissão da doença deve estar controlada (índice de transmissão RT <1, o ideal seria o R < 0,5:

a) disponibilidade de pelo menos 30% de leitos no município;

b) diminuição constante de no mínimo 50% na incidência de casos confirmados e suspeitos, durante um período de três semanas, a partir do último valor máximo, com a estratégia de testagem mantida ou reforçada para testar uma porcentagem maior de casos suspeitos. Isso indica uma redução na transmissão pela metade ou menos.

c) diminuição do número de mortes entre casos confirmados e suspeitos pelo menos nas últimas três semanas;

d) diminuição constante do número de hospitalizações e internações em UTI de casos confirmados e suspeitos pelo menos nas últimas duas semanas;

e) o sistema de saúde deve ter capacidade de absorver ou de ampliar um aumento de ao menos 20% dos casos COVID-19;

2) O sistema de saúde deve estar apto para detectar, testar, isolar e tratar pacientes e para a estratégia de rastreamento de contatos. E os estabelecimentos de atenção à saúde devem apresentar:

a) testes para detecção de Covid-19;

b) identificar e registrar novos casos e ter seus dados incluídos na análise epidemiológica dentre de 24 horas;

c) isolar e confirmar/liberar dentro de 48 horas, após o início dos sintomas, em torno de 90% dos casos;d) rastrear e colocar em quarentena em até 48 horas após a confirmação ao menos 80% dos casos novos;

e) monitorar pelo 80% dos contatos durante 14 dias e ser capaz de testar pelo menos 10 contatos por caso suspeito/confirmado.

3) os riscos de surto devem estar minimizados em estabelecimentos de saúde, escolas e asilos.

a) garantir o monitoramento da saúde de toda população escolar, considerando o diagnóstico no início dos sintomas com testagem e acompanhamento clínico.

4) adotar medidas preventivas em locais de trabalho, escolas e setores essenciais.

a) apresentar um plano detalhado de medidas sanitárias, higienização garantia de distanciamento entre as pessoas no ambiente escolar, salas de aula e transporte.

5) administrar o risco de casos da doença originados de outros lugares

6) orientar e instrumentar a comunidade para se adaptar às novas regras”