A Alameda Prudente de Moraes, no Centro, começa a se tornar a primeira rua interativa do Brasil. O projeto-piloto foi implantado, na semana passada, pela startup curitibana MCities, especializada em comunicação urbana, e adota soluções da chamada “Internet das Coisas”, com rede de tecnologia embarcada, sensores e conexão capaz de coletar e transmitir dados.

Repleta de restaurantes e lojas, a Prudente de Moraes conta com duas tecnologias para promover a “conversa” do comércio local com as pessoas que circulam pela rua. Nas duas quadras entre as alamedas Augusto Stellfeld e Doutor Carlos de Carvalho foram instalados minúsculos dispositivos – denominados beacons – de tecnologia de localização capazes de transmitir para smartphones, via Bluetooth, informações sobre serviços existentes na rua. Tudo ocorre automaticamente e não é preciso baixar nenhum aplicativo.

Alameda Prudente de Morais, no Centro é a primeira rua interativa do Brasil. – Na imagem, QRCodes na rua. Curitiba, Foto: Cesar Brustolin/SMCS

“Estamos usando a tecnologia para promover o empoderamento das pessoas, inspirando-as a descobrir ou redescobrir a cidade, bem como ajudar o comércio e serviços a gerar emprego e renda”, afirma Paulo Hansted, fundador e CEO da MCities.

A interatividade criada está permitindo, por exemplo, que pessoas que passam pela rua conheçam cardápios secretos de restaurantes da região. “Através da tecnologia, oferecemos uma nova experiência para as pessoas que passam na rua e também criamos uma relação diferente com nossos clientes”, afirma o chef Flávio Zan, proprietário do Il Barbuto, restaurante especializado em cozinha italiana e participante da ação com um dos três pratos “secretos” diários.

Muros e fachadas do comércio da Prudente de Moraes também receberam, nas duas quadras do projeto-piloto, painéis com QR Code, que oferecem informações sobre a rua e sobre eventos, passeios e experiências por toda a cidade.

O procedimento de leitura é simples: basta direcionar a câmera do smartphone para o código de leitura do QR Code e, a partir daí, o usuário acessará pelo celular o conteúdo digital da MCities. “Nossa plataforma reúne várias experiências da cidade, além de um conteúdo exclusivo, como uma exposição fotográfica da Prudente de Moraes feita pelo fotógrafo da Prefeitura Daniel Castellano”, detalha Hansted.

Alameda Prudente de Morais, no Centro é a primeira rua interativa do Brasil. – Na imagem, Guilherme Cordeiro de Oliveira mostra o sistema Beacan em funcionamento na rua. Curitiba, Foto: Cesar Brustolin/SMCS

Segundo o CEO da MCities, o projeto-piloto da Prudente de Moraes deverá chegar a mais vias da capital nos próximos meses. “Estamos avaliando com a Prefeitura a possibilidade de levarmos esta inovação, por exemplo, para a Rua XV, no Centro, e para a Itupava, no Alto da XV”, revela Hansted.

A receita da startup curitibana é obtida com os anúncios veiculados na plataforma digital e com eventos promovidos por toda a cidade, como intervenções urbanas que começam no fim deste mês.

Inicialmente, a interatividade na alameda do Centro de Curitiba está disponível apenas para smartphones com sistema operacional Android. Para iOS, a solução deve estar disponível em 60 dias.

Vale do Pinhão

Para Cris Alessi, presidente da Agência Curitiba, o projeto-piloto na Prudente de Moraes coloca Curitiba, mais uma vez, na vanguarda de adoção de soluções inovadoras de cidades inteligentes. Além disso, observa ela, a iniciativa reforça a importância do Vale do Pinhão, o movimento da Prefeitura e do ecossistema para incentivar ainda mais o ambiente da inovação da cidade.

“Desde o início da gestão do prefeito Rafael Greca, Curitiba tem apoiado empreendedores que buscam criar soluções agregando o uso de tecnologias atuais e de fácil acesso pelo cidadão. O projeto-piloto da MCities segue este conceito, sendo aplicado na divulgação de informações relacionadas a serviços, permitindo que as pessoas participem de forma ativa e colaborativa nas ações realizadas na cidade”, salienta.

Cris avalia ainda que, no futuro, a solução adotada na Prudente de Moraes poderá ser usada em outras áreas e serviços da cidade. “No turismo, por exemplo, a tecnologia permitiria a transmissão de informações relevantes sobre determinado espaço turístico diretamente ao smartphone do visitante. Seria possível ainda criar uma interatividade até como os serviços públicos”, prevê a presidente da Agência Curitiba, órgão ligado a Prefeitura e responsável pela política de inovação da cidade.