Crianças visitaram o Centro Histórico de Curitiba para aprender sobre a diversidade religiosa. (Fotos: Banda B)

Sair da sala de aula para explorar lugares históricos e importantes de Curitiba é uma ótima oportunidade para aprender mais sobre cultura, arte, geografia, ecologia, história e muito mais. Essa é a ideia do programa Linhas do Conhecimento, criado pela prefeitura em 2017 para beneficiar estudantes das escolas e dos Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs).

Para a coordenadora Scheilla Maria Orlosqui, a iniciativa faz com que crianças e adolescentes vejam a cidade com outros olhos. “O programa permite perceber e utilizar os diversos espaços do município como territórios educativos, produtivos e inovadores”, disse ela.

Hoje, os alunos podem participar de aulas de campo em mais de 50 locais da cidade. Entre eles estão a Biblioteca Pública do Paraná, a Cinemateca, os Faróis do Saber e Inovação, a Praça Zumbi dos Palmares e o Aeroclube do estado.

Os estudantes acompanham aulas desenvolvidas a partir de propostas lúdicas e culturais, seguindo o planejamento do professor. Essa é uma forma de aprofundar o conhecimento e aprimorar novas experiências, ao explorar os diferentes locais disponíveis no programa”, afirmou a coordenadora.

Além de incentivar a aprendizagem fora da sala de aula, o Linhas do Conhecimento possibilita que o aluno reavalie a relação que tem com a cidade. “Uma das nossas intenções é desenvolver o sentimento de pertencimento dos estudantes aos diversos espaços do município. Que eles não só conheçam, mas amem esses lugares e cuidem de Curitiba”.

Planejamento é a palavra

Para participar do programa, a partir do planejamento das aulas, o docente escolhe as atividades disponíveis e faz a inscrição. Em seguida, ele passa por um processo de seleção para, então, marcar o roteiro com os alunos. “São várias as opções e nós temos diversas parcerias para garantir a mediação em cada um dos espaços. No Centro Histórico de Curitiba, por exemplo, onde os estudantes podem aprender sobre a diversidade religiosa, nós contamos com o apoio da equipe de Ação Educativa da Fundação Cultural de Curitiba”, explicou Scheilla Orlosqui.

De acordo com Ana Cristina Zanon, responsável pelo programa na regional do Portão, o principal diferencial dessas ações está na questão pedagógica. “Antes, eram saídas pelas saídas. Agora, o professor tem que planejar o trabalho dentro dos planos curriculares para daí ser contemplado com uma aula de campo. Os estudantes são os maiores beneficiados, os relatos dos retornos que nos dão são encantadores”, comentou.

Benefício para os professores

Desde que foi implantado, o programa não agradou somente aos alunos, mas também aos educadores, que possuem uma nova forma de chamar a atenção para o conteúdo das disciplinas. Para o professor Carlos Yamaguti, da área de Finanças, que não conhecia a iniciativa, as visitas proporcionadas pelo projeto tornam-se um complemento para os trabalhos realizados dentro da escola.

É uma alegria muito grande ver as nossas crianças frequentando esses espaços, essas maravilhosas ‘salas de aula’ ao ar livre, como o Centro Histórico de Curitiba. Assim, os alunos podem ter uma experiência única, que fica marcada na memória e cria um vínculo muito grande com a cidade. Eles deixam um ambiente passivo na sala de aula para tomar uma postura ativa, ao vivenciar os espaços junto com a comunidade”, declarou ele.

O publicitário Luciano Longo, que também foi convidado a conhecer a programa, concorda com Yamaguti. “Eu fiquei bastante encantado. Acho que o grande desafio hoje é dar continuidade ao conhecimento, e o projeto vem realmente ao encontro desse intuito. Isso é extremamente importante, não só para a formação como cidadão, mas também para o mercado de trabalho. Transformar a informação em conhecimento é o que faz a diferença”, concluiu.

Conhecimento para os alunos

Entre as diversas visitas já promovidas pelo programa, está um tour pelo Museu Egípcio e Rosacruz de Curitiba, no bairro Bacacheri. Estudantes do 5º ano da Escola Municipal Michel Khury (Uberaba) e da Foz do Iguaçu (Santa Felicidade) aproveitaram a oportunidade para conhecer mais sobre a cultura, religião e a história do Egito Antigo.

Adorei conhecer este lugar, nunca tinha vindo aqui. Gosto de ler sobre história e hoje vi muitas estátuas e como era a vida dos egípcios antigamente”, contou o aluno Renan Cordeiro, de 10 anos.

Outro exemplo de aula de campo realizada por meio do projeto é uma oficina de modelagem de argila, da qual participaram 30 estudantes da Escola Municipal Mirazinha Braga (Bom Retiro), na Rua da Cidadania Matriz. Na ocasião, as crianças usaram o material para criar ovos, bacias, bolas e até super-heróis. “É muito bom conhecer a cidade e fazer atividades fora da sala, a gente aprende muita coisa diferente”, comentou a aluna Melissa da Silva.

Balanço

Em 2017, o Linhas do Conhecimento teve 17,4 mil participações de estudantes e duas mil participações de professores. Foram 606 visitas a 40 espaços da cidade. Cerca de 90% das escolas foram contempladas e 50% dos CMEIs beneficiados.

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Esta é a segunda reportagem de uma série de três com o tema Educação e Inovação em Curitiba. Confira a primeira abaixo: